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Caracterização e dinâmica do abate de frangos em Santa Catarina

A avicultura é uma das principais atividades agropecuárias de Santa Catarina, responsável por 19,6% do VBP agropecuário do estado. O modelo de avicultura industrial surgiu na década de 1960, e, inicialmente, incorporou grande contingente de produtores e unidades de abate à cadeia produtiva. Contudo, a partir dos anos 1980 e 1990, observou-se redução no número de frigoríficos e produtores, apesar do crescimento da produção. Contudo, não há estudos recentes que possibilitem analisar os rumos adotados por esse setor atualmente. Este artigo busca analisar a evolução dos abatedouros de frangos no período 2013 a 2020, em especial a concentração dos abates. Verificouse que o número de frigoríficos caiu 27,3% entre 2013 e 2020, sendo a queda assim distribuída: unidades com SIF (-8,7%); unidades com SIM (-23,5%); e unidades com SIE (-46,2%). Os frigoríficos com SIF são responsáveis pela maioria dos abates em Santa Catarina, situação que se manteve praticamente inalterada nos últimos anos:
98,5% das aves abatidas em 2013 e 97,8% em 2020. No que diz respeito ao tamanho, em 2013 as unidades que abatiam mais de 50 milhões de aves por ano eram responsáveis por 53,9% da produção total, participação que passou para 58,9% em 2020. Quando se considera as unidades com mais de 10 milhões de aves abatidas/ano, a participação do segmento foi de 96,4% em 2020. Por outro lado, a participação dos frigoríficos que abatem até 1 milhão de aves caiu de 0,7%, em 2013, para 0,4%, em 2020. O grau de concentração fica mais evidente quando se leva em consideração os abates por empresa proprietária dos frigoríficos. As três maiores foram responsáveis por 87,3% dos abates em 2013 e 94,5% em 2020. Conclui-se que a concentração produtiva, característica que marca a agroindústria avícola catarinense desde a origem, avançou ainda mais no período analisado, principalmente pela ampliação da capacidade de abate dos estabelecimentos de maior porte e fechamento expressivo de pequenas e médias empresas. 

Artigo na integra

Ano: 2021

Autores:
Alexandre Luís Giehl – Epagri/Cepa
Marcia Mondardo – Epagri/Cepa

Relação entre preço do leite e abate de vacas leiteiras em Santa Catarina

A pecuária leiteira é uma das principais atividades produtivas da agropecuária catarinense, com crescente importância socioeconômica. O estado também tem registrado aumento no abate de bovinos, havendo associação entre os dois processos, já que os animais excluídos dos plantéis leiteiros normalmente destinam-se ao abate. O descarte de vacas leiteiras se dá principalmente por aspectos como o declínio produtivo e problemas sanitários, locomotores e reprodutivos. Contudo, são comuns referências à influência das quedas no preço do leite sobre a taxa de descarte, questão ainda pouco estudada. O presente artigo busca analisar a correlação entre essas duas variáveis. Para tanto, utilizou-se o preço médio mensal do litro leite em Santa Catarina no período de 2013 a 2020 e os abates mensais de bovinos, organizados em seis categorias: 1) Total de fêmeas; 2) Fêmeas com aptidão leiteira; 3) Fêmeas com aptidão mista; 4) Fêmeas abatidas para autoconsumo; 5) Total de bovinos (machos+fêmeas); 6) Fêmeas com aptidão leiteira por faixa etária. Os coeficientes de correlação de Pearson foram estimados e as hipóteses de existir correlação diferente de zero foram testadas pela estatística t. Os resultados demonstram que não foi possível estabelecer correlação entre as variações nos preços do leite e o abate da maioria das categorias investigadas (fêmeas com aptidão leiteira; fêmeas com aptidão mista; fêmeas abatidas para autoconsumo). Também não houve correlação em nenhuma das faixas etárias de bovinos leiteiros analisados. Verificou-se a existência de correlação entre o preço do leite e o total de fêmeas (significância de 99%), com r=0,3029 e com o total de bovinos abatidos (machos+fêmeas), com r=0,2789. Diferente do que era esperado, a correlação foi positiva. Os baixos valores de “r” reforçam a perspectiva de que não se trata de uma relação de causalidade, em ambas as situações. Conclui-se não ser possível estabelecer correlação entre os preços do leite e o abate de bovinos leiteiros. 

 Artigo na integra

Ano: 2021

Autores:
Alexandre Luís Giehl – Epagri/Cepa
Tabajara Marcondes – Epagri/Cepa
Marcia Mondardo – Epagri/Cepa

Dinâmica do crédito rural em Santa Catarina: evolução e tendências nas principais cadeias produtivas da pecuária (2013-2024)

Entre 2013 e 2024, o crédito rural em Santa Catarina passou por transformações significativas. O número de contratos caiu 32,4%, de 214,7 mil para 145,1 mil, enquanto o valor financiado aumentou 130,4%, atingindo R$ 20,89 bilhões em 2024. Esse crescimento reflete uma concentração de recursos em contratos de maior valor, especialmente na agricultura, cujo valor médio dos contratos subiu 421,6%, contra 91,3% na pecuária. A pecuária manteve relevância, representando 49,5% do valor financiado em 2024, próximo aos 50,8% de 2013, com a bovinocultura liderando (52,9% do valor em 2024), seguida pela avicultura (13,9%) e
suinocultura (12,7%). O sistema de integração predominante na avicultura e suinocultura reduziu a dependência do crédito rural, já que as agroindústrias assumem grande parte dos custos. Na avicultura, 79,1% dos recursos foram para custeio, enquanto na suinocultura, 72,9% destinaram-se ao custeio, com participação crescente da industrialização (50,2% em 2024). Já a bovinocultura, menos integrada, demandou mais crédito para custeio e investimentos, especialmente na cadeia do leite. A análise também revelou limitações nos dados, que dificultam a distinção entre atividades específicas, como bovinocultura de corte e leite, ou avicultura de corte e postura. Recomenda-se a realização de novas análises, utilizando fontes complementares de dados, de forma a tornar as conclusões mais precisas.  

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Autor
Alexandre Luís Giehl – EPAGRI/CEPA – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

Proporção de bezerros machos e fêmeas nascidos em Santa Catarina: dimensionamento e efeitos de práticas de manejo da pecuária leiteira sobre os resultados

A pecuária leiteira é a quarta principal atividade agropecuária desenvolvida em Santa Catarina, com um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 6,15 bilhões em 2021, o que representa 11% do VBP total do estado. Além de sua relevância econômica, a produção
leiteira também possui grande importância social, abrangendo cerca de 25 mil famílias em Santa Catarina, contabilizando-se apenas aquelas que comercializam sua produção com agroindústrias inspecionadas. Contudo, um dos efeitos adversos da crescente produção de leite é o sacrifício de bezerros machos de raças com aptidão leiteira, que se constituem num “subproduto” indesejado desse sistema. A acelerada especialização e tecnificação da atividade acentua ainda mais esse problema. De acordo com os produtores, a criação dos machos resulta em prejuízos e, diante da carência de alternativas viáveis, o sacrifício de animais recém-nascidos torna-se uma prática recorrente no setor. O presente trabalho procura dimensionar o impacto dessa medida sobre a proporção de machos e fêmeas de bovinos nascidos em Santa Catarina. Para isso, utilizou-se como fonte principal de dados os registros de nascimentos no âmbito do Sistema de Gestão da Defesa Agropecuária Catarinense (Sigen). Verificou-se que, do total de nascimentos registrados no Sigen entre 2013 e 2021, 45,2% eram machos e 54,8% fêmeas  Em parte, essa diferença é explicada pelo uso de sêmen sexado, embora essa prática seja pouco expressiva na pecuária catarinense, respondendo por 10% das inseminações e aproximadamente 2% do total de fêmeas nascidas. Estima-se que a diferença de aproximadamente 80 mil cabeças entre fêmeas e machos registrados anualmente deva-se, essencialmente, ao sacrifício de bezerros de raças com aptidão leiteira logo após o nascimento. As análises estatísticas demonstraram a existência de forte correlação entre os índices mais elevados de registro de fêmeas e as variáveis relacionadas à importância da pecuária leiteira nas microrregiões catarinenses, quais sejam: número de estabelecimentos agropecuários que produzem leite; número de estabelecimentos agropecuários que vendem leite; número de vacas ordenhadas; produção anual de leite. Não obstante tais resultados, reconhece-se a possibilidade de que outros fatores afetem essa diferenciação, sendo recomendados estudos adicionais com tal abordagem. Por fim, aponta-se a necessidade de busca de soluções viáveis do ponto de vista ético, social e econômico, de forma a evitar impactos negativos sobre uma das mais importantes atividades desenvolvidas pela agricultura familiar catarinense e que possui grande relevância econômica no cenário rural do estado. 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl; EPAGRI; alexandregiehl@epagri.sc.gov.br
Tabajara Marcondes; EPAGRI; tabajara@epagri.sc.gov.br
Marcia Mondardo; EPAGRI; mmondardo@epagri.sc.gov.br

Status sanitário da pecuária de Santa Catarina e seu efeito sobre as exportações de carne suína

A suinocultura é a principal atividade agropecuária de Santa Catarina, respondendo por 23,1% do Valor Bruto da Produção do estado. Essa importância foi alcançada, entre outras coisas, pela forte inserção internacional da cadeia de produção de suínos de Santa Catarina, que responde por mais de metade das exportações brasileiras de carne suína. Esse destaque costuma ser atribuído principalmente ao seu status sanitário diferenciado, já em 2007 a Organização Mundial de Saúde Animal reconheceu o estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Em 2015 o estado também foi reconhecido como zona libre de peste suína clássica. Diante desse cenário, o presente artigo tinha por objetivo analisar alguns aspectos das exportações e buscar identificar efeitos diretos do status sanitário do estado sobre as exportações desse produto. Inicialmente se avaliou os volumes e as receitas anuais das exportações de carne suína de Santa Catarina e do Brasil no período de 1997 a 2021, com especial atenção aos
anos posteriores a 2007 e 2015. Não foi possível apontar alterações significativas nos volumes exportados pelo estado nos anos posteriores ao reconhecimento pela OIE, como era esperado por parcela do setor produtivo. Posteriormente, se identificou os três principais produtos de carne suína exportados pelos Brasil, utilizando-se a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Os três principais produtos exportados pelo país são o NCM 2032900 (Outras carnes de suíno congeladas), o NCM 02064900 (miudezas suínas comestíveis) e o NCM 02032200 (pernas, pás e pedaços não desossados de suínos). Pra os três produtos, comparou-se o preço médio de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Brasil, no período de 1997 a 2021. Conclui-se que não foi possível
identificar influência direta do status sanitário diferenciado de Santa Catarina sobre o volume de exportações de carne suína do estado ou sobre o preço médio dos principais cortes de carnes suína destinados ao mercado externo. Contudo, são necessários estudos mais aprofundados e envolvendo um maior número de fatores para que se possa realizar afirmações mais conclusivas. 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl – EPAGRI – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

Participação de fêmeas no total de bovinos abatidos no Brasil e em Santa Catarina (2013/2021)

Este trabalho analisou a participação de fêmeas no abate de bovinos no Brasil e Santa Catarina entre 2013 e 2021, buscando identificar eventuais variações e sua relação com os preços do boi gordo no mesmo período. Para tanto, utilizou-se dados do IBGE e Cepea, para análise nacional, e da Cidasc e Epagri/Cepa para avaliações com foco em Santa Catarina. Segundo apontam os dados, o abate de fêmeas no Brasil apresentou queda em momentos de alta nos preços do boi gordo. Santa Catarina, por sua vez, apresentou comportamento diferenciado, com elevação na participação de fêmeas no total abatido entre 2018 e 2021, período caracterizado por altas expressivas nos preços. Recomendam-se estudos adicionais para compreender os fatores associados a esse comportamento distinto do esperado em Santa Catarina 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl – EPAGRI – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br
Ingrilore Flores Mund1 –  UFSC – ingrilorefm@gmail.com

Participação dos produtores de leite na produção de carne bovina em Santa Catarina

Além do leite, a pecuária leiteira contribui com a produção de carne, podendo ter papel relevante em algumas regiões. O presente estudo teve por objetivo dimensionar a contribuição dos produtores de leite no total de bovinos abatidos em Santa Catarina. Para
tanto, utilizou-se o cadastro de produtores comerciais de leite e os dados de abate de bovinos em 2021 da Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de SC (Cidasc). Verificou-se que os produtores de leite constituem 27,1% daqueles que destinaram animais para abate em 2021, sendo responsáveis por 10,3% dos animais abatidos. Na mesorregião Oeste Catarinense, que concentra a produção leiteira do estado, esse índice foi de 16,4%. Dos animais destinados ao abate pelos produtores de leite, 70,8% eram fêmeas e 55,5% eram fêmeas com idade superior a 36 meses, características condizentes com o perfil predominante  na atividade leiteira. Não obstante a necessidade de estudos adicionais, conclui-se que a pecuária leiteira teve participação relevante na produção estadual de carne bovina em 2021. 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br
Tabajara Marcondes –  tabajara@epagri.sc.gov.br
Marcia Mondardo –  mmondardo@epagri.sc.gov.br

Recursos e capacidades de trabalho associados à renda de estabelecimentos agropecuários de produtores de tabaco do Sul do Brasil

O  artigo  tem  como  objetivo  compreender como os agricultores avaliam o trabalho em estabelecimentos agropecuários produtores de tabaco no Sul do Brasil, a partir da associação dos recursos e das capacidades de trabalho percebidas à renda  dos anos agrícolas 2014/15 a 2017/18. É um estudo com agricultores, de abordagem de método misto, mediante aplicação de questionário, da técnica de grupo focal e de acesso a relatórios contábeis. A interpretação do material coletado seguiu os ensinamentos da estatística  descritiva,  da  análise  de correlação  e  de  análise  de  conteúdo,  tendo  por  referência  a  Visão  Baseada  em  Recursos (VBR). Os resultados revelam associação positiva entre a renda e os recursos tecnológicos (máquinas, equipamentos e construções), bem como à área do estabelecimento agropecuário (agrícola explorada e total). Em contrapartida, os resultados não apontam associação à renda da  disponibilidade  de  trabalho  familiar  e  contratado  e dos  recursos  humanos  (idade  do agricultor e grau de instrução).  

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Ano: 2019

Autor (es):
Luis Augusto Araújo
Marcelo Alexandre de Sá
Marcia Mondardo

Análise de indicadores da dinâmica da estrutura produtiva e econômica na fruticultura catarinense (2002-2019)

Na análise da dinâmica produtiva e econômica da fruticultura catarinense é importante observar a evolução das culturas nas microrregiões estaduais com maior concentração e especialização como a bananicultura e a cultura da maçã que apresentam grande representação nacional. E ainda culturas mais recentes com grande ampliação de área e produção como a do maracujá. A pesquisa de indicadores regionais de concentração, especialização e participação setorial da fruticultura é relevante para aprimorar outros estudos sobre a dinâmica das cadeias produtivas da agricultura no estado catarinense e gerar informações para melhoria na coordenação e no planejamento agrícola setorial e público.

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Autores
Rogério Goulart Junior, Dr. (Epagri/Cepa)
Luiz Henrique de Sousa (SAR e Udesc)

Evolução do abate de suínos em Santa Catarina (2013/2018): Entre a consolidação e concentração agroindustrial

A suinocultura é uma das principais atividades agropecuárias de Santa Catarina. Contudo, nas últimas décadas percebe-se uma retração na sua abrangência social, tanto no setor primário quanto no segmento industrial. Este artigo busca analisar a concentração e evolução do setor de abate de suínos em Santa Catarina entre os anos de 2013 e 2018. Verificou-se que o número de frigoríficos caiu 23,9%, com maior variação os que possuem inspeção municipal (-43,3%). Os frigoríficos com SIF foram responsáveis por 88,5% dos suínos abatidos em 2018, e os com SIE e SIM representaram 11,2% e 0,4%, respectivamente. Os frigoríficos que abateram mais de 1 milhão de animais por ano responderam por 13,0% dos abates em 2013 e 34,8% em 2018, enquanto os com menos de 10 mil suínos passou de 3,3% para 1,2%. Em 2018, os quatro maiores grupos empresariais ou cooperativas responderam por 78,7% dos animais abatidos.  

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Ano: 2018

Autor (es):
Alexandre Luís Giehl
Marcia Mondardo

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Observatório Agro Catarinense
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