Exportações de carnes de Santa Catarina entram no radar diante de novas exigências europeias
A União Europeia (UE) suspendeu, a partir desta quinta-feira (3), a autorização para o Brasil exportar ao bloco bovinos, equídeos, aves de capoeira, produtos da aquicultura, mel e tripas. A medida está relacionada ao cumprimento das exigências europeias para o uso de medicamentos antimicrobianos e reflete o endurecimento das regras sanitárias, de rastreabilidade e sustentabilidade. Diante desse cenário, a Epagri/Cepa elaborou uma análise de conjuntura sobre os possíveis impactos da medida, que será publicada juntamente com a próxima edição do Boletim Agropecuário.
Para Santa Catarina, o principal impacto está na carne de frango. Em 2025, o Estado exportou mais de US$ 337 milhões do produto para a UE, o equivalente a 98,92% das exportações catarinenses de produtos de origem animal para o bloco. Entre janeiro e julho de 2026, foram US$ 280,5 milhões, correspondentes a 97,62% das exportações do segmento para o mercado europeu.

Segundo Roberth Andres Villazon Montalvan, analista da Epagri/Cepa, a decisão europeia tem entre seus antecedentes uma auditoria realizada em 2025, que identificou falhas nos sistemas brasileiros de controle e rastreabilidade da carne bovina. Ele também destaca o endurecimento das exigências sobre o uso de antimicrobianos e a necessidade de informações mais detalhadas sobre a origem dos produtos, incluindo dados de geolocalização.
Para o analista, essas mudanças reforçam a importância de aprimorar os mecanismos de controle e rastreabilidade das cadeias produtivas. “A adoção de sistemas digitais de rastreabilidade tende a ganhar importância para comprovar a conformidade das cadeias produtivas”, afirma Villazon Montalvan.
Regionalização pode ser alternativa
A regulamentação europeia prevê a possibilidade de reconhecimento de regiões de países terceiros que não fazem parte da UE. Essa previsão abre uma oportunidade para Santa Catarina buscar uma diferenciação em relação ao restante do território brasileiro. A estratégia dependeria da comprovação, por meio de documentação e auditorias, de que o Estado atende às exigências sanitárias e de rastreabilidade da União Europeia.
Em 2025, Santa Catarina exportou US$ 2,55 bilhões em produtos de origem animal, dos quais US$ 341,1 milhões tiveram como destino a UE. Entre janeiro e julho de 2026, as vendas catarinenses de produtos de origem animal ao bloco somaram US$ 287,3 milhões.

Villazon Montalvan explica que a restrição deve permanecer até que o Brasil, ou eventualmente uma de suas regiões, apresente novas garantias e comprove o cumprimento das exigências europeias. “O cenário reforça a necessidade de ampliar a rastreabilidade e a transparência das cadeias agroindustriais para preservar e ampliar o acesso a mercados internacionais”, explica o analista da Epagri/Cepa.