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Fruticultura brasileira: estudo de indicadores da dinâmica da estrutura produtiva e econômica entre 2002 e 2022

Entre 2002 e 2022, a fruticultura brasileira teve um crescimento médio anual de 0,5%, com valor bruto de produção (VBP) atingindo R$ 53,7 bilhões em 2022, o que representa 6,5% do total das lavouras permanentes e temporárias. Houve retração no período de 2002 a 2014, com queda anual de -0,6%, seguida por recuperação e crescimento de 2,0% ao ano entre 2014 e 2022. Os principais estados produtores são: São Paulo (30,6% do VBP), Pará, Bahia, Minas Gerais, entre outros. As frutas com maior VBP são laranja, banana, uva, manga, maçã, mamão, limão, maracujá e tangerina. O objetivo deste trabalho é identificar a participação da lavoura da fruticultura no total das lavouras permanente e temporária e analisar a dinâmica econômica da produção da fruticultura e das principais frutas nas unidades federativas em relação ao total nacional a partir de indicadores para medir a participação
relativa, a concentração e a especialização dos resultados entre 2002 e 2019. A análise utilizou dados do IBGE e indicadores para avaliar especialização, concentração e participação regional. São Paulo e Pará se destacam no quadrante dinâmico da fruticultura. Estados como Bahia e Espírito Santo apresentaram oscilações entre crescimento e estagnação, enquanto Pernambuco e Santa Catarina tiveram avanço na especialização. 

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Autor
Rogério Goulart Jr. – CEPA –  EPAGRI – rogeriojunior@epagri.sc.gov.br

Dinâmica do trabalho e emprego na pecuária catarinense: uma análise a partir dos censos agropecuários

Este estudo analisa a dinâmica do trabalho e emprego na pecuária catarinense entre 1995 e 2017, com base em dados dos Censos Agropecuários do IBGE. Os resultados revelam uma redução de 30,2% no pessoal ocupado em estabelecimentos agropecuários no período, contrastando com o crescimento de 43,6% na mão de obra específica da pecuária. A produção apresentou aumentos expressivos (leite: +266%; suínos: +102%; frangos: +74%), indicando ganhos de produtividade associados à modernização tecnológica. Evidenciou-se grande diferenciação regional, com predominância do Oeste Catarinense, responsável por 56,5% da mão de obra ocupada na pecuária catarinense e pela maior parte da produção animal do estado (75,7% do leite, 79,4% dos frangos, 78,9% dos suínos, 50,9% dos bovinos e 49,4% dos ovos). A mesorregião Serrana, por outro lado, destacou-se pela alta ocupação em atividades menos tecnificadas, como a bovinocultura de corte, amplamente presente na região. A agricultura familiar manteve relevância (74,9% do emprego total em 2017), mas registrou queda (-7,4%), acompanhando a
tendência de concentração produtiva. Conclui-se que a pecuária catarinense passou por intensa modernização nas últimas décadas, com aumento da produtividade e redução relativa do emprego, especialmente no segmento familiar. A heterogeneidade regional é uma característica marcante do setor, com o Oeste dominando a produção, especialmente nas cadeias produtivas com maior incorporação de tecnologias. Contudo, a ausência de dados desagregados para algumas atividades, bem como o tempo transcorrido desde o último censo, dificulta análises mais precisas. Os achados sugerem tensões entre eficiência econômica e equidade social, apontando para a necessidade de políticas que conciliem inovação tecnológica com a manutenção de postos de trabalho, especialmente para os produtores familiares. Recomendam-se novos estudos, abordando os impactos das
mudanças tecnológicas sobre as ocupações no setor pecuário. 

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Autor
Alexandre Luís Giehl – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

Construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos através das compras públicas de alimentos da agricultura familiar: uma revisão integrativa

As compras públicas de alimentos adquirem itens provenientes da agricultura familiar enquanto estratégia de construção de sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos, embora se reconheça que nem toda agricultura familiar seja sustentável. No entanto, não está claro se tais estratégias advindas das diretrizes dos programas são traduzidas em ações nas diferentes etapas do sistema alimentar, desde a produção até o consumo. Diante disso, realizou-se uma revisão integrativa com o objetivo de associar compras públicas de alimentos da agricultura familiar e construção destes sistemas com foco nos dois programas-chave de compras públicas brasileiros: o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), especialmente a modalidade Compra com Doação Simultânea (CDS), e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). A revisão integrativa revela que, embora esses programas sejam elaborados com a intenção de construir sistemas alimentares saudáveis, sustentáveis e inclusivos, sua implementação enfrenta limitações. As diretrizes incluem critérios como aquisição de alimentos orgânicos e agroecológicos, alimentos da sociobiodiversidade advindos de povos e comunidades tradicionais e inclusão de agricultores
familiares vulneráveis como fornecedores. No entanto, os resultados das políticas estão concentrados na dimensão socioeconômica, especialmente no aumento da renda e garantia de comercialização. Para que as políticas de compras públicas possam impactar positivamente a transformação do sistema alimentar, ainda se faz necessária a expansão do escopo dos programas em suas dimensões saudável e sustentável.  

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Autores
Lilian de Pellegrini Elias
Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Cepa), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa
Catarina (Epagri), Florianópolis (SC), Brasil. E-mail: lilianelias@epagri.sc.gov.br

Gabriela Perin
Diretoria de Estudos e Políticas Regionais, Urbanas e Ambientais, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Brasília (DF),
Brasil. E-mail: gabriela.perin@ipea.gov.br

Julia de Oliveira Silva
Departamento de Economia e Relações Internacionais (DERI), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Florianópolis (SC),
Brasil. E-mail: julia.oliveira.silva@grad.ufsc.br

Lea Vidigal
Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo (USP), São Paulo (SP), Brasil. E-mail: lea.medeiros@alumni.usp.br

Felipe Jabali Marques
Institute of Law, Politics and Development (DIRPOLIS), Sant’Anna School of Advanced Studies (SSSA), Pisa, Italy. E-mail: felipe.
marques@santannapisa.it

Custo de Produção Safra 2021/22 – Relação de troca entre produtos agrícolas e insumos

Em 2021, Santa Catarina produziu uma safra menor de grãos, foram 5,80 milhões de toneladas na safra 2020/21, contra as 7,07 milhões de toneladas produzidas na safra 2019/20, um redução de 17,91%. Mais uma vez, problemas decorrente da ação negativa de eventos
climáticos extremos, como estiagens e geadas, comprometeram o desenvolvimento das lavouras, resultando numa redução da área plantada e da produtividade de muitas lavouras. Isso fez com que nosso estado caísse uma posição no ranking nacional na produção de grãos, descendo da nona para a décima posição. 
Para que possamos melhorar nossa produção de grãos, é fundamental que se faça o uso racional dos insumos e fatores de produção disponíveis ao produtor. Assim, por mais que saibamos que cada produtor tem seu próprio custo de produção em função dos fatores de produção de que dispõe, o planejamento da safra passa a ser fundamental e requer uma análise cuidadosa de todos os itens que compõem os custos de produção. 
Com muitos insumos sendo reajustados pelo equivalente a variação da cotação do dólar, analisar custos é fundamental na hora de decidir o quanto, onde e quando plantar. Nesse sentido, analisar a relação de troca, pode auxiliar o produtor na tomada de decisão. Trata-se de um indicador que mensura a capacidade de compra de um insumo com a receita apurada na venda do produto, ou seja, a quantidade de produto agrícola necessário para a aquisição de um determinado insumo. 

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Ano: 2021

Autor:
João Rogério Alves – Epagri/Cepa

Idade de abate de bovinos em Santa Catarina: panorama estadual e mesorregional

Em razão de sua reduzida área geográfica e da posição intermediária no ranking nacional, a bovinocultura catarinense se vê compelida a basear sua competitividade na qualidade e na melhoria dos índices zootécnicos, como a redução da idade de abate. O presente trabalho analisou a evolução na idade de abate de bovinos em Santa Catarina e nas mesorregiões do estado. Entre 1997 e 2023, a participação de animais de até 2 anos no total de abates passou de 18,8% para 36,7%, enquanto a média nacional manteve-se estável. Quando se utiliza um recorte regional, verifica-se situações distintas entre as seis mesorregiões do estado, com a participação dos animais jovens variando de 37% no Vale do Itajaí, até 49% no Norte Catarinense. Esse cenário é explicado, ao menos em parte, pela finalidade da atividade (leite ou corte) predominante em cada porção do território estadual, embora outros fatores possam ter grande influência nos resultados. 

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Autor:
Alexandre Luís Giehl – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

Caracterização e dinâmica do abate de frangos em Santa Catarina

A avicultura é uma das principais atividades agropecuárias de Santa Catarina, responsável por 19,6% do VBP agropecuário do estado. O modelo de avicultura industrial surgiu na década de 1960, e, inicialmente, incorporou grande contingente de produtores e unidades de abate à cadeia produtiva. Contudo, a partir dos anos 1980 e 1990, observou-se redução no número de frigoríficos e produtores, apesar do crescimento da produção. Contudo, não há estudos recentes que possibilitem analisar os rumos adotados por esse setor atualmente. Este artigo busca analisar a evolução dos abatedouros de frangos no período 2013 a 2020, em especial a concentração dos abates. Verificouse que o número de frigoríficos caiu 27,3% entre 2013 e 2020, sendo a queda assim distribuída: unidades com SIF (-8,7%); unidades com SIM (-23,5%); e unidades com SIE (-46,2%). Os frigoríficos com SIF são responsáveis pela maioria dos abates em Santa Catarina, situação que se manteve praticamente inalterada nos últimos anos:
98,5% das aves abatidas em 2013 e 97,8% em 2020. No que diz respeito ao tamanho, em 2013 as unidades que abatiam mais de 50 milhões de aves por ano eram responsáveis por 53,9% da produção total, participação que passou para 58,9% em 2020. Quando se considera as unidades com mais de 10 milhões de aves abatidas/ano, a participação do segmento foi de 96,4% em 2020. Por outro lado, a participação dos frigoríficos que abatem até 1 milhão de aves caiu de 0,7%, em 2013, para 0,4%, em 2020. O grau de concentração fica mais evidente quando se leva em consideração os abates por empresa proprietária dos frigoríficos. As três maiores foram responsáveis por 87,3% dos abates em 2013 e 94,5% em 2020. Conclui-se que a concentração produtiva, característica que marca a agroindústria avícola catarinense desde a origem, avançou ainda mais no período analisado, principalmente pela ampliação da capacidade de abate dos estabelecimentos de maior porte e fechamento expressivo de pequenas e médias empresas. 

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Ano: 2021

Autores:
Alexandre Luís Giehl – Epagri/Cepa
Marcia Mondardo – Epagri/Cepa

Relação entre preço do leite e abate de vacas leiteiras em Santa Catarina

A pecuária leiteira é uma das principais atividades produtivas da agropecuária catarinense, com crescente importância socioeconômica. O estado também tem registrado aumento no abate de bovinos, havendo associação entre os dois processos, já que os animais excluídos dos plantéis leiteiros normalmente destinam-se ao abate. O descarte de vacas leiteiras se dá principalmente por aspectos como o declínio produtivo e problemas sanitários, locomotores e reprodutivos. Contudo, são comuns referências à influência das quedas no preço do leite sobre a taxa de descarte, questão ainda pouco estudada. O presente artigo busca analisar a correlação entre essas duas variáveis. Para tanto, utilizou-se o preço médio mensal do litro leite em Santa Catarina no período de 2013 a 2020 e os abates mensais de bovinos, organizados em seis categorias: 1) Total de fêmeas; 2) Fêmeas com aptidão leiteira; 3) Fêmeas com aptidão mista; 4) Fêmeas abatidas para autoconsumo; 5) Total de bovinos (machos+fêmeas); 6) Fêmeas com aptidão leiteira por faixa etária. Os coeficientes de correlação de Pearson foram estimados e as hipóteses de existir correlação diferente de zero foram testadas pela estatística t. Os resultados demonstram que não foi possível estabelecer correlação entre as variações nos preços do leite e o abate da maioria das categorias investigadas (fêmeas com aptidão leiteira; fêmeas com aptidão mista; fêmeas abatidas para autoconsumo). Também não houve correlação em nenhuma das faixas etárias de bovinos leiteiros analisados. Verificou-se a existência de correlação entre o preço do leite e o total de fêmeas (significância de 99%), com r=0,3029 e com o total de bovinos abatidos (machos+fêmeas), com r=0,2789. Diferente do que era esperado, a correlação foi positiva. Os baixos valores de “r” reforçam a perspectiva de que não se trata de uma relação de causalidade, em ambas as situações. Conclui-se não ser possível estabelecer correlação entre os preços do leite e o abate de bovinos leiteiros. 

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Ano: 2021

Autores:
Alexandre Luís Giehl – Epagri/Cepa
Tabajara Marcondes – Epagri/Cepa
Marcia Mondardo – Epagri/Cepa

Dinâmica do crédito rural em Santa Catarina: evolução e tendências nas principais cadeias produtivas da pecuária (2013-2024)

Entre 2013 e 2024, o crédito rural em Santa Catarina passou por transformações significativas. O número de contratos caiu 32,4%, de 214,7 mil para 145,1 mil, enquanto o valor financiado aumentou 130,4%, atingindo R$ 20,89 bilhões em 2024. Esse crescimento reflete uma concentração de recursos em contratos de maior valor, especialmente na agricultura, cujo valor médio dos contratos subiu 421,6%, contra 91,3% na pecuária. A pecuária manteve relevância, representando 49,5% do valor financiado em 2024, próximo aos 50,8% de 2013, com a bovinocultura liderando (52,9% do valor em 2024), seguida pela avicultura (13,9%) e
suinocultura (12,7%). O sistema de integração predominante na avicultura e suinocultura reduziu a dependência do crédito rural, já que as agroindústrias assumem grande parte dos custos. Na avicultura, 79,1% dos recursos foram para custeio, enquanto na suinocultura, 72,9% destinaram-se ao custeio, com participação crescente da industrialização (50,2% em 2024). Já a bovinocultura, menos integrada, demandou mais crédito para custeio e investimentos, especialmente na cadeia do leite. A análise também revelou limitações nos dados, que dificultam a distinção entre atividades específicas, como bovinocultura de corte e leite, ou avicultura de corte e postura. Recomenda-se a realização de novas análises, utilizando fontes complementares de dados, de forma a tornar as conclusões mais precisas.  

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Autor
Alexandre Luís Giehl – EPAGRI/CEPA – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

Proporção de bezerros machos e fêmeas nascidos em Santa Catarina: dimensionamento e efeitos de práticas de manejo da pecuária leiteira sobre os resultados

A pecuária leiteira é a quarta principal atividade agropecuária desenvolvida em Santa Catarina, com um Valor Bruto da Produção (VBP) de R$ 6,15 bilhões em 2021, o que representa 11% do VBP total do estado. Além de sua relevância econômica, a produção
leiteira também possui grande importância social, abrangendo cerca de 25 mil famílias em Santa Catarina, contabilizando-se apenas aquelas que comercializam sua produção com agroindústrias inspecionadas. Contudo, um dos efeitos adversos da crescente produção de leite é o sacrifício de bezerros machos de raças com aptidão leiteira, que se constituem num “subproduto” indesejado desse sistema. A acelerada especialização e tecnificação da atividade acentua ainda mais esse problema. De acordo com os produtores, a criação dos machos resulta em prejuízos e, diante da carência de alternativas viáveis, o sacrifício de animais recém-nascidos torna-se uma prática recorrente no setor. O presente trabalho procura dimensionar o impacto dessa medida sobre a proporção de machos e fêmeas de bovinos nascidos em Santa Catarina. Para isso, utilizou-se como fonte principal de dados os registros de nascimentos no âmbito do Sistema de Gestão da Defesa Agropecuária Catarinense (Sigen). Verificou-se que, do total de nascimentos registrados no Sigen entre 2013 e 2021, 45,2% eram machos e 54,8% fêmeas  Em parte, essa diferença é explicada pelo uso de sêmen sexado, embora essa prática seja pouco expressiva na pecuária catarinense, respondendo por 10% das inseminações e aproximadamente 2% do total de fêmeas nascidas. Estima-se que a diferença de aproximadamente 80 mil cabeças entre fêmeas e machos registrados anualmente deva-se, essencialmente, ao sacrifício de bezerros de raças com aptidão leiteira logo após o nascimento. As análises estatísticas demonstraram a existência de forte correlação entre os índices mais elevados de registro de fêmeas e as variáveis relacionadas à importância da pecuária leiteira nas microrregiões catarinenses, quais sejam: número de estabelecimentos agropecuários que produzem leite; número de estabelecimentos agropecuários que vendem leite; número de vacas ordenhadas; produção anual de leite. Não obstante tais resultados, reconhece-se a possibilidade de que outros fatores afetem essa diferenciação, sendo recomendados estudos adicionais com tal abordagem. Por fim, aponta-se a necessidade de busca de soluções viáveis do ponto de vista ético, social e econômico, de forma a evitar impactos negativos sobre uma das mais importantes atividades desenvolvidas pela agricultura familiar catarinense e que possui grande relevância econômica no cenário rural do estado. 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl; EPAGRI; alexandregiehl@epagri.sc.gov.br
Tabajara Marcondes; EPAGRI; tabajara@epagri.sc.gov.br
Marcia Mondardo; EPAGRI; mmondardo@epagri.sc.gov.br

Status sanitário da pecuária de Santa Catarina e seu efeito sobre as exportações de carne suína

A suinocultura é a principal atividade agropecuária de Santa Catarina, respondendo por 23,1% do Valor Bruto da Produção do estado. Essa importância foi alcançada, entre outras coisas, pela forte inserção internacional da cadeia de produção de suínos de Santa Catarina, que responde por mais de metade das exportações brasileiras de carne suína. Esse destaque costuma ser atribuído principalmente ao seu status sanitário diferenciado, já em 2007 a Organização Mundial de Saúde Animal reconheceu o estado como zona livre de febre aftosa sem vacinação. Em 2015 o estado também foi reconhecido como zona libre de peste suína clássica. Diante desse cenário, o presente artigo tinha por objetivo analisar alguns aspectos das exportações e buscar identificar efeitos diretos do status sanitário do estado sobre as exportações desse produto. Inicialmente se avaliou os volumes e as receitas anuais das exportações de carne suína de Santa Catarina e do Brasil no período de 1997 a 2021, com especial atenção aos
anos posteriores a 2007 e 2015. Não foi possível apontar alterações significativas nos volumes exportados pelo estado nos anos posteriores ao reconhecimento pela OIE, como era esperado por parcela do setor produtivo. Posteriormente, se identificou os três principais produtos de carne suína exportados pelos Brasil, utilizando-se a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Os três principais produtos exportados pelo país são o NCM 2032900 (Outras carnes de suíno congeladas), o NCM 02064900 (miudezas suínas comestíveis) e o NCM 02032200 (pernas, pás e pedaços não desossados de suínos). Pra os três produtos, comparou-se o preço médio de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e Brasil, no período de 1997 a 2021. Conclui-se que não foi possível
identificar influência direta do status sanitário diferenciado de Santa Catarina sobre o volume de exportações de carne suína do estado ou sobre o preço médio dos principais cortes de carnes suína destinados ao mercado externo. Contudo, são necessários estudos mais aprofundados e envolvendo um maior número de fatores para que se possa realizar afirmações mais conclusivas. 

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Autores:
Alexandre Luís Giehl – EPAGRI – alexandregiehl@epagri.sc.gov.br

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Observatório Agro Catarinense
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