A Epagri/Cepa divulgou, em abril de 2026, o levantamento dos preços de terras agrícolas referentes ao ano de 2025. Realizado de forma contínua desde 1997, o estudo apresenta valores médios por município para seis classes de terra e se consolida como uma das principais referências técnicas para o acompanhamento do mercado fundiário rural em Santa Catarina.
Com produção em alta, preços favoráveis e forte peso nas exportações, o agronegócio catarinense viveu um ano histórico em 2025. O desempenho do setor é detalhado no boletim técnico Desempenho da Agropecuária e do Agronegócio de Santa Catarina, elaborado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), unidade de pesquisa da Epagri, e publicado neste mês de abril.
Os números confirmam a força do agro no Estado. O Valor da Produção Agropecuária (VPA) alcançou R$ 74,9 bilhões em 2025, crescimento de 15,1% em relação ao ano anterior. O resultado reflete a combinação de aumento de preços, que avançaram 6,3%, e de maior volume produzido, com alta de 9,5%.
Segundo o analista de socioeconomia e desenvolvimento rural da Epagri/Cepa, Luiz Toresan, a alta do desempenho foi impulsionada principalmente por milho, maçã, tabaco, soja, bovinos e suínos. “A produção ocorreu de forma satisfatória, favorecida pelo clima, e os preços, de modo geral, também foram positivos”, avalia.
“O desempenho histórico de 2025 comprova a força do agronegócio catarinense, com crescimento expressivo da produção e recorde nas exportações. Mesmo com os desafios, o agro demonstrou que é gigante, impulsionado pelas políticas públicas e pelo trabalho de toda cadeia produtiva”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.
Além do mercado interno, o agro manteve protagonismo no comércio exterior. Em 2025, o setor respondeu por mais de 65% das exportações catarinenses, com vendas externas que somaram US$ 7,9 bilhões, alta de 5,8% frente a 2024. O crescimento poderia ter sido maior, não fosse o impacto do aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil a partir de agosto daquele ano.
Segundo o analista da Epagri/Cepa, o chamado tarifaço, com acréscimo de 40% sobre tarifas já existentes, atingiu especialmente produtos como madeiras, móveis de madeira e papéis. “Esses itens representam cerca de 80% das exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos, país que concentra aproximadamente 20% das vendas externas do Estado”, afirma Toresan.
Volatilidade de preços redefine a renda no campo
Já a viabilidade financeira da atividade para o produtor rural, o cenário foi marcado pela instabilidade dos preços. De acordo com dados divulgados pelo Centro de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural (Cepa), no período pós-pandemia, entre 2021 e 2025, a volatilidade do mercado passou a pesar mais sobre a renda do produtor do que as variações climáticas. Em quase todas as culturas analisadas, a oscilação de preços superou a de produtividade, com destaque para arroz, cebola e alho.
Agro de Santa Catarina tem ano histórico em 2025, com VPA de R$ 74,9 bilhões e mais de 65% das exportações do Estado (Foto: Divulgação Epagri)
De acordo com Luis Augusto Araujo, há diferenças importantes entre as safras. “As culturas de verão oferecem maior estabilidade e retorno sobre o capital investido, enquanto as de inverno podem gerar margens elevadas por hectare, mas com maior risco e exigência de capital. Em alguns casos, como o alho, a margem bruta pode ultrapassar R$ 70 mil por hectare”, destaca o analista da Epagri/Cepa .
Outro ponto central do boletim é o conceito de ponto de nivelamento, indicador que define o limite mínimo de preço e produtividade para viabilidade econômica. Culturas como soja e alho operam com maior margem de segurança, enquanto arroz e cebola trabalham em patamares mais estreitos, aumentando a exposição a perdas em anos adversos.
Acesse o estudo completo
O boletim técnico Desempenho da agropecuária e do agronegócio de Santa Catarina, com dados consolidados de 2025, está disponível para consulta e download gratuito no Observatório Agro Catarinense. A análise detalhada dos resultados pode ser conferida na entrevista exclusiva com os analistas da Epagri/Cepa, Luiz Toresan e Luis Augusto Araujo, disponível no vídeo abaixo.
A divulgação dos dados do quarto trimestre de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou o aumento da captação de leite no país. As informações integram o Boletim Agropecuário de abril, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que reúne dados atualizados sobre produção, preços, clima e mercado e serve como indicador do desempenho do agronegócio catarinense.
Santa Catarina registrou desempenho recorde nas exportações de carnes (frango, suínos, perus, patos, marrecos, bovinos e outras) no primeiro trimestre de 2026, alcançando os melhores resultados da série histórica tanto em receita quanto em volume. O Estado exportou 518,4 mil toneladas, gerando US$ 1,17 bilhão, crescimento de 4% em quantidade e de 9,6% em faturamento em relação ao mesmo período de 2025.
Exportações de carnes de Santa Catarina batem recorde no primeiro trimestre de 2026 e superam US$ 1,17 bilhão em faturamento (Foto: Divulgação/Portonave)
Os resultados consolidam a posição de destaque do Estado no mercado internacional. “Santa Catarina produz com qualidade reconhecida, a proteína animal do nosso Estado chega a mais de 150 países. Isso é reflexo de todo esse trabalho de apoio que temos junto aos produtores e às agroindústrias”, afirma o governador Jorginho Mello.
O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, enfatiza que esse desempenho é resultado do elevado padrão sanitário e do trabalho contínuo de defesa agropecuária no Estado, junto com toda cadeia produtiva. “Santa Catarina construiu, um sistema sanitário confiável, reconhecido internacionalmente. Esse diferencial garante acesso aos mercados mais exigentes e sustenta o crescimento das exportações, mesmo em cenários desafiadores”, destaca.
Os números são divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e sistematizados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).
Carne suína
A carne suína apresentou forte expansão. No acumulado do trimestre, o Estado exportou 182,4 mil toneladas, com faturamento de US$ 454,3 milhões, crescimentos de 4% e 7,5%, respectivamente. Com esses números, Santa Catarina alcançou o melhor desempenho da série histórica, nesse período, tanto em volume quanto em receitas.
O Japão liderou os destinos da carne suína catarinense, com 31,7% da receita total, seguido por Filipinas e China. O mercado japonês apresentou forte crescimento, com aumento de 59,8% no volume exportado e de 53,7% na receita, refletindo a elevada demanda asiática pela proteína brasileira. Santa Catarina respondeu por 47,8% do volume e 50,1% das receitas das exportações brasileiras do setor nos três primeiros meses do ano.
Carne de frango
No acumulado do trimestre, foram embarcadas 316,7 mil toneladas de carne de frango, gerando US$ 664,3 milhões, aumentos de 3,2% em volume e 7,7% em receita. O resultado representa o melhor desempenho da série histórica em faturamento e o segundo maior volume já registrado para o período.
O analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl, explica que apesar do cenário positivo, os embarques de carne de frango para o Oriente Médio recuaram em março, com quedas de 22% em volume e 23,8% em receita na comparação com fevereiro. “A retração reflete tensões geopolíticas na região, que têm provocado atrasos logísticos e aumento de custos”, destaca. De acordo com o analista, o crescimento das exportações para outros destinos importantes, como Japão, China e Chile, compensou a queda nos embarques para o Oriente Médio. Santa Catarina respondeu por 24,5% da receita e 22,3% do volume de carne de frango exportada pelo Brasil.
O mercado da soja apresenta sinais de resiliência e pontos positivos para os produtores catarinenses, apesar da pressão típica do período de colheita no Brasil. Em fevereiro, o preço médio ao produtor em Santa Catarina foi de R$117,09 por saca, uma retração de 3,7% em relação ao mês anterior, movimento esperado diante da entrada de uma safra volumosa no mercado nacional.
A intensificação das tensões internacionais em março de 2026 acendeu um alerta no agronegócio de Santa Catarina. O fechamento de rotas marítimas estratégicas no Estreito de Ormuz, somado à manutenção de sanções no Leste Europeu, já provoca impactos diretos sobre custos, logística e previsibilidade no fornecimento de insumos ao Estado.
Os preços de atacado dos ovos de galinha em Santa Catarina registraram alta de 9,2% nas três primeiras semanas de fevereiro, na média estadual, em comparação com o mês anterior. O movimento interrompe a trajetória de forte queda observada desde abril do ano passado e sinaliza um ajuste do mercado diante de mudanças sazonais na demanda e na oferta, conforme dados da Epagri/Cepa.
A safra de maçã 2025/26 em Santa Catarina deve ser marcada por forte recuperação da produção. A estimativa indica alta de 27,9% nas principais regiões produtoras em relação à safra anterior, ampliando a oferta da fruta no mercado e reposicionando o estado como um dos principais fornecedores no cenário nacional.
No total estimado para esta safra, a maçã Fuji lidera o volume, com 51,2% da produção e crescimento esperado de 14,4%. A Gala representa 47,2% do total, com aumento expressivo de 48,3%, enquanto as precoces participam com 1,6% e avanço estimado de 2,2%.
Esse crescimento produtivo já começa a refletir no mercado. Entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026, a entrada de maçãs precoces e o escoamento do estoque remanescente da safra passada aumentaram a disponibilidade da fruta, o que resultou em pressão sobre os preços no atacado e maior concorrência com frutas importadas.
A safra de alho 2025/2026 em Santa Catarina avança com expansão da área cultivada e aumento expressivo da produção, mas enfrenta um cenário de forte retração nos preços pagos ao produtor e no mercado atacadista.
A assinatura do Acordo União Europeia–Mercosul, prevista para este sábado, 17 de janeiro, marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois blocos e reacende expectativas no setor produtivo catarinense. O tratado estabelece a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do alinhamento de regras para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Também prevê regras de origem, simplificação dos trâmites aduaneiros, maior transparência e o reconhecimento de certificações, com foco na redução da burocracia e na facilitação do comércio entre os blocos.
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