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31/03/2026 | Institucional

Aveia branca, amarela ou ucraniana? Como diferenciar as espécies no campo e no laboratório

As diferenças entre aveia branca (Avena sativa subsp. sativa), aveia amarela ou vermelha (Avena sativa subsp. byzantina) e a chamada aveia ucraniana. Com base em avanços da genética, as duas primeiras pertencem à mesma espécie, diferenciando-se por características morfológicas, especialmente na base da semente. Por Epagri

No Sul do Brasil, a época recomendada para formação de pastagens anuais de clima temperado (inverno) com aveias forrageiras é entre os meses de fevereiro a maio. No momento de escolher o cultivar indicado para a semeadura, o produtor e o técnico se deparam com um grande desafio: garantir forragem de qualidade para o gado durante o vazio forrageiro de outono até a primavera.

Muitas vezes, a decisão no balcão da revenda de sementes se resume apenas a “aveia preta, branca ou amarela”. Mas a ciência por trás da melhor escolha vai além da cor da casca da semente. No universo das aveias, a aveia preta (Avena strigosa), que é diploide (2n = 2x = 14 cromossomos), é de mais fácil distinção do que as aveias pertencentes ao complexo hexaploide (com 42 cromossomos). Historicamente, a agronomia dividiu este grupo hexaploide em duas espécies: a aveia branca (Avena sativa) e a aveia amarela/vermelha (Avena byzantina). No entanto, com o avanço da genética molecular, descobriu-se que ambas partilham a mesma genética de base e cruzam-se perfeitamente entre si. Por isso, a botânica moderna atualizou a classificação, rebaixando a A. byzantina a uma subespécie. Hoje, o termo cientificamente correto para ela é Avena sativa subsp. byzantina.

 
Base da semente de Avena sativa subsp. byzantina (Fotos: Divulgação/Epagri)
 

Mas produtores e mesmo técnicos sabem como diferenciá-las no campo e no laboratório? E onde a famosa “aveia ucraniana” entra nessa história? Para entender as diferenças, primeiro precisamos olhar para as origens.

A aveia branca tradicional (Avena sativa subsp. sativa) é descendente da aveia europeia que se espalhou por regiões de clima mais úmido e frio, focada historicamente na produção de grãos. Já a Avena sativa subsp. byzantina tem como origem a região do Mediterrâneo, tendo-se espalhado por locais sujeitos a extremos de temperatura (como América do Sul e Austrália). Agronomicamente, apresenta maior rusticidade, excelente perfilhamento e um ciclo mais longo.

 
Base da semente de Avena sativa subsp. sativa

 

Como diferenciar na prática?

Historicamente, grãos brancos/amarelos apontavam para a subespécie sativa e avermelhados para byzantina. Porém, o descritor morfológico definitivo está na base da semente na hora da desarticulação (maturidade).

Na subespécie byzantina a separação ocorre por abscisão basal, deixando uma cicatriz oval e profunda bem definida (a famosa “boca de sugador”) na base do lema. Na subespécie sativa, a separação ocorre por fratura da ráquila, deixando apenas uma superfície irregular e áspera, sem cavidade.

 

 

E a aveia ucraniana?

No Sul do Brasil, ouvimos falar muito da “aveia ucraniana” por sua suposta extrema resistência ao frio, ciclo longo e alto perfilhamento. Mas a que espécie ela pertence?

Botanicamente, a aveia ucraniana original é um ecótipo rústico de Avena sativa subsp. byzantina ou o resultado de cruzamentos naturais antigas entre as duas subespécies. Ela foi trazida por imigrantes europeus e adaptou-se perfeitamente ao nosso clima do sul do Brasil.

O grande desafio moderno para os pesquisadores e produtores é que a “ucraniana” virou um forte nome comercial. Por isso, hoje vemos situações no mercado que cultivares modernas registradas a partir dessas populações rústicas acabam sendo classificadas e registradas no Ministério da Agricultura como aveias brancas forrageiras (A. sativa), pois o melhoramento genético atual fundiu muito as características visuais das duas subespécies.

No fim das contas, seja sativa ou byzantina, o importante é garantir a genética certa para o vazio forrageiro, pois as duas subespécies têm potencial, dependendo do cultivar.

 

Por: Dediel Rocha, Murilo Dalla Costa e Ulisses de Arruda Córdova, engenheiros-agrônomos e pesquisadores da Estação Experimental da Epagri em Lages.

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