A assinatura do Acordo União Europeia–Mercosul, prevista para este sábado, 17 de janeiro, marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois blocos e reacende expectativas no setor produtivo catarinense. O tratado estabelece a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do alinhamento de regras para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Também prevê regras de origem, simplificação dos trâmites aduaneiros, maior transparência e o reconhecimento de certificações, com foco na redução da burocracia e na facilitação do comércio entre os blocos.
Santa Catarina encerrou 2025 com desempenho recorde nas exportações de proteínas animais. No acumulado do ano, o Estado exportou 2 milhões de toneladas de carnes (frangos, suínos, perus, patos, marrecos, bovinos e outras) com receitas de US$ 4,50 bilhões, registrando crescimento de 2,8% em volume e de 8,4% em valor em relação a 2024. Os resultados são os melhores da série histórica iniciada em 1997, e consolidam o protagonismo catarinense no comércio internacional do setor.
Foto: Divulgação/SAPE
Os números são divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e sistematizados pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). Em 2025, SC foi responsável por 19,5% do volume de carnes exportadas pelo Brasil, sendo o segundo principal Estado exportador de carne do país.
“Temos uma produção de excelência, por isso todo mundo quer comprar do nosso Estado. Esse é o resultado do trabalho duro do nosso produtor, de toda a cadeia produtiva e do trabalho sério do Governo do Estado para manter a sanidade dos rebanhos e abrir novos mercados”, destaca o governador Jorginho Mello.
Somente em dezembro, os embarques catarinenses totalizaram 193 mil toneladas, com receita de US$ 428,6 milhões. Na comparação com novembro de 2025, o crescimento foi de 23,5% em volume e de 21,6% em valor. Frente a dezembro de 2024, as altas chegaram a 14,1% em quantidade e 17% em receita.
Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Carlos Chiodini, os números reforçam a força e a competitividade do agro catarinense. “Graças ao nosso status sanitário reconhecido internacionalmente, exportamos proteína animal para mais de 150 países. Superamos desafios e alcançamos resultados históricos em 2025. Isso é fruto do trabalho incansável dos produtores, das agroindústrias e do apoio permanente do Governo do Estado, com a liderança do governador Jorginho Mello, para fortalecer toda cadeia produtiva e ampliar a presença internacional dos nossos produtos”, destaca Chiodini. A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária, junto com as empresas vinculadas Cidasc e Epagri tem atuado para manter a sanidade e dar apoio por meio das políticas públicas.
Carne de frango
No acumulado de 2025, Santa Catarina exportou 1,20 milhão de toneladas de carne de frango, com receita de US$ 2,45 bilhões. Em relação ao ano anterior, houve aumento de 3% em quantidade e de 6,9% em valor. Esse é o maior faturamento da série histórica, iniciada em 1997, e o terceiro melhor resultado em volume.
O analista da Epagri/Cepa, Alexandre Giehl explica que a Arábia Saudita foi o principal destino da carne de frango catarinense no ano passado, respondendo por 11,9% da receita anual, seguida pelos Países Baixos (11,6%) e Japão (10,4%). No consolidado do ano, Santa Catarina respondeu por 25,6% da receita e 23,3% do volume exportado de carne de frango pelo Brasil, mantendo-se como o segundo maior exportador nacional do produto.
Foto: Divulgação/SAPE
Carne suína
As exportações de carne suína também atingiram patamar histórico em 2025. No acumulado do ano, Santa Catarina exportou 748,8 mil toneladas, com receitas de US$ 1,85 bilhão, registrando crescimento de 4,1% em quantidade e de 9,4% em valor em relação a 2024. Esse é o melhor desempenho anual da série histórica, tanto em volume quanto em receita, mantendo Santa Catarina como o maior produtor e exportador de carne suína do país.
O Estado respondeu por 50,9% do volume e 51,8% da receita total das exportações brasileiras de carne suína no período. Os três principais destinos da carne suína catarinense em 2025 foram o Japão (21% da receita total), as Filipinas (19,2%) e a China (15,6%). Destaca-se o crescimento das exportações para o México, país que atingiu recentemente a quarta posição no ranking catarinense, com aumentos de 78,7% em quantidade e 82,8% em receita ante 2024.
Outros destaques
Além das carnes de frango e suína, Santa Catarina apresentou avanço significativo nas exportações de carne de perus, com aumento de 6,9% em quantidade e expressivo crescimento de 60,3% em receita. O Estado foi responsável por 44,8% do volume e 48% das receitas brasileiras com esse produto, consolidando-se como o principal exportador nacional.
A safra catarinense de cereais de inverno chega ao fim marcada por trajetórias distintas entre trigo, aveia e cevada. A combinação de preços pressionados no mercado internacional e menor atratividade econômica reduziu a área cultivada com trigo no estado. Por outro lado, aveia e cevada se constituem em alternativas de inverno importantes para geração de renda, diversificação da produção e conservação de solo.
A produtividade da cebola em Santa Catarina cresceu cerca de 300% nos últimos 50 anos, desde a criação da Empasc, empresa pública de pesquisa agropecuária que deu origem à Epagri. O rendimento médio cresceu de 7,2 toneladas por hectare para 28,8 t/ha. O resultado se deve principalmente ao trabalho da Epagri de desenvolvimento de novas tecnologias de produção e de cultivares mais resistentes e atrativos comercialmente.
Ações da Epagri de desenvolvimento de novas tecnologias de produção e de cultivares mais resistentes e atrativos impulsionaram produtividade da cultura da cebola (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Os dados são da Síntese Anual da Agricultura de Santa Catarina, publicação elaborada pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa). A produção de cebola envolve cerca de oito mil famílias de agricultores que têm na cultura uma importante fonte de renda. Do ponto de vista econômico, a cebola é a hortaliça que apresenta o maior valor bruto de produção, movimentando entre R$ 600 a 900 milhões por ano.
O presidente da Epagri, Dirceu Leite, destaca que a empresa teve um papel preponderante na transformação do cultivo da cebola no Estado, levando Santa Catarina à liderança na produção nacional da hortaliça. Para ele, o desempenho da cebolicultura é fruto de um trabalho que nasce nas estações experimentais, mas ganha força de verdade quando chega às mãos dos agricultores.
“A história do cultivo da cebola no Estado é também a história da confiança do produtor nas soluções que nós da Epagri construímos junto com eles. Nosso compromisso sempre foi oferecer ciência aplicada, tecnologias acessíveis e informação qualificada para que cada família agricultora pudesse produzir com mais segurança, eficiência e renda”, afirma Leite.
Hoje, a cebola integra a seleta lista dos produtos agropecuários catarinenses que são campeões de produção no Brasil. Dados do Observatório Agro Catarinense referente à safra 2024/2025 mostram que Santa Catarina responde por um terço da área plantada (19.295 hectares) e da produção (556.484 toneladas), com destaque para a cidade de Ituporanga, a capital nacional da cebola.
Variedades mais resistentes
Um dos principais marcos da pesquisa da Epagri em benefício da produção de cebola é o desenvolvimento de novos cultivares. Ao longo de sua história, a empresa lançou 10 variedades com o objetivo de ampliar o potencial produtivo, garantir boa conservação pós-colheita e se aproximar das características que agradam o consumidor. O primeiro cultivar, Empasc 351 – Seleção Crioula, foi lançado em 1984 e marcou a redução da dependência de sementes vindas do Rio Grande do Sul.
Desde então, outras variedades foram sendo incorporadas ao portfólio, até chegar à atual campeã de preferência entre produtores e comerciantes: aSCS373 Valessul. Lançada em 2017, ela já responde por mais da metade da área plantada de cebola em Santa Catarina. A Valessul combina as principais vantagens das duas variedades líderes antes de sua chegada — Bola Precoce e Crioula Alto Vale — reunindo maior resistência a pragas e doenças, além de excelente capacidade de armazenamento e transporte.
Desenvolvida pela Epagri, Valessul é a atual campeã de preferência entre produtores, comerciantes e consumidores (Foto: Aires Mariga/Epagri)
Para o gerente da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga, Gerson Wamser, essas características fazem muita diferença na rotina do produtor e no desempenho da cadeia como um todo. “A maior durabilidade no armazenamento permite ao agricultor comercializar a cebola em períodos de preços mais favoráveis, enquanto a resistência às pragas reduz custos com agrotóxicos. Já a casca vermelho-amarronzada, mais firme e aderente, conquistou o consumidor e contribuiu para o sucesso da Valessul no mercado”, destaca.
Sistemas de produção eficientes
A pesquisa da Epagri também foi protagonista no desenvolvimento de sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis ambientalmente para a cebolicultura, proporcionando melhor custo/benefício para o produtor. Entre eles, o Plantio Direto de Hortaliças (SPDH), método agrícola que tem como principais pilares o revolvimento da terra limitado à linha da semeadura e a cobertura permanente do solo por meio de palhadas e plantas leguminosas.
A cebolicultura se concentra em áreas suscetíveis à erosão e com solos bastante frágeis. Com as técnicas do SPDH, houve tanto controle da erosão quanto melhoria das condições do solo e redução do uso de produtos agroquímicos. O resultado direto na produção, segundo pesquisas realizadas pela Estação Experimental de Ituporanga, foi um aumento de até 22% no rendimento da cebola.
Técnicas como o Plantio Direto contribuíram para sistemas de produção mais eficientes e sustentáveis, ampliando a produtividade
Outro método desenvolvido pela Epagri para os produtores de cebola é oSistema de Produção Integrada de Cebola (SISPIC). Conforme explica o pesquisador da Estação Experimental de Urussanga, Francisco Olmar Gervini de Menezes Júnior, trata-se de um conjunto de orientações técnicas que tem o objetivo de produzir alimento seguro e sustentável. Ao mesmo tempo em que contribui para o aprimoramento da gestão da propriedade, ele traz redução de custos e agrega valor ao produto, melhorando a renda e diminuindo perdas e desperdícios.
O sistema ganhou projeção nacional e internacional. Em 2016, o SISPIC foi reconhecido pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) como um exemplo de desenvolvimento sustentável agrícola e passou a fazer parte da plataforma digital de boas práticas da organização. Em 2022, o Governo Federal o transformou em uma norma técnica do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
No dia 10 de dezembro de 2025, a Câmara Setorial de Grãos reuniu, em formato on-line, especialistas do Brasil, da Esalq/Cepea e dos Estados Unidos para discutir o cenário do milho no Sul do país e as perspectivas para 2026. A iniciativa, promovida pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária por meio da SAPE/CEDERURAL SC, teve como objetivo analisar a situação da safra, o comportamento do mercado e as projeções para o próximo ano.
Na quinta-feira, 4, a Epagri sediou uma reunião em Florianópolis para avaliar o atual panorama socioeconômico e os desafios do setor leiteiro. A iniciativa do encontro foi da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), que reuniu lideranças do segmento, parlamentares e a Cidasc. O evento teve como foco a busca por soluções para aumentar a competitividade da cadeia produtiva e apresentar os programas do Governo do Estado, que neste ano somam mais de R$ 216,3 milhões em apoio direto aos produtores de leite.
Eventos climáticos extremos, como o ciclone que passou pelo Sul do país entre os dias 7 e 8 de novembro causando tornados no Paraná e Santa Catarina, provocam o time de pesquisadores da Epagri a buscar novas formas de produzir alimentos e mitigar prejuízos na lavoura. Além dos fortes ventos, outro problema que acarreta em perdas no campo é a estiagem prolongada, como a que aconteceu em 2019, e afetou a produção de banana no litoral norte catarinense. A boa notícia é que resultados preliminares de uma pesquisa realizada na Estação Experimental da Epagri em Itajaí (EEI) mostram que é possível produzir em quantidade e qualidade através de sistemas de irrigação adequados para as características locais.
Santa Catarina é o 6º estado que menos contribui para o aquecimento global, segundo ranking do Observatório do Clima, e tem evoluído positivamente neste sentido no setor agropecuário. Entre 2022 e 2024, o estado reduziu as emissões em 15,2 milhões de toneladas, cerca de 20% da meta estabelecida pelo Plano Agricultura de Baixa Emissão de Carbono ABC+SC 2020-2030. Mais da metade do volume (8,8 milhões de toneladas) foi mitigada por meio de tecnologias implementadas pela Epagri.
Com a oferta interna elevada e as importações praticamente ausentes no período, a colheita da cebola catarinense avança em um mercado nacional amplamente abastecido, o que mantém o ritmo de comercialização no estado ainda contido. O preço médio pago ao produtor segue sem novas referências desde junho de 2025, quando a saca de 20 quilos foi cotada a R$ 30,29, em valores nominais. No atacado, os valores permaneceram estáveis em relação a setembro, com leve alta de 9,49%, chegando a R$ 41,06.
Santa Catarina segue consolidando sua posição de destaque nas exportações brasileiras de carnes. Mesmo com leve retração nos embarques de outubro, o estado registrou, no acumulado de janeiro a outubro de 2025, o melhor resultado da série histórica tanto em volume quanto em receita, segundo dados da Epagri/Cepa.
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