Epagri/Cepa publica novo Boletim Agropecuário de Santa Catarina
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) publicou, nesta segunda-feira (17), a edição de agosto do Boletim Agropecuário de Santa Catarina. A publicação reúne análises atualizadas sobre produção, preços, condições climáticas e mercado, oferecendo um panorama da conjuntura das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense. O conteúdo completo desta edição está disponível neste link.

Entre os destaques da edição está a análise “Efeitos da nova política comercial dos EUA no agronegócio de SC: Conjuntura, riscos e perspectivas”, que avalia os impactos das medidas protecionistas norte-americanas sobre o comércio exterior catarinense. Com tarifas que chegam a 37,5%, as exportações de Santa Catarina para os Estados Unidos tiveram queda de 54% no
faturamento no primeiro semestre de 2026. Os setores de madeira, agroindústria, pescados e mel estão entre os mais afetados, com impactos sobre a rentabilidade das empresas e produtores.
Apesar da retração nas vendas para o mercado norte-americano, o agronegócio catarinense manteve crescimento de 2% nas exportações totais, sustentado principalmente pela demanda asiática, com destaque para a China, por proteínas animais. Diante do cenário, a análise aponta como estratégias a adoção de maior cautela financeira pelos produtores, o fortalecimento da rastreabilidade e dos critérios ESG pelas agroindústrias e a diversificação dos mercados de destino, direcionando produtos para a Ásia, o Oriente Médio e a Europa. A avaliação destaca ainda a necessidade de articulação entre o setor privado e o poder público para enfrentar os efeitos das mudanças na política comercial dos Estados Unidos.
Confira, a seguir, os principais destaques do Boletim Agropecuário de agosto de 2026 conforme as principais cadeias produtivas de Santa Catarina:
Feijão registra queda nos preços em julho, mas mantém valorização anual 
Em julho, os preços recebidos pelos produtores catarinenses de feijão recuaram em relação ao mês anterior. O feijão-carioca teve queda de 5,8%, para R$ 271,22 por saca, enquanto o feijão-preto caiu 5,6%, encerrando o mês em R$ 191,92/sc. Apesar da desvalorização mensal, os preços permaneceram em patamares elevados na comparação anual: o feijão-preto apresentou alta de 54,2% e o carioca, de 86,6% em relação a julho de 2025.
Na safra 2025/26, a área cultivada com feijão em Santa Catarina, considerando a primeira e a segunda safras, diminuiu pouco mais de 32%. A redução da área, somada à queda de 4% na produtividade média, resultou em retração de 35% na produção, o menor resultado da série histórica da Epagri/Cepa, iniciada em 2022. Entre os fatores que contribuíram para a redução estão os riscos climáticos, os custos elevados de fertilizantes e diesel e as cotações pouco atrativas no período de implantação da lavoura.
Trigo tem alta de preço, mas área plantada recua 
Em Santa Catarina, o preço do trigo recebido pelos produtores avançou 2,5% em julho, alcançando R$ 69,15/sc de 60 kg. Apesar da alta no mês, o valor permanece 8,1% abaixo do registrado em julho de 2025. A semeadura da safra 2026/27 chegou a cerca de 95% da área prevista até a última semana do mês. As lavouras apresentam, de modo geral, boas condições, com 95% classificadas como boas e 5% em condição regular, além de boa germinação, emergência e início do desenvolvimento vegetativo.
As intenções de plantio para a safra 2026/27 confirmam a redução da área dedicada ao cereal no estado. A estimativa passou de 104,5 mil hectares na safra anterior para 67,2 mil hectares, retração de aproximadamente 36%. A produtividade média também deve recuar 2,3%, levando a uma projeção de produção de cerca de 240 mil toneladas, volume 37% menor que o registrado na temporada passada.
Plantio do milho 2026/27 começa com avanço cauteloso 
O preço médio do milho pago aos produtores catarinenses foi de R$ 58,92 por saca em junho, alta de 0,6% frente ao mês anterior. O mercado segue equilibrando a maior oferta com a forte demanda da indústria de etanol, da alimentação animal e das exportações, o que sustenta as cotações mesmo diante da expectativa de safra recorde no Brasil.
Em Santa Catarina, o plantio da safra 2026/27 começou pontualmente no Litoral Sul e em áreas do Oeste, mas avança de forma cautelosa devido ao excesso de umidade nos solos. A expectativa é de aceleração dos trabalhos na primeira quinzena de setembro. As primeiras lavouras apresentam boas condições fitossanitárias, segundo o monitoramento da Epagri/Cepa.
Soja alcança maior preço do ano impulsionada pelo mercado externo 
O preço médio da soja pago aos produtores catarinenses chegou a R$ 123,21 por saca em julho de 2026, maior valor do ano. A recuperação foi sustentada pela forte demanda chinesa, pelo clima adverso nos Estados Unidos e pela instabilidade geopolítica. No mercado brasileiro, a retenção de estoques pelos produtores manteve as cotações próximas de R$ 150 por saca nos portos, enquanto os receios com o El Niño estimularam compras preventivas no mercado global.
Em Santa Catarina, a produção de soja encerrou a safra 2025/26 em 3,09 milhões de toneladas, queda de 5,7% em relação ao ciclo anterior. Após uma década de expansão, a área plantada ficou próxima de 830 mil hectares, enquanto a produtividade recuou 5,8%, para 3.718 kg/ha. A redução foi provocada principalmente pelas adversidades climáticas registradas ao longo do cultivo.
Maçã tem queda nos preços em julho e aumento nas exportações 
Na Ceasa/SC, o preço médio das maçãs recuou 4,6% entre junho e julho de 2026. Na comparação com julho de 2025, a desvalorização foi de 37,7%. A maçã Gala teve alta de 2,8% no mês, enquanto a Fuji caiu 13,0%.
Com maior produção na safra atual os estoques estão altos o que pressiona a desvalorização dos preços. A estratégia é selecionar frutas para armazenamento e escoar outra parte da produção e equilibrar a oferta com a demanda no segundo semestre. Para o mês de agosto, com equilíbrio na oferta, estima-se a manutenção dos preços médios das maçãs.
Para a safra 2026/27, a perspectiva é de bom desenvolvimento das macieiras, com o acumulado de horas de frio acima da média histórica nas regiões produtoras. Por outro lado, a expectativa do setor está nos possíveis efeitos do fenômeno El Niño na primavera, com possibilidade de aumentar os níveis de precipitação e umidade na Região Sul, o que acarretaria maior incidência de problemas fitossanitários e maiores custos de controle.
No mercado externo, as exportações brasileiras de maçã fresca somaram 46,9 mil toneladas entre janeiro e julho, alta de 245% em relação ao mesmo período de 2025. Santa Catarina respondeu por 9,6 mil toneladas, 20,5% do volume nacional, com crescimento de 138% no ano. A safra 2025/26 também apresenta recuperação: a produção estimada nas principais regiões produtoras do estado é 41,1% maior que a da temporada anterior. Os Campos de Lages concentram 84,4% da produção, seguidos por Joaçaba (10,3%) e Curitibanos (5,3%).
Alho tem leve alta no atacado e queda na área cultivada 
No atacado, o preço do alho apresentou leve alta em julho, passando de R$ 13,66 para R$ 14,10 por quilo. Apesar do avanço mensal, a cotação ficou 44% abaixo da registrada no mesmo mês de 2025, quando o produto era comercializado a R$ 25,32/kg. No campo, o plantio das lavouras avançou ao longo de julho e foi concluído no início de agosto, com atualização das estimativas para a safra.
A área cultivada foi revisada para 623 hectares, redução de 124 hectares, ou cerca de 17%, em relação à safra anterior. Com a menor área, a produção estimada caiu 20%, para 7.043 toneladas, enquanto a produtividade média recuou 4%, indicando redução de 527 kg/ha. No comércio exterior, Santa Catarina importou cerca de 13,2 mil toneladas de alho em julho, volume 4% inferior ao de junho. As compras externas movimentaram aproximadamente US$ 17,2 milhões, queda de 7% no mês.
Preço da cebola sobe e área plantada diminui 
No atacado, o preço da cebola subiu 23% em julho, alcançando R$ 5,25 por quilo. Na comparação com julho de 2025, a alta foi de 76%, quando o produto era comercializado a R$ 2,97/kg. No campo, o plantio da safra 2026/27 avançou e atingiu cerca de 81% da área prevista até o período analisado.
As estimativas indicam redução de 15% na área cultivada em relação à safra anterior, para aproximadamente 16.322 hectares. A produção projetada é de 498.060 toneladas, queda de 21%, enquanto a produtividade média recuou 7%, para 30.515 kg/ha. A retração está relacionada aos preços abaixo do custo de produção no início da safra passada e às preocupações com os possíveis efeitos de um El Niño sobre o manejo e a qualidade dos bulbos. Nas importações, o volume caiu 75% em relação a junho, para cerca de 28,6 mil toneladas, mas ficou 282% acima do registrado em julho de 2025.
Preço do boi gordo sobe na primeira quinzena de agosto
Após três meses de queda, os preços do boi gordo reagiram na primeira quinzena de agosto e avançaram na maioria dos principais estados produtores. O movimento ocorreu mesmo com a retração das exportações brasileiras de carne bovina em julho, que caíram 17,1% em volume ante junho e 16,8% na comparação com julho de 2025. A redução está relacionada, principalmente, ao esgotamento da cota de importação estabelecida pela China para a carne bovina brasileira no âmbito das salvaguardas comerciais.
Em Santa Catarina, a cotação do boi gordo subiu 1,2% na primeira quinzena de agosto em relação ao mês anterior, com altas na maioria das regiões. A valorização decorre principalmente da menor disponibilidade de animais prontos para o abate. No primeiro semestre de 2026, foram abatidas 363,5 mil cabeças no estado, redução de 9,6% em relação ao segundo semestre de 2025.
Exportações de frango têm melhor mês do ano em julho 
As exportações catarinenses de carne de frango somaram 114,5 mil toneladas em julho, alta de 10,9% em relação a junho e de 20,5% na comparação com julho de 2025. As receitas alcançaram US$ 246,5 milhões, crescimento de 11,9% no mês e de 28,1% ante o mesmo período do ano passado. Com esse desempenho, julho foi o melhor mês de 2026 para os embarques catarinenses do produto.
De janeiro a julho, Santa Catarina exportou 760,7 mil toneladas de carne de frango, com faturamento de US$ 1,62 bilhão. Na comparação com os primeiros sete meses de 2025, os resultados representam altas de 14,0% em volume e 18,6% em receitas. O estado alcançou, no período, o maior faturamento da série histórica, iniciada em 1997, e o segundo maior volume já registrado. No cenário nacional, respondeu por 24,7% das receitas e 22,6% do volume exportado pelo Brasil.
Carne suína bate recorde de volume exportado 
Santa Catarina exportou 64,5 mil toneladas de carne suína em julho, volume praticamente estável em relação a junho, com retração de 0,1%, e alta de 0,5% na comparação com julho de 2025. As receitas somaram US$ 159,8 milhões, queda de 2,3% no mês e de 1,9% ante o mesmo período do ano passado. Apesar da redução no faturamento, o volume embarcado foi o maior já registrado para um mês de julho na série histórica.
De janeiro a julho, as exportações catarinenses totalizaram 437,4 mil toneladas, com receitas de US$ 1,09 bilhão. Na comparação com os primeiros sete meses de 2025, houve crescimento de 0,9% no volume e de 2,6% no faturamento, garantindo o melhor resultado histórico para o período nos dois indicadores. Santa Catarina respondeu por 48,5% do volume e 51,3% das receitas das exportações brasileiras de carne suína no acumulado do ano.
Leite mantém valorização ao produtor e melhora poder de compra
O preço médio do leite pago ao produtor em Santa Catarina alcançou R$ 2,75 por litro nos primeiros dias de agosto, alta de 1,5% em relação a julho e de 6,2% na comparação anual. Entre as regiões, os maiores avanços mensais em julho ocorreram no Meio-Oeste (+7%, para R$ 2,63/litro) e no Litoral Sul (+6%, para R$ 2,81/litro). No atacado, o leite UHT permaneceu estável em R$ 4,76/litro, enquanto a manteiga industrial e o leite em pó recuaram 13,9% e 4,1%, respectivamente. Entre os queijos, a mussarela caiu para R$ 33,50/kg e o queijo prato subiu para R$ 36,80/kg.
Dado ao aumento do preços do leite pago ao produtor, os indicadores de relação de troca permanecem favoráveis ao produtor no longo prazo. Em abril de 2026, foram necessários 29,42 litros de leite para adquirir uma saca de 60 kg de milho, melhora de 51,3% no poder de compra em relação a abril de 2021. Para o farelo de soja e a ração para vacas em lactação, as relações também apresentaram melhora no período.
Em julho, a balança comercial de lácteos de Santa Catarina apresentou déficit de aproximadamente 672,6 toneladas, resultado de importações de 708 toneladas, avaliadas em US$ 3,7 milhões, diante de exportações de 35,4 toneladas, que somaram US$ 70 mil.