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22/05/2025 | Boletim Agropecuário

Produção cresce e mercado oscila: Boletim Agropecuário de maio destaca cenário do agro em Santa Catarina

Feijão, milho e soja registram aumento na produção; arroz sofre com queda nas exportações e alho mantém preço firme Por Cristiele Deckert

A nova edição do Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa, referente ao mês de maio, aponta crescimento de 14% na produção total de feijão em Santa Catarina, com valorização do tipo carioca e recuo nos preços do feijão-preto. A publicação também destaca a produtividade histórica de milho e soja no estado, enquanto o arroz enfrenta queda de 44% nas exportações, mesmo com rendimento recorde nas lavouras. O alho segue com boa qualidade e preços estáveis, apesar do alto volume de importações. 

O boletim mensal traz dados atualizados sobre produção, preços, clima e mercado, servindo como termômetro do agronegócio catarinense. Confira os destaques do Boletim Agropecuário de maio de 2025:

 

GRÃOS

Arroz: preço do arroz cai em SC, mas estado registra safra recorde

Santa Catarina fechou abril com queda de 30,38% no preço do arroz em relação ao mesmo período de 2024, com a saca de 50 quilos cotada a R$ 73,11. A retração é atribuída ao aumento da oferta no Brasil e no Mercosul, favorecido pelo clima positivo, além da menor competitividade do arroz brasileiro no mercado externo. Apesar do recuo nos preços, o estado registra produtividade recorde na safra, estimada em 8,73 toneladas por hectare. As exportações catarinenses somaram US$ 733,99 mil entre janeiro e abril, uma queda de 44% na comparação anual, com Trinidad e Tobago, Cuba e Senegal como principais destinos.

Feijão: primeira safra impulsiona produção de feijão em SC, apesar da queda nos preços do tipo preto

Abril foi desafiador para o mercado do feijão em Santa Catarina, com oferta elevada da primeira safra nacional pressionando os preços, especialmente do feijão-preto — o mais cultivado no estado — que recuou 15,35%, encerrando o mês a R$ 143,47 a saca de 60 kg. Em contrapartida, o feijão-carioca registrou alta de 5,01%, cotado a R$ 170,75. A segunda safra enfrentou dificuldades com a estiagem no início do ciclo, o que deve reduzir a produção em quase 10%, totalizando cerca de 58,6 mil toneladas. Ainda assim, o bom desempenho da primeira safra garantirá um saldo positivo: a produção total de feijão no estado deve atingir cerca de 129 mil toneladas, crescimento de 14% em relação ao ciclo anterior.

Trigo: preço do trigo segue em alta em SC e semeadura da nova safra começa de forma lenta

Em abril, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses de trigo subiu 1,75%, fechando o mês em R$ 77,54 por saca de 60 kg. Na comparação anual, a alta real chega a 12,92%. A valorização, ainda que moderada, vem ocorrendo desde dezembro de 2024 e reflete a entressafra e a baixa oferta de trigo no mercado interno, que seguem sustentando os preços. Para a próxima safra, a Conab estima crescimento de 2% na área plantada em Santa Catarina, alcançando 127 mil hectares. As operações de semeadura já começaram, mas de forma lenta, com expectativa de maior ritmo a partir da segunda quinzena de maio até o fim de junho, enquanto técnicos da Epagri/Cepa iniciam os primeiros levantamentos de campo.

Milho: preço sofre queda, mas produção cresce mais de 25% 

O preço médio estadual do milho em grão caiu 2,8% em abril em comparação com março e recuou mais 4,9% nos primeiros dias de maio, pressionado por boas condições climáticas no Brasil, que favorecem a segunda safra — responsável por cerca de 70% da produção nacional —, além das perspectivas de safra recorde nos Estados Unidos, Argentina e Ucrânia. Em Santa Catarina, apesar da redução de mais de 13% na área cultivada, a produção cresceu mais de 25% em relação à safra anterior, ultrapassando em 500 mil toneladas o volume colhido no ciclo passado, graças ao recorde de produtividade: 9,8 toneladas por hectare, o maior índice da série histórica. O ganho de produção resultou ainda em uma economia de R$ 115 milhões em frete para a cadeia de suínos e aves do estado. Dados de satélite (NDVI) confirmam o vigor das lavouras catarinenses nesta safra.

Soja: preço teve leve alta em abril, mas início de maio já aponta nova queda 

Após sucessivas quedas desde novembro de 2024, o preço da soja ao produtor catarinense teve leve alta de 0,6% em abril, fechando o mês a R$ 124,00. No entanto, os primeiros dez dias de maio já indicam nova retração, influenciada pela confirmação de boa produção no Brasil e pelo impacto de fatores externos, como a recente trégua na disputa comercial entre Estados Unidos e China. Apesar da pressão nos preços, a safra catarinense apresenta resultados expressivos: a área plantada cresceu 2,2% e a produtividade média deve atingir 4.035 kg/ha — a maior da série histórica —, resultando em uma produção estimada de 3,1 milhões de toneladas, alta de 19,5% em relação ao ciclo anterior.

 

HORTALIÇAS

Alho: preço se mantém estável e encerra safra com boa rentabilidade ao produtor

Em abril e início de maio, o preço do alho ao produtor catarinense permaneceu estável em R$ 17,50/kg, representando alta de 4,97% em relação a março. A safra estadual está na fase final de comercialização e é considerada positiva, com produção total de 7,23 mil toneladas e produtividade média de 10,96 t/ha. A boa qualidade dos bulbos, com bom calibre e sanidade, e os preços acima do custo de produção garantiram rentabilidade ao agricultor. No mercado externo, o Brasil importou 20,11 mil toneladas em abril, com gasto de US$ 26,72 milhões. A China respondeu por 51,38% do volume, seguida pela Argentina, com 48,62%. O preço médio FOB foi de US$ 1,33/kg.

Cebola: preço segue abaixo do custo de produção, apesar de alta no atacado

Em abril, o preço médio recebido pelos produtores catarinenses de cebola permaneceu abaixo do custo de produção, estimado em R$ 1,68/kg, pressionando a rentabilidade da lavoura. Com o fim da comercialização da safra sulista, a menor oferta elevou a demanda por cebolas importadas, fazendo o preço no atacado subir de R$ 53,08 para R$ 55,75 por saca de 20 kg nas primeiras semanas de maio — alta de 5,03%. A safra 2024/25 foi encerrada com produção de 556,4 mil toneladas e produtividade média de 28,8 t/ha. Em abril, o Brasil importou 29,4 mil toneladas, principalmente da Argentina (78,16%) e do Chile (21,66%). No acumulado de 2025, as importações somam 51,4 mil toneladas — 32% abaixo do volume importado no mesmo período de 2024.

 

PECUÁRIA

Bovinos: preço do boi gordo sobe 0,4% em maio e alta anual supera 25%

Santa Catarina registrou alta de 0,4% no preço do boi gordo na primeira quinzena de maio, em contraste com a maioria dos principais estados produtores. Na comparação anual, ajustada pelo IGP-DI, a valorização chega a 25,8%. Os preços dos animais de reposição também cresceram em maio: bezerros subiram 5,3% e novilhos 2,8% em relação a abril, com altas anuais ainda mais expressivas, de 23,9% e 18%, respectivamente. A escassez de animais, causada pelo abate excessivo de fêmeas em 2023/2024 e alterações no ciclo pecuário, impulsiona os valores. A expectativa de recuperação nos preços da arroba estimula a recomposição do rebanho, elevando a demanda por bezerros e novilhos e pressionando as cotações.

Suíno: exportações de carne suína crescem e registram melhor primeiro quadrimestre da história

Santa Catarina exportou 64,7 mil toneladas de carne suína em abril, alta de 10,9% sobre março e 7,1% frente a abril de 2024. As receitas somaram US$ 155,8 milhões, crescimento de 8,5% no mês e 12,4% na comparação anual. No acumulado do primeiro quadrimestre, o estado exportou 240,3 mil toneladas, gerando US$ 579,1 milhões, com aumentos de 8,7% em volume e 17,7% em faturamento ante 2024. Santa Catarina respondeu por 53,6% do volume e 54% das receitas das exportações brasileiras de carne suína no período, marcando o melhor início de ano da série histórica e fortalecendo as expectativas positivas para o setor em 2025.

Frango: alta na produção de carne de frango impulsiona bons resultados 

Santa Catarina exportou 108,3 mil toneladas de carne de frango em abril, volume que representa altas de 2,3% em relação a março e de 4,3% na comparação com abril de 2024. As receitas do mês somaram US$ 229,7 milhões, com crescimento de 4,6% frente ao mês anterior e de 14,5% na comparação anual. No acumulado do primeiro quadrimestre de 2025, o estado embarcou 415,3 mil toneladas e faturou US$ 846,7 milhões — aumentos de 8,9% e 17,3%, respectivamente, em relação ao mesmo período do ano passado. Esse resultado consolida o melhor desempenho da história em valor financeiro para o período, reforçando as expectativas positivas do setor. Santa Catarina foi responsável por 22,9% da quantidade e 24,4% das receitas das exportações brasileiras de carne de frango no ano.

Leite: exportações disparam 389% em abril, mas preço do leite ao produtor deve recuar

Santa Catarina teve forte avanço nas exportações de lácteos em abril, com embarques de 35 toneladas, alta de 389% sobre março e estabilidade em relação a abril de 2024, gerando receita de US$ 100 mil. O destaque ficou para leite fluido, queijos, leite em pó e creme de leite. Já as importações caíram 33% em relação a março e 86% na comparação anual, reduzindo o déficit comercial em 87%. O preço médio do leite ao produtor subiu 2% em abril, para R$ 2,79/litro, mas a tendência para maio é de queda, refletindo excesso de oferta e menor demanda no varejo. No atacado, os derivados lácteos, que vinham em alta desde dezembro, registraram queda nos preços: leite UHT, mussarela e queijo prato recuaram entre março e maio, enquanto o leite em pó permanece estável. Santa Catarina conta com 24.551 produtores de leite, maioria na Mesorregião Oeste, onde o rebanho de fêmeas leiteiras cresceu 4,6%, chegando a 966,7 mil cabeças, apesar da redução no número de propriedades.

 

Veja no vídeo abaixo a apresentação completa do Boletim Agropecuário de Maio no canal do youtube da Epagri online.

 

 

 

Por: Cristiele Deckert, jornalista bolsista Fapesc Epagri/Cepa

 

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Observatório Agro Catarinense
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