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16/03/2026 | Desenvolvimento Rural

Câmara Setorial debate arroz sustentável e oportunidades no mercado de créditos de carbono em SC

Articulação entre setor produtivo, pesquisa e governo impulsiona a rizicultura sustentável, com foco na redução de metano e nos créditos de carbono Por Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária - SAPE

Representantes do setor produtivo, pesquisadores e instituições públicas participaram da reunião da Câmara Setorial do Arroz nesta quinta-feira (12), para discutir iniciativas estratégicas voltadas à produção de arroz com menor emissão de metano e à ampliação de oportunidades no mercado de créditos de carbono. O encontro foi realizado pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e Instituto Interamericano de Cooperação para Agricultura (IICA).

Câmara Setorial do Arroz debate estratégias para ampliar sustentabilidade na produção de arroz (Foto: Divulgação/Sape)

“A reunião reforçou o papel de Santa Catarina como referência em inovação na produção de arroz irrigado e na adoção de práticas sustentáveis que conciliam produtividade, responsabilidade ambiental e geração de renda no campo. Foi um debate importante para avançarmos na relação da rizicultura com os desafios e oportunidades do setor”, destaca o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort.

Com o tema “Arroz Sustentável: o próximo passo para a sustentabilidade e créditos de carbono no setor”, o encontro realizado na sede da Epagri, em Florianópolis, teve como objetivo compartilhar experiências técnicas. Foram apresentados projetos como o Global Methane Hub e iniciativas ligadas à Coalizão Clima e Ar Limpo (CCAC), incluindo o desenvolvimento de uma plataforma digital de Monitoramento, Relato e Verificação (MRV).

O coordenador do Projeto Arroz Sustentável do IICA, Fernando Barrera, destacou a importância do trabalho conjunto entre as instituições para ampliar as oportunidades no setor. “Temos um trabalho compartilhado com a Epagri, que tem vários pilares. Um deles é o apoio e o desenvolvimento conjunto de pesquisas que permitem identificar melhores práticas para a redução de emissões de metano na produção de arroz. A partir disso, essas práticas podem se conectar às possibilidades de geração de benefícios econômicos para os agricultores”, afirma.

Na prática

A programação também abordou o tema Cooperativismo e a proposta para inclusão de Arroz de Santa SC no mercado de carbono, apresentada pela Epagri. De acordo com o pesquisador da Estação Experimental da Epagri de Itajaí, Marcos do Vale, o setor já dispõe de práticas comprovadas, de fácil adoção no sistema atual, capazes de reduzir as emissões de metano no cultivo, demonstrando que a cadeia produtiva está tecnicamente preparada para essa transição. “É uma combinação perfeita de  responsabilidade ambiental e viabilidade econômica”, diz o pesquisador.

Ele ressaltou que existem ferramentas de monitoramento e auditoria, como imagens de satélite e sistemas georreferenciados, que permitem comprovar se as práticas estão sendo aplicadas dentro das propriedades, garantindo transparência e segurança para o mercado de carbono. A iniciativa prevê a geração de créditos de carbono como forma de remuneração direta aos produtores, superando o desafio da pequena escala das propriedades por meio do cooperativismo, que permite reunir vários agricultores em um mesmo protocolo e alcançar a escala necessária para acessar esse mercado. “O objetivo final é transformar os benefícios ambientais do sistema de produção de arroz em ativos financeiros para o produtor rural”, diz ele. 

Produção de arroz

Santa Catarina segue como o segundo maior produtor de arroz do país. Para a safra 2025/2026, a estimativa é de colheita de aproximadamente 1,22 milhão de toneladas. De acordo com dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a área cultivada no Estado deve apresentar leve redução de 1,3%, enquanto no Brasil a queda projetada chega a cerca de 11%.

Santa Catarina é o segundo maior produtor de arroz do Brasil (Foto: Aires Mariga/Epagri)

A produtividade catarinense está estimada em cerca de 8,5 mil quilos por hectare, aproximadamente 5% abaixo da safra anterior, que apresentou desempenho excepcional. Ainda assim, o cenário é considerado dentro da normalidade para a cultura. “Os resultados indicam uma safra dentro do esperado”, avalia a analista da Epagri/Cepa, Glaucia Padrão.

Andréia Cristina Oliveira
Assessoria de Comunicação Sape

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Observatório Agro Catarinense

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