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28/08/2025 | Desempenho Agro

Soja ganha espaço e muda dinâmica da produção de grãos no estado nos últimos 10 anos

Entre 2014 e 2024, oleaginosa avançou sobre áreas de milho e consolidou protagonismo nas lavouras em Santa Catarina Por Epagri

A agropecuária catarinense tem peso social e econômico estratégico. Mesmo ocupando apenas 1,12% do território brasileiro, dos quais 38% estão cobertos por florestas naturais e 16,7% são destinados à agricultura, o Estado se destaca na produção de grãos como arroz, milho, soja, feijão e trigo. Juntas, essas culturas respondem por mais de 25% do valor bruto da produção agropecuária.

Fonte: Epagri/Cepa

Entre os grãos, o arroz coloca Santa Catarina em posição de destaque nacional, respondendo por 11% da produção brasileira. Já milho e soja são fundamentais para abastecer a cadeia de proteína animal, que garante ao Estado a liderança na suinocultura e a segunda colocação na avicultura do país.

Segundo estudo da Epagri/Cepa, entre 2014 e 2024 a soja assumiu papel central na dinâmica das lavouras catarinenses, substituindo áreas tradicionais de milho-grão e expandindo sua participação na área cultivada.

De acordo com o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento da Epagri/Cepa, Haroldo Elias Tavares, a explicação está fortemente ligada ao mercado. “O crescimento sistemático da soja no Brasil e em Santa Catarina está relacionado, principalmente, à demanda internacional. Além disso, o custo de produção é menor do que o do milho e o manejo é mais favorável”, afirma.

Outro fator determinante é a resiliência da oleaginosa em relação ao clima. “A soja apresenta maior resistência a períodos curtos de estiagem, o que estimulou produtores a trocar áreas de milho-grão pela soja ao longo dos últimos dez anos”, complementa Tavares.

 

Contexto geral da evolução da área de grãos no Estado

Entre 2014 e 2024, Santa Catarina registrou um aumento expressivo de 289 mil hectares na área destinada ao cultivo de grãos, resultado de mudanças estruturais no campo e da conversão de pastagens e florestas plantadas em áreas agrícolas. A soja foi a principal responsável por esse avanço, passando de 45% da área total cultivada em 2014/15 para 55% em 2023/24, impulsionada pela demanda internacional, maior liquidez e custo de produção mais competitivo em relação ao milho.

Outro destaque é o trigo, que ampliou de forma significativa sua presença nas lavouras nos últimos cinco anos. Tradicionalmente cultivado em rotação com a soja, o cereal recebeu incentivo de programas estaduais voltados à produção de grãos para ração animal, o que favoreceu seu crescimento e diversificou a renda dos produtores, especialmente com a chamada “safrinha”.

Na contramão, milho e feijão perderam espaço, sobretudo nas safras de verão. O cultivo se concentrou em médios e grandes produtores, enquanto pequenos agricultores migraram para atividades de maior rentabilidade, como a produção de leite, setor em que o estado já ocupa a quarta posição nacional. A expansão do milho para silagem, que hoje ocupa cerca de 230 mil hectares, reflete essa tendência.

A retração do fumo também contribuiu para a substituição por culturas anuais, reforçando a reconfiguração agrícola em curso. Segundo a Epagri/Cepa, o acompanhamento da evolução das safras é estratégico para orientar investimentos em armazenagem, logística e infraestrutura, além de embasar políticas públicas para o setor agropecuário.

No vídeo abaixo, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento da Epagri/Cepa, Haroldo Elias Tavares, explica os desafios que essa mudança de cenário traz para o abastecimento interno e para cadeias estratégicas, como a produção de proteína animal e o consumo das famílias.

 

Arroz mantém área estável e alta produtividade

A cultura do arroz em Santa Catarina manteve estabilidade na última década, com cerca de 146 mil hectares cultivados em 93 municípios, concentrados principalmente no Litoral Sul. A produtividade avançou mais de 1 tonelada por hectare no período, alcançando 8,6 mil kg/ha em 2023, resultado atribuído ao uso de tecnologia, cultivares de alto potencial e melhorias de manejo. No entanto, a safra 2023/24 registrou queda nos rendimentos devido ao excesso de chuvas provocadas pelo El Niño. Turvo, Forquilhinha e Meleiro seguem como os maiores polos produtores, respondendo juntos por quase um quarto da produção estadual.

 

Feijão perde espaço nas lavouras catarinenses

A área destinada ao cultivo de feijão em Santa Catarina vem caindo de forma expressiva nas últimas décadas: de mais de 350 mil hectares em 1994 para 63 mil hectares em 2024. Entre 2014 e 2024, a redução foi superior a 8%, embora a safra 2023/24 tenha registrado leve recuperação de 5,3% em área, totalizando 63,2 mil hectares. A produção estadual ficou estimada em 113 mil toneladas, pequena queda de 0,8% frente ao ciclo anterior. O feijão-preto domina as lavouras, representando 80% da área plantada, reflexo da forte demanda do mercado consumidor do Sul do país.

 

Milho perde espaço em SC e aumenta dependência de grãos de fora

Entre 2014 e 2024, Santa Catarina reduziu em mais de 100 mil hectares a área destinada ao milho, reflexo do alto custo de produção e da incidência da cigarrinha-do-milho, praga que desestimula os produtores. A consequência foi a queda da produção estadual, que chegou a 3 milhões de toneladas até 2019, mas recuou para cerca de 2 milhões nas últimas safras. A redução impacta diretamente a cadeia produtiva de proteínas animais, aumentando a dependência de grãos vindos de outros estados e até de importações.

 

Soja avança sobre outras culturas e supera 1 milhão de toneladas em SC

A soja foi a grande protagonista das lavouras catarinenses na última década. Entre 2014 e 2024, a cultura incorporou mais de 213 mil hectares, impulsionando a produção em mais de 1 milhão de toneladas. O avanço ocorreu sobre áreas antes destinadas a milho, feijão, pastagens e até florestas plantadas. Desde a safra 2020/21, o levantamento da Epagri/Cepa também passou a contabilizar 60 mil hectares de soja de segunda safra, reforçando a consolidação da oleaginosa como uma das principais culturas do estado.

 

Trigo cresce 180% em Santa Catarina

O trigo ganhou força nas lavouras catarinenses na última década, com crescimento de 50% na área plantada e forte expansão na produção. O volume saltou de 172 mil toneladas na safra 2020/21 para 482 mil toneladas em 2022/23, avanço de 180%. Naquele ciclo, o Estado cultivou 139,7 mil hectares, 36% a mais que no ano anterior. Já em 2023/24, problemas climáticos frearam o crescimento e resultaram em queda na produção.

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Observatório Agro Catarinense
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