Após um ano de retração, o agronegócio catarinense voltou a ganhar fôlego em 2025, impulsionado pela normalização das condições climáticas, pela recuperação dos preços e pela expansão da produção física. O resultado foi o maior Valor da Produção Agropecuária (VPA) da série histórica, que alcançou R$75,1 bilhões, com crescimento nominal de 15,8% em relação aos R$ 64,8 bilhões registrados em 2024. Descontada a inflação, o avanço real foi de 12,5%, revertendo a queda real de 4,3% observada no ano anterior e consolidando uma trajetória de crescimento médio real de 4,3% ao ano na última década.
Santa Catarina inicia mensuração do PIB do agronegócio para medir o peso do setor na economia estadual (Foto: Epagri/Cepa)
Santa Catarina dará um passo inédito ao mensurar, de forma sistemática e com base técnica consistente, o peso do agronegócio em sua economia. O projeto coordenado pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) irá calcular o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio catarinense a partir de metodologias já consolidadas no país, adaptadas às especificidades produtivas do estado e fundamentadas em dados atualizados e compatibilizados. A iniciativa preenche uma lacuna histórica nas estatísticas econômicas catarinenses, ao permitir uma mensuração integrada das cadeias agroindustriais e qualificar o planejamento e a formulação de políticas públicas.
Com duração prevista de seis anos — divididos em três fases de dois anos cada — o projeto conta, em sua primeira etapa, com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Edital CP 44/2025. Nesta fase inicial, o objetivo é adaptar metodologias já consolidadas à realidade de Santa Catarina e realizar um cálculo preliminar da contribuição do agronegócio para a economia estadual.
O estudo, além da produção agropecuária dentro da porteira, incorpora também os setores de insumos, agroindústria, transporte, comércio e demais serviços diretamente ligados às cadeias produtivas do agro, oferecendo uma visão mais completa do peso econômico do setor no estado. O projeto é relevante diante do papel estratégico do agronegócio catarinense, um dos pilares da economia do Estado. Apesar de sua importância na geração de renda, empregos e exportações, Santa Catarina ainda carece de um sistema próprio, periódico e atualizado que permita dimensionar a participação do setor na economia estadual.
Levantamentos acadêmicos já buscaram mensurar a participação do agronegócio no PIB de Santa Catarina ao longo das últimas décadas, com resultados que evidenciam o peso do setor na economia estadual. Estudos realizados por Guilhoto (2007), Sesso-Filho (2018) e Luz e Fochezatto (2023) e seus co-autores, para os anos entre 2000 e 2010 indicam que o agronegócio respondeu por parcelas expressivas do PIB catarinense, variando de 30% a 54%, a depender do ano analisado e da metodologia adotada. Este histórico confirma a relevância do setor e a importância de análises mais padronizadas sobre sua contribuição econômica.
Resultados já mensurados do PIB do agronegócio
Em nota técnica preliminar, a equipe do projeto PIB do Agronegócio Catarinense estimou o agronegócio brasileiro para os anos de 2010, 2015 e 2021, utilizando a metodologia proposta por Montoya e estimou a matriz de insumo-produto com o método de Guilhoto e Sesso Filho. Os resultados indicam que a participação do agronegócio no PIB nacional passou de 20% em 2010 para 21% em 2015 e 26% em 2021. No mesmo período, a participação da renda deste setor se manteve em 21% para 2010 e 2015, alcançando aproximadamente 27% em 2021. Na geração de empregos, o agro passou de 30% em 2010 para 28% em 2015, retornando a 30% em 2021, reforçando a relevância para a economia brasileira.
No país, alguns estados já contam com o cálculo sistemático do PIB do agronegócio realizado por instituições de pesquisa, como a Fundação João Pinheiro (Minas Gerais) e o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, que produz o indicador para São Paulo, Rio de Janeiro e também Minas Gerais.
Análise econômica do agronegócio em SC
Em Santa Catarina, a Epagri/Cepa pretende assumir esse papel e se consolidar como referência na produção e sistematização de informações sobre a economia do agronegócio estadual. A iniciativa reúne uma equipe multidisciplinar e busca suprir a ausência de uma metodologia institucionalizada, oferecendo subsídios técnicos para políticas públicas e o planejamento agrícola.
Além da mensuração do PIB, o projeto pretende aprofundar a análise sobre o funcionamento do agronegócio e suas interações com outros setores da economia catarinense. De acordo com a analista em Socioeconomia da Epagri/Cepa, Dra. Andréa Castelo Branco, a iniciativa vai além do indicador agregado ao adotar instrumentos capazes de detalhar as relações entre os diferentes segmentos da economia, identificar cadeias agroindustriais com maior potencial de geração de emprego, renda e arrecadação e simular impactos de mudanças na demanda do setor.
“Embora importante, a mensuração do PIB do agronegócio, isoladamente, não explica o funcionamento do setor. Por isso, além de calcular sua participação no PIB de Santa Catarina, o projeto utilizará a Matriz Insumo-Produto inter-regional para analisar as relações entre os diferentes setores da economia, identificar cadeias agroindustriais com maior potencial de geração de emprego, renda e arrecadação e simular os impactos de mudanças na demanda do agronegócio”, afirma a analista.
Ao estabelecer uma base metodológica institucionalizada e periódica, a iniciativa liderada pela Epagri/Cepa, com apoio da Fapesc, estabelece um marco na mensuração do agronegócio catarinense. A proposta deve oferecer subsídios técnicos qualificados aos formuladores de políticas públicas e tomadores de decisão, fortalecendo o planejamento agrícola e o desenvolvimento econômico sustentável do estado.
No vídeo abaixo, a Dra. Andréa Castelo Branco da Epagri/Cepa, explica como a criação da mensuração do PIB do agronegócio de Santa Catarina representa um marco para as estatísticas econômicas do estado.
Santa Catarina figura entre os estados de maior produtividade de milho do Brasil, posicionando-se logo atrás do Paraná. A trajetória da cultura ao longo da última década evidencia uma transformação estrutural no sistema produtivo catarinense. Mesmo com a redução contínua da área plantada, os ganhos consistentes de produtividade têm garantido a sustentação dos volumes colhidos.
Santa Catarina continua como destaque nacional em vários produtos conforme os dados agropecuários de 2024 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com apenas 95,7 mil km² e uma população de 8,2 milhões de habitantes, Santa Catarina ocupa a 20ª posição em extensão territorial no país, mas está entre os oito maiores estados brasileiros que se destacam no agronegócio.
O apoio de políticas públicas está impulsionando duas práticas sustentáveis nas lavouras catarinenses de arroz irrigado. O redimensionamento das taipas que limitam as quadras de cultivo e o manejo dos restos culturais usando rolo-faca ganham cada vez mais adeptos, estimulados pela Epagri e pelo apoio financeiro do Governo do Estado. Essas medidas são capazes de reduzir significativamente o impacto da produção de arroz sobre os mananciais hídricos e a emissão de gases de efeito estufa.
O Plano Safra 2025/2026 já está em vigor, com a previsão de R$ 89 bilhões para políticas de crédito à agricultura familiar e de R$ 516,2 bilhões destinados à agricultura empresarial. Em Santa Catarina, além dessas linhas nacionais, os produtores contam com um importante diferencial: a subvenção dos juros, por meio do programa Pronampe Agro SC, onde o agricultor pode acessar para obter auxílio financeiro para pagamento dos juros de financiamento contratados no Plano Safra, para investimento nas propriedades.
Por meio do programa Pronampe Agro SC, o agricultor pode obter auxílio financeiro para pagamento dos juros de financiamento contratados no Plano Safra (Foto: Divulgação/Epagri)
A iniciativa da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR) permite aos agricultores catarinenses reduzir — e em alguns casos até eliminar — os custos com os juros de financiamentos contratados nas linhas do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp). Isso é possível por meio do Pronampe Agro SC, voltado à subvenção de juros de projetos de investimentos, visando a melhoria e a competitividade dos sistemas produtivos da agropecuária, da pesca e aquicultura.
O Pronampe Agro SC contempla os projetos de: Fortalecimento de Cadeias Produtivas; Água para o Campo; Proteção de Pomares; Fortalecimento das Agroindústrias Familiares; Fortalecimento das Cadeias Produtivas da Pesca e da Aquicultura; Armazenagem de Grãos em Propriedades Rurais e Pronampe Leite SC. A subvenção é viabilizada com recursos do Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural (FDR) e pode chegar a até 5% ao ano, calculada conforme contrato nas operações de crédito, dependendo do projeto acessado. Em 2025, a projeção é que sejam aplicados em torno de R$ 25 milhões para atender ao Pronampe Agro SC. Para encaminhar os projetos, o agricultor deve ir ao escritório municipal da Epagri.
“Com esse conjunto de ações, Santa Catarina reforça seu compromisso com o fortalecimento do setor agropecuário, promovendo competitividade, sustentabilidade e desenvolvimento no campo. O Pronampe é um grande exemplo desse compromisso, para estimular a produção e a permanência no campo”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini.
Em Santa Catarina, cerca de 78% dos estabelecimentos agropecuários são da agricultura familiar. Segundo levantamento da Epagri/Cepa, o Estado foi o terceiro que mais acessou recursos do Pronaf em 2024, sendo responsável por 13,3% do total nacional, totalizando R$ 8,5 bilhões.
No ano passado, nenhum estado aplicou mais na pecuária via Pronaf do que Santa Catarina: foram R$ 4,49 bilhões, representando quase 13,9% dos R$ 32,38 bilhões aplicados via “Pronaf/pecuária” no Brasil. No Pronamp, o crédito rural aplicado em 2024 no estado foi de R$ 3,84 bilhões, o que correspondeu a 6,8% das operações realizadas no país.
Plano Safra 2025
O Plano Safra mantém condições especiais para agricultores familiares. As taxas de juros permanecem em 3% ao ano para produção de alimentos básicos, como arroz, feijão, mandioca, frutas, verduras, ovos e leite, podendo cair para 2% em produções orgânicas ou agroecológicas. Para máquinas maiores, de até R$ 250 mil, a taxa é de 5%.
Informações à imprensa:
Andréia Cristina Oliveira / Assessora de Comunicação
Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária / imprensa@agricultura.sc.gov.br
Fone: (48) 3664-4393 (49) 99938 6966
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) realizou, nesta terça-feira (17), a segunda etapa de implantação do “Perfil 360º municipal” do Observatório Agro Catarinense para os municípios da Associação de Municípios do Vale do Itapocu (Amvali). O encontro foi sediado no auditório do CREA, em Jaraguá do Sul, e teve como foco a capacitação dos usuários da plataforma.
O Programa SC Rural 2 dá mais um passo importante para se tornar realidade. Nesta terça-feira, 10, foi aprovado na Assembleia Legislativa de Santa Catarina, o PL 402/2024, que autoriza o Poder Executivo a contratar operação de crédito externo com o Banco Mundial para a execução do Programa de Desenvolvimento Sustentável da Agricultura Familiar de Santa Catarina: Resiliência Ambiental, Inovação e Inclusão Social no Espaço Rural – o SC Rural 2. Continue reading “Projeto de Lei do SC Rural 2 é aprovado na Assembleia Legislativa”
Está aberta a consulta para Proposta do Plano de Envolvimento das Partes Interessadas (PEPI) do SC Rural 2. O projeto foi proposto pelo Governo de Santa Catarina, através da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (SAR), em conjunto com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc), Secretaria de Estado da Aquicultura e Pesca (SAQ), Instituto do Meio Ambiente (IMA), Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade (SIE), Secretaria de Estado do Planejamento (SEPLAN) e Secretaria de Estado da Fazenda (SEF), com financiamento do Banco Mundial (BIRD). Continue reading “Estado abre consulta para Proposta do Plano de Envolvimento das Partes Interessadas (PEPI) do SC Rural 2”
No final do ano passado, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) aprovou um pacote de incentivos tributários de iniciativa do Governo do Estado. Entre os produtos abrangidos está o alho. No 12ª episódio do Pense Agro, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Jurandi Gugel, explica como essa alteração tributária pode fomentar a cadeia produtiva da hortaliça em Santa Catarina. Continue reading “Podcast aborda novas regras de tributação do alho catarinense”
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