A intensificação das tensões internacionais em março de 2026 acendeu um alerta no agronegócio de Santa Catarina. O fechamento de rotas marítimas estratégicas no Estreito de Ormuz, somado à manutenção de sanções no Leste Europeu, já provoca impactos diretos sobre custos, logística e previsibilidade no fornecimento de insumos ao Estado.
O mercado da banana em Santa Catarina enfrentou um período de desvalorização nos meses de maio e junho de 2025. A banana-caturra teve queda de 25,3% nos preços pagos ao produtor, reflexo do aumento na oferta. A banana-prata também registrou recuo de 16,4%, influenciada pela concorrência com outras frutas da estação e pela redução na demanda.
O preço do boi gordo em Santa Catarina apresentou uma leve queda de 0,3% na média das três primeiras semanas de junho em comparação ao mês anterior. Conforme dados preliminares divulgados pela Epagri/Cepa, na comparação com o mesmo período de 2024, a valorização foi de 26,5% considerando a inflação do período.
A leve retração verificada em junho é reflexo do movimento nacional observado desde maio, quando uma maior oferta de bovinos para abate pressionou as cotações para baixo. Essa oferta elevada foi impulsionada principalmente pela entrada do inverno, que aumenta os custos de manutenção dos rebanhos e reduz a qualidade das pastagens, especialmente em estados do Centro-Oeste, como Mato Grosso e Goiás.
Com a chegada do inverno e menos oferta de animais, preços da carne bovina tendem a subir (Foto: Cidasc)
Com o encerramento gradual desse processo, o mercado volta a mostrar sinais de recuperação. De acordo com a análise dos preços diários, em algumas praças catarinenses o movimento de alta já é perceptível. Em outros estados, a reversão já é mais clara: o boi gordo subiu 1,8% no Rio Grande do Sul, 1,1% no Mato Grosso do Sul e 0,9% em Minas Gerais e Mato Grosso. Santa Catarina, Goiás e São Paulo ainda registraram quedas leves, mas a tendência é de alta também nesses estados nas próximas semanas.
“A redução da oferta de bovinos prontos para abate durante o outono e inverno é um fenômeno recorrente. Com menos animais disponíveis no mercado, os frigoríficos precisam melhorar suas ofertas para garantir escala, o que pressiona os preços para cima”, explica o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl.
Exportações em SC têm queda em maio
No mercado externo, o Brasil exportou 247,7 mil toneladas de carne bovina em maio, 8,8% a menos que em abril, mas 3,5% acima do volume embarcado em maio de 2024. A receita somou US$1,25 bilhão, queda de 6,1% em relação ao mês anterior, porém com avanço de 18,1% na comparação anual.
Quantidade de carne bovina exportada em Santa Catarina (Fonte: Comex Stat / MDIC)
Santa Catarina, por outro lado, exportou apenas 143,3 toneladas no mês, com faturamento de US$ 602,2 mil, representando quedas significativas de 37% e 35,1%, respectivamente, em relação a maio de 2024. Ainda assim, no acumulado dos cinco primeiros meses do ano, o estado totaliza 846,9 toneladas exportadas, com receitas de US$ 3,56 milhões, avanços de 14,1% em volume e 29,9% em valor frente ao mesmo período do ano passado.
Mercado interno catarinense também reage com alta de preços da carne
Em Santa Catarina, os preços de atacado da carne bovina interromperam o movimento de queda registrado nos dois meses anteriores. Nas três primeiras semanas de junho, a carne de dianteiro subiu 1,7% e a de traseiro, 1,2%, resultando em uma média de 1,5% de aumento nos preços praticados.
No vídeo abaixo, o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl, explica os fatores que impulsionam a valorização da arroba do boi gordo em SC, mesmo com a leve retração de junho.
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola – Epagri/Cepa, apresentou no final do mês de abril a 45ª Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina 2024 e o destaque nas exportações foi a pecuária catarinense. No ano passado, as exportações do agro foram de US$7,57 bilhões, valor praticamente idêntico ao de 2023 (US$7,58 bilhões), respondendo por 64,9% dos US$11,66 bilhões das exportações catarinenses e 4,6% dos US$164,37 bilhões exportados pelo agro brasileiro.
No acumulado do primeiro bimestre, Santa Catarina exportou 303,5 mil toneladas de carnes (frangos, suínos, perus, patos e marrecos, bovinos, entre outras), alta de 9,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já as receitas geradas com a exportação catarinense de carnes, no acumulado dos dois primeiros meses do ano, foram de US$ 597,6 milhões, queda de 4,7% na comparação com o primeiro bimestre de 2023. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), analisados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) e disponíveis no Observatório Agro Catarinense.Continue reading “Exportações catarinenses de carne crescem no primeiro bimestre de 2024”
Na safra 2022/2023, os bananicultores catarinenses colheram cerca de 703,3 mil toneladas de banana em uma área de 27,7 mil hectares. Conforme dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), o preço médio recebido pelos produtores ficou em R$1,58 por quilo da fruta. Com isso, o Valor Bruto da Produção (VBP) de bananas chegou a R$1,1 bilhão. Esse valor é mais de 30% superior ao registrado na safra anterior. Dados detalhados sobre o volume produzido, a produtividade e os preços pagos aos produtores podem ser consultados aqui no site do Observatório Agro Catarinense, nas áreas temáticas de Produção Agropecuária e Mercado Agropecuário. Continue reading “Faturamento com produção catarinense de banana cresceu mais de 30% na última safra”
Depois de oito meses com importações de leite superiores a 2022, no mês de setembro Santa Catarina registrou, pela primeira vez no ano, quantidade importada menor do que no mesmo mês do ano passado. Mas será que essa é uma tendência para o setor? Continue reading “Quais as perspectivas para a pecuária leiteira catarinense?”