A adoção do tutoramento vertical do pepino no Vale do Itajaí deu tão certo que o plantio rasteiro se tornou quase uma relíquia do passado, pois produzir no chão, rente ao solo, deixa o fruto mais suscetível às doenças provocadas pelo excesso de umidade. Isso sem falar na melhoria da qualidade de vida de quem produz, já que a posição vertical facilita a colheita dos frutos e promove uma maior rentabilidade, pois as plantas recebem mais radiação solar e ventilação, crescendo mais saudáveis, de forma mais vigorosa e com elevada produtividade, atendendo aos rígidos padrões da indústria.
O Alho Roxo do Planalto Catarinense acaba de conquistar aIndicação Geográfica (IG) na espécie Denominação de Origem (DO). O registro foi concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) e reconhece a qualidade, a tradição e a origem de mais um produto da agricultura catarinense. A conquista é resultado de um trabalho coletivo que teve a Epagri como protagonista ao longo de todo o processo, em parceria com Cidasc, Secretaria de Estado da Agricultura, Sebrae, UFSC e Cooperativa Regional Agropecuária do Meio Oeste Catarinense (Copar).
A certificação reconhece que as características do alho produzido na região estão diretamente ligadas às condições naturais e ao saber-fazer das famílias agricultoras do Planalto Catarinense. O clima, a altitude, o solo e as práticas tradicionais de cultivo conferem ao produto atributos únicos, como a película roxa dos dentes, o aroma, a qualidade dos bulbos e características bioquímicas que distinguem o alho catarinense dos demais.
Atuação da Epagri
A atuação da Epagri foi fundamental para a obtenção do reconhecimento. Desde 2021, pesquisadores e extensionistas da empresa coordenaram estudos, realizaram a caracterização ambiental da área, produziram informações técnicas e mobilizaram produtores e instituições parceiras. O trabalho envolveu profissionais de diferentes unidades da Epagri e contou com a participação de agricultores, cooperativas, universidades e órgãos públicos.
O Planalto Catarinense reúne 482 produtores familiares que cultivam 1.314 hectares de alho roxo (Foto: Aires Mariga/Epagri)
“O processo da Indicação Geográfica demonstra como a pesquisa e a extensão rural podem gerar desenvolvimento territorial. A Epagri atuou como articuladora e forneceu a base científica necessária para comprovar a relação entre o território e a qualidade do produto”, destaca o pesquisador Hamilton Justino Vieira, pesquisador do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram/Epagri) e especialista em Indicações Geográficas.
Segundo o pesquisador, além de agregar valor ao produto, a Indicação Geográfica fortalece a identidade regional, amplia oportunidades de mercado e contribui para aumentar a renda dos agricultores. “O selo também ajuda a preservar práticas tradicionais de cultivo e incentiva a permanência das famílias no campo”, diz ele.
Região produtora
O Planalto Catarinense é reconhecido como o berço nacional do alho nobre. A história do produto na região começou no final da década de 1970, com o trabalho pioneiro do agricultor Takashi Chonan, que selecionou a variedade que deu origem aos cultivares atualmente produzidos na região. Até hoje, as variedades derivadas do grupo Chonan são cultivadas pelos agricultores locais e fazem parte da identidade produtiva do território.
Região produtora do alho roxo abrange os municípios de Caçador, Lebon Régis, Frei Rogério, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis e Curitibanos (Foto: Aires Mariga/Epagri)
A área reconhecida pela Indicação Geográfica está entre as principais produtoras de alho do país, abrangendo os municípios de Caçador, Lebon Régis, Frei Rogério, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis e Curitibanos. A região reúne 482 produtores familiares que cultivam 1.314 hectares da hortaliça.
A conquista do alho roxo amplia a contribuição da Epagri para as Indicações Geográficas de Santa Catarina. A Empresa já participou de diversos processos de certificação no Estado, consolidando-se como referência nacional na valorização de produtos ligados ao território e à agricultura familiar. O projeto da IG do Alho Roxo do Planalto Catarinense também foi reconhecido recentemente peloPrêmio Expressão de Ecologia, destacando seu potencial de promover desenvolvimento econômico aliado à conservação ambiental.
O Alho Roxo do Planalto Catarinense é a 12ª Indicação Geográfica de Santa Catarina. As outras 11 IGs são: Uva Goethe; Banana de Corupá; Queijo Artesanal Serrano; Vinhos de Altitude; Mel de Melato da Bracatinga; Maçã Fuji de São Joaquim; Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense; Linguiça Blumenau; Cachaça e Aguardente de Luiz Alves; Banana de Luiz Alves e Frescal de São Joaquim.
Mais informações e entrevistas
Hamilton Justino Vieira, pesquisador da Epagri/Ciram e especialista em Indicações Geográficas. (48) 3665-5173
Informações para a imprensa Isabela Schwengber, assessora de comunicação da Epagri
(48) 3665-5407/99161-6596
No vídeo a seguir, confira o trabalho para a busca da Indicação Geográfica do Alho Roxo do Planalto Catarinense.
Santa Catarina faturou US$ 1,15 bilhão com as exportações de carne de frango entre janeiro e maio de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1997. No mesmo intervalo, o estado embarcou 543,1 mil toneladas do produto, mantendo o desempenho do setor avícola em patamar elevado no mercado internacional, impulsionado pela demanda externa e pela valorização dos preços médios. Os dados constam no Boletim Agropecuário de junho/2026, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa).
No dia 23 de abril estudantes do curso técnico em Agropecuária do Cedup de Água Doce, instituição administrada pela Epagri em parceria com a Secretaria de Estado da Educação (SED), participaram da colheita da lavoura de feijão. Foram cultivadas quatro variedades desenvolvidas pela Epagri/Cepaf; três do grupo preto (SCS208 Cronos, SCS206 Potência e SCS204 Predileto) e uma pertencente ao grupo carioca (SCS207 Querência). A extensionista da Epagri, Marianne de Oliveira, explica que os alunos utilizaram parcelas experimentais, sob os mesmos tratos culturais, o que possibilitou o acompanhamento das diferentes fases de desenvolvimento da planta. A colheita resultou em 10 sacas, destinadas à alimentação escolar.
Inovação agrícola da Epagri cultiva o conhecimento no Cedup de Água Doce (Fotos: Divulgação/Epagri)
Nas atividades, que integraram teoria e prática de forma interdisciplinar, os alunos aplicaram processos tradicionais da agricultura familiar, como o arranquio, o amontoamento e a bateção do feijão. Segundo Marianne “as práticas agrícolas tradicionais permitem que os alunos compreendam técnicas aplicáveis à realidade das propriedades rurais, em especial da agricultura familiar”.
A colheita integra o processo de consolidação dos conhecimentos básicos sobre os principais cultivos agrícolas, fundamentais para a formação dos futuros técnicos agrícolas. O conteúdo teórico foi repassado durante as aulas, onde os jovens trabalharam aspectos como as metodologias de estimativa de produtividade e perdas na colheita. No campo, os estudantes puderam aplicar esses conceitos, fortalecendo a aprendizagem e aproximando ainda mais o ensino da realidade rural.
Primeira colheita de soja marca novo capítulo na história do Cedup de Água Doce
O mês de abril representou também um importante marco para o Cedup de Água Doce com a primeira colheita de soja da instituição. A atividade seguiu a mesma organização teórico-metodológica aplicada no cultivo do feijão, integrando conteúdos conceituais sobre a cultura da soja ao acompanhamento prático das lavouras.
Os alunos do segundo ano estimaram uma produtividade de 73 sacas por hectare. Com a colheita, concluída no dia 28 de abril, o resultado final foi de 71 sacas por hectare, indicador muito próximo do estimado. Essa experiência permitiu que os alunos comparassem os cálculos prévios com os dados reais da lavoura, reforçando a importância da vivência prática como ferramenta de aprendizagem e demonstrando de forma concreta como a teoria se conecta à realidade do campo.
Primeira colheita de soja trouxe aprendizado sobre perdas e produtividade
Outro aspecto abordado foi o impacto econômico das perdas na lavoura. Acompanhados dos professores Júnior Proner e Marcos Roberto Klotz, que ministram a disciplina de Mecanização e Culturas, os estudantes realizaram uma atividade prática onde identificaram 1,89 sacas por hectare de grãos não aproveitados, sendo que em condições ideais, perdas entre 0,5 e 1,0 sacas por hectare são consideradas aceitáveis. Com base nos indicadores e no processo de cultivo e colheita, eles concluíram que as perdas podem ocorrer tanto na fase de pré-colheita, devido a fatores naturais ou acamamento, quanto na operação mecanizada, especialmente relacionados à plataforma de corte e à regulagem da máquina. Esses resultados evidenciam que perdas acima do limite representam impacto econômico direto ao produtor, reforçando a necessidade de ajustes adequados na colheitadeira e do controle da velocidade de operação para evitar danos ao plantio
Marianne relata que os alunos gostaram muito da experiência. Ela observa que “eles demonstraram muito entusiasmo, principalmente por se tratar da primeira colheita de soja realizada aqui na escola. Houve grande participação nas atividades, onde eles aproveitaram para tirar dúvidas”. O Cedup de Água Doce pretende realizar novas atividades práticas ao longo do ano, como a regulagem de semeadoras para culturas de inverno, o plantio de aveia, a determinação do ponto ideal de colheita do milho e a observação e acompanhamento do Azevém SCS316 CR Alto Vale, desenvolvido pela Epagri, para o pastejo dos animais.
A extensionista destaca que a atuação da Epagri nas escolas de ensino agrotécnico é estratégica para qualificar a formação profissional, ao integrar pesquisa, extensão rural e ensino em um mesmo ambiente. Ela salienta que “isso permite que os estudantes tenham acesso à inovação e tecnologias, como os cultivares desenvolvidos pela Epagri que são adaptados à realidade catarinense”. Marianne acredita ainda que essa integração contribui para que as instituições de ensino estejam mais conectadas às demandas do setor agropecuário de Santa Catarina.
Por: Karin Helena Antunes de Moraes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc
Começou mais uma temporada de pinhão em Santa Catarina. Em cumprimento à lei estadual 15.457, de 17 de janeiro de 2011, a colheita foi liberada nesta quarta-feira, dia 1º de abril, com a promessa de aquecer a cozinha e a economia nos meses mais frios do ano.
Levantamento da Epagri estima que, em 2026, devem ser colhidas aproximadamente 3,7 mil toneladas nos 18 municípios da Serra Catarinense, cerca de 32% a menos que em 2025, quando foram totalizadas 5,4 mil toneladas, perfazendo uma movimentação de R$32 milhões. A expectativa, porém, com menos produto no mercado, é que o preço pago ao produtor mantenha-se ou até suba em relação a 2025, quando ficou na média de R$6,44 por quilo.
A rotina da produtora rural Elisiane Soster começa cedo em Belmonte, cidade do Extremo Oeste de Santa Catarina onde ela e a mãe, Salete Pasini Soster, tocam a produção de soja, milho e leite. Trabalho é o que não falta. A propriedade tem, em média, 45 vacas em lactação, além de 70 hectares de lavoura. E ainda há os afazeres com a cria e recria de bezerras para manter o plantel de vacas da fazenda.
Os 70 anos de criação da extensão rural em Santa Catarina foram celebrados na noite desta quinta-feira, 26, em uma sessão especial realizada na Assembleia Legislativa, em Florianópolis. Durante a solenidade foram homenageadas extensionistas da Epagri e entidades que auxiliaram no desenvolvimento da extensão rural no estado. O evento também contou a degustação de produtos da agricultura familiar catarinense, produzidos por famílias atendidas pela extensão da empresa.
A Epagri está lançando o alho SCS385 Pérola, um novo cultivar que será disponibilizado aos produtores rurais para a safra de 2027. O Pérola é considerado semi-nobre por apresentar características intermediárias entre as cultivares do grupo comum, com dentes de coloração branca, e do grupo nobre, com coloração roxa. Seu principal diferencial é ser resistente a temperaturas mais altas, podendo ser cultivado em praticamente todas as regiões agrícolas de Santa Catarina.
A Epagri lançou, nesta quarta-feira (18), um novo cultivar de milho para a agricultura familiar: o SCS157 Prodígio. A variedade de milho de polinização aberta (VPA) é fruto de um longo e minucioso trabalho de melhoramento genético, iniciado em 2012 no Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (Epagri/Cepaf), em Chapecó. Pensado para atender especialmente às necessidades dos agricultores do Sul do Brasil, o material foi testado em municípios com diferentes climas e tipos de solo, como Papanduva, Chapecó, Guatambu, Campos Novos e Ituporanga, garantindo ampla adaptação da cultura. O lançamento aconteceu durante o Itaipu Rural Show, em Pinhalzinho, no Oeste Catarinense.
A Epagri amplia a atuação junto aos catarinenses, além da pesquisa agropecuária, da extensão rural e do ensino agrotécnico. Mais do que uma produção pujante e uma natureza saudável, a instituição busca uma sociedade desenvolvida. E é investindo lá na ponta da linha, dentro das casas das famílias, que este trabalho começa.
Um destes programas é o Mulheres em Ação: Flor-E-Ser, que desde 2019 já capacitou mais de 600 mulheres com habilidades essenciais, como produção, gestão e liderança. Os cursos ocorrem em todo o Estado, e mais uma turma está prestes a se formar.
Nesta quinta-feira, dia 4 de setembro, no Centro de Treinamento da Epagri em São Joaquim (Cetrejo), 27 cidadãs concluirão mais uma edição do projeto na Serra Catarinense. Elas passaram os últimos cinco meses se encontrando em uma programação que contemplou atividades teóricas, práticas e de confraternização.
Cristiane Aparecida Lopes Couto, extensionista social da Epagri em São Joaquim (ao centro), está na coordenação da turma (Fotos: Pablo Gomes / Epagri)
As reuniões tinham, obviamente, conteúdos técnicos. Afinal, todas são de famílias produtoras rurais. Mas, além disso, a Epagri deu destaque a ações para enaltecer a cidadania, o empoderamento e o protagonismo, como seguridade social, autocuidado e saúde da mulher. Viagens também foram realizadas para visitação a agroindústrias, empreendimentos com produção de pães, doces e cafés e projetos ligados ao turismo.
Último encontro antes da formatura é marcado por aprendizado e emoção
Nesta terça-feira, dia 2, as 27 mulheres tiveram o último encontro antes da formatura. Vindas de 12 diferentes municípios da Serra Catarinense, elas se reuniram na Estação Experimental da Epagri em São Joaquim, onde fizeram uma visita guiada pelas pesquisas na área da fruticultura.