A Epagri/Cepa está realizando a coleta anual de informações para atualizar os preços de terras agrícolas em Santa Catarina. O levantamento ocorre entre meados de outubro e o final de janeiro de 2027 e depende da colaboração de profissionais e entidades que conhecem o mercado de terras e a realidade da produção agropecuária nos municípios catarinenses.
Durante o mês de outubro, o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa) passou a ser gerenciado pela economista Glaucia de Almeida Padrão, que atuou como analista por mais de uma década. Nesse período, dedicou-se, principalmente, às análises da cadeia produtiva do arroz e participou da criação do Observatório Agro Catarinense.
Economista Glaucia de Almeida Padrão assume gerência da Epagri/Cepa (Foto: Cristiele Deckert/Cepa)
Graduada em Ciências Econômicas, Glaucia possui mestrado e doutorado em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Viçosa. Ao ingressar na Epagri, em 2014, assumiu a análise das cadeias produtivas de soja e milho e também atuou na cadeia do arroz, na qual permaneceu até 2026. Ao longo de sua trajetória no Cepa, acumulou experiência em estimativas de safra, análise dos preços de terras agrícolas e elaboração de indicadores de comércio exterior e do Valor da Produção Agropecuária (VPA). Também participou do cálculo do PIB nacional, nas contas regionais, em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2021, integrou a equipe responsável pela criação do Observatório Agro Catarinense e, posteriormente, atuou como uma das coordenadoras do projeto. No primeiro semestre de 2026, trabalhou na Diretoria de Gestão de Pesquisa e Inovação (DGPI), acompanhando as metas de execução física e financeira do programa SC Rural.
Glaucia destaca a importância do trabalho desenvolvido pelo Cepa para o agronegócio catarinense.
“Assumir a gerência da Epagri/Cepa é um novo desafio e uma oportunidade de contribuir para o fortalecimento da pesquisa socioeconômica, valorizando o trabalho da equipe e ampliando a geração de informações estratégicas para a tomada de decisões e desenvolvimento da agropecuária catarinense.”
Segundo Glaucia, a expectativa é dar continuidade ao trabalho de produção e disseminação de informações que contribuam para o planejamento estratégico e a tomada de decisões no meio rural catarinense.
Está disponível no portal da Epagri um boletim técnico com orientações para reduzir riscos e minimizar perdas na agropecuária e na pesca diante de eventos adversos provocados pelo El Niño. A publicação foi produzida por um grupo de 35 extensionistas e traz medidas preventivas específicas para os segmentos de produção de frutas, hortaliças, grãos, mel, peixes, moluscos, macroalgas, carne e leite.
A Epagri/Cepa divulgou, em abril de 2026, o levantamento dos preços de terras agrícolas referentes ao ano de 2025. Realizado de forma contínua desde 1997, o estudo apresenta valores médios por município para seis classes de terra e se consolida como uma das principais referências técnicas para o acompanhamento do mercado fundiário rural em Santa Catarina.
As datas para o vazio sanitário e para semeadura da soja da próxima safra estão definidas na portaria n° 1579, publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Diário Oficial da União em 9 de abril. O cronograma tem datas diferenciadas por estado e em alguns deles, como Santa Catarina, há também regionalização.
Na região II, que compreende a maior parte do território catarinense (incluindo as regiões Oeste, Meio Oeste, Serra, Planalto Norte e Vale do Itajaí), o período do vazio sanitário será de 13 de junho a 21 de setembro. Nas propriedades catarinenses localizadas na região I (em 47 municípios próximos ao litoral sul do estado, como Jacinto Machado, Orleans e Braço do Norte), o período de vazio sanitário será de 4 de julho a 12 de outubro. (veja o mapa). Já os períodos de plantio serão de 22 de setembro a 22 de janeiro (região II) e de 13 de outubro a 10 de fevereiro (região I).
O calendário de vazio sanitário e de plantio é parte fundamental do Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, que em Santa Catarina é executado pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). A praga, causada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, é uma das principais ameaças à sojicultura.
Outros plantios servem como cobertura e protegem o solo durante o vazio sanitário da soja. Foto: Diogo Deoti/Cidasc
O vazio sanitário é uma medida de controle cultural, que exige que todos os produtores eliminem as plantas de soja (em qualquer estágio de desenvolvimento) de seus campos durante um período. Sem plantas hospedeiras, o fungo terá mais dificuldade para se reproduzir. Quando houver o plantio, o produtor necessitará aplicar menos fungicidas para preservar sua lavoura.
“A eliminação da soja que germina dos grãos perdidos na colheita e o plantio de culturas de inverno ou uso de plantas de cobertura, facilitam o manejo do vazio sanitário e protegem o solo durante o inverno, facilitando o manejo de plantas daninhas como um todo e melhorando as condições para a próxima safra de verão”, explica o engenheiro-agrônomo Diogo Antonio Deoti, coordenador do Programa Estadual de Sanidade das Grandes Culturas na Cidasc.
Conforme o Programa Nacional de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, o tripé do controle da ferrugem são o vazio sanitário, o calendário de plantio e o cadastro das lavouras, permitindo assim a ausência do fungo na entressafra, a concentração dos cultivos numa determinada época do ano e o acompanhamento e monitoramento da ocorrência da doença nos cultivos estabelecidos. Desta maneira, há uma menor pressão da doença sobre as plantas. Em caso de dúvidas, procure a Cidasc ou o profissional que presta assistência técnica em sua propriedade.
A Epagri está lançando o alho SCS385 Pérola, um novo cultivar que será disponibilizado aos produtores rurais para a safra de 2027. O Pérola é considerado semi-nobre por apresentar características intermediárias entre as cultivares do grupo comum, com dentes de coloração branca, e do grupo nobre, com coloração roxa. Seu principal diferencial é ser resistente a temperaturas mais altas, podendo ser cultivado em praticamente todas as regiões agrícolas de Santa Catarina.
A Estação Experimental da Epagri em Campos Novos está na fase final de desenvolvimento de um novo cultivar de linho dourado. A linhaça, amplamente utilizada na alimentação humana por quem busca uma dieta saudável e equilibrada, também é empregada na produção de óleos, tintas, vernizes e rações. Sua produção pode representar uma nova fonte de renda para os agricultores catarinenses. O lançamento do cultivar está previsto para dezembro de 2026.
A produtividade da cebola em Santa Catarina cresceu cerca de 300% nos últimos 50 anos, desde a criação da Empasc, empresa pública de pesquisa agropecuária que deu origem à Epagri. O rendimento médio cresceu de 7,2 toneladas por hectare para 28,8 t/ha. O resultado se deve principalmente ao trabalho da Epagri de desenvolvimento de novas tecnologias de produção e de cultivares mais resistentes e atrativos comercialmente.
Ações da Epagri de desenvolvimento de novas tecnologias de produção e de cultivares mais resistentes e atrativos impulsionaram produtividade da cultura da cebola (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Os dados são da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicação elaborada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). A produção de cebola envolve cerca de oito mil famílias de agricultores que têm na cultura uma importante fonte de renda. Do ponto de vista econômico, a cebola é a hortaliça que apresenta o maior valor bruto de produção, movimentando entre R$ 600 a 900 milhões por ano.
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, destaca que a empresa teve um papel preponderante na transformação do cultivo da cebola no Estado, levando Santa Catarina à liderança na produção nacional da hortaliça. Para ele, o desempenho da cebolicultura é fruto de um trabalho que nasce nas estações experimentais, mas ganha força de verdade quando chega às mãos dos agricultores.
“A história do cultivo da cebola no Estado é também a história da confiança do produtor nas soluções que nós da Epagri construímos junto com eles. Nosso compromisso sempre foi oferecer ciência aplicada, tecnologias acessíveis e informação qualificada para que cada família agricultora pudesse produzir com mais segurança, eficiência e renda”, afirma Leite.
Hoje, a cebola integra a seleta lista dos produtos agropecuários catarinenses que são campeões de produção no Brasil. Dados do Observatório Agro Catarinense referente à safra 2024/2025 mostram que Santa Catarina responde por um terço da área plantada (19.295 hectares) e da produção (556.484 toneladas), com destaque para a cidade de Ituporanga, a capital nacional da cebola.
Variedades mais resistentes
Um dos principais marcos da pesquisa da Epagri em benefício da produção de cebola é o desenvolvimento de novos cultivares. Ao longo de sua história, a empresa lançou 10 variedades com o objetivo de ampliar o potencial produtivo, garantir boa conservação pós-colheita e se aproximar das características que agradam o consumidor. O primeiro cultivar, Empasc 351 – Seleção Crioula, foi lançado em 1984 e marcou a redução da dependência de sementes vindas do Rio Grande do Sul.
Desde então, outras variedades foram sendo incorporadas ao portfólio, até chegar à atual campeã de preferência entre produtores e comerciantes: aSCS373 Valessul. Lançada em 2017, ela já responde por mais da metade da área plantada de cebola em Santa Catarina. A Valessul combina as principais vantagens das duas variedades líderes antes de sua chegada — Bola Precoce e Crioula Alto Vale — reunindo maior resistência a pragas e doenças, além de excelente capacidade de armazenamento e transporte.
Desenvolvida pela Epagri, Valessul é a atual campeã de preferência entre produtores, comerciantes e consumidores (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Para o gerente da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga, Gerson Wamser, essas características fazem muita diferença na rotina do produtor e no desempenho da cadeia como um todo. “A maior durabilidade no armazenamento permite ao agricultor comercializar a cebola em períodos de preços mais favoráveis, enquanto a resistência às pragas reduz custos com agrotóxicos. Já a casca vermelho-amarronzada, mais firme e aderente, conquistou o consumidor e contribuiu para o sucesso da Valessul no mercado”, destaca.
Sistemas de produção eficientes
A pesquisa da Epagri também foi protagonista no desenvolvimento de sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis ambientalmente para a cebolicultura, proporcionando melhor custo/benefício para o produtor. Entre eles, o Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), método agrícola que tem como principais pilares o revolvimento da terra limitado à linha da semeadura e a cobertura permanente do solo por meio de palhadas e plantas leguminosas.
A cebolicultura se concentra em áreas suscetíveis à erosão e com solos bastante frágeis. Com as técnicas do SPDH, houve tanto controle da erosão quanto melhoria das condições do solo e redução do uso de produtos agroquímicos. O resultado direto na produção, segundo pesquisas realizadas pela Estação Experimental de Ituporanga, foi um aumento de até 22% no rendimento da cebola.
Técnicas como o Plantio Direto contribuíram para sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis, ampliando a produtividade
Outro método desenvolvido pela Epagri para os produtores de cebola é oSistema de Produção Integrada de Cebola (SISPIC). Conforme explica o pesquisador da Estação Experimental de Urussanga, Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior, trata-se de um conjunto de orientações técnicas que tem o objetivo de produzir alimento seguro e sustentável. Ao mesmo tempo em que contribui para o aprimoramento da gestão da propriedade, ele traz redução de custos e agrega valor ao produto, melhorando a renda e diminuindo perdas e desperdícios.
O sistema ganhou projeção nacional e internacional. Em 2016, o SISPIC foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como um exemplo de desenvolvimento sustentável agrícola e passou a fazer parte da plataforma digital de boas práticas da organização. Em 2022, o Governo Federal o transformou em uma norma técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
Em 2025, a Epagri celebra cinco décadas de dedicação à ciência, tecnologia e inovação a serviço do campo. Ao longo desses 50 anos de pesquisa, a Empresa reuniu diferentes áreas de conhecimento para apoiar agricultores, pescadores e gestores públicos, oferecendo soluções que vão da genética de cultivares a sistemas produtivos mais resilientes. Nesse conjunto de saberes, a pesquisa socioeconômica também ocupa papel central: é ela que observa fenômenos sociais e econômicos, mas também organiza e interpreta números para transformá-los em decisões estratégicas que fortalecem o meio rural e o agro catarinense.
A Serra Catarinense estará ainda mais bonita e cheirosa em breve. Afinal, novos jardins começam a colorir os campos da região. São flores que, mais do que aroma e beleza, podem fazer brotar dinheiro.