Epagri/Cepa apresenta o Boletim Agropecuário de setembro
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) disponibilizou, nesta quinta-feira (17), a edição de setembro do Boletim Agropecuário de Santa Catarina. A publicação reúne dados, análises e informações sobre o desempenho das principais atividades agropecuárias do Estado, abordando aspectos como preços, produção, clima e comportamento dos mercados. O documento pode ser consultado na íntegra neste link.

Além das análises das cadeias tradicionalmente acompanhadas pelos analistas da Epagri/Cepa, a edição de setembro apresenta dados sobre a produção de tabaco em Santa Catarina. A cultura tem importante participação no agronegócio catarinense, especialmente pelo peso econômico da cadeia, pela presença entre as atividades da agricultura familiar e pela inserção nas exportações.
Segundo a Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), na última safra Santa Catarina produziu 223,6 mil toneladas de tabaco, recuo de 1,1% em relação ao ciclo anterior, mantendo participação de 31,5% na produção sul-brasileira. A área cultivada caiu 1,3%, para 93 mil hectares, enquanto a produtividade média ficou em 2.404 kg/ha, 4,6% acima da média do Sul. O número de famílias produtoras chegou a 40.656.
O ciclo foi marcado por perdas pontuais provocadas por geadas, excesso de umidade, granizo e estiagem, além de dificuldades na comercialização. O preço médio recuou 9,7%, para R$ 18,35/kg, e a receita bruta estadual totalizou R$ 4,104 bilhões. Para a safra 2026/2027, a área plantada tende a permanecer em patamar semelhante, em um cenário que exige atenção à qualidade da produção.
Confira, a seguir, os principais destaques do Boletim Agropecuário de setembro de 2026, conforme as principais cadeias produtivas de Santa Catarina:
Preço do arroz reage após período de baixa
O mercado de arroz iniciou o segundo semestre de 2026 com recuperação dos preços ao produtor, após os baixos patamares registrados na colheita. Em agosto, a saca de 50 kg subiu 16,03% em Santa Catarina, para R$ 65,07, e 15,65% no Rio Grande do Sul, para R$ 74,24. Nos primeiros dez dias de setembro, os preços médios chegaram a R$ 70,18 em SC e R$ 79,07 no RS. A alta está associada à menor oferta na entressafra, à recomposição dos estoques das indústrias e à resistência dos produtores em comercializar a preços considerados insuficientes para cobrir os custos.
Para a safra 2026/27, a estimativa inicial da Epagri/Cepa aponta produção de 1,22 milhão de toneladas em Santa Catarina, queda de cerca de 6% em relação à safra anterior. A área prevista é de 143,4 mil hectares, com produtividade média estimada em 8.501 kg/ha. O cenário exige atenção às condições climáticas, especialmente diante da possibilidade de um El Niño forte, que pode provocar excesso de chuvas no Alto Vale do Itajaí e no Litoral Norte. Cerca de 30% da área prevista já havia sido semeada.
Feijão tem comportamentos distintos de preços em agosto
Os preços do feijão apresentaram comportamentos distintos em Santa Catarina, em agosto. O feijão-carioca recuou 6,3% no mês, para R$ 254,21 por saca, enquanto o feijão-preto teve alta de 0,5%, chegando a R$ 192,89/sc. Na comparação anual, porém, ambos mantiveram forte valorização, 77% para o carioca e 68% para o preto.
Para a safra 2026/27, a primeira safra deve registrar redução de quase 18% na área cultivada, estimada em 22 mil hectares. A retração está associada aos altos custos de produção, à menor atratividade econômica e ao aumento do risco produtivo, especialmente diante da influência do El Niño. Apesar da expectativa de alta de mais de 6% na produtividade, para 2.078 kg/ha, a produção deve recuar 13%, para 45 mil toneladas.
Preço do trigo sobe, enquanto área recua
No mercado brasileiro, os preços do trigo recebidos pelos produtores seguem firmes. Em Santa Catarina, a saca de 60 kg subiu 2,7% em agosto, alcançando R$ 70,98, embora ainda registre queda de 4,2% na comparação anual. Até a última semana do mês, 100% da área destinada ao cultivo já havia sido semeada. Das lavouras avaliadas, 97% apresentavam boas condições e 3% estavam em condição regular. Em 63% da área plantada, as lavouras encontravam-se em desenvolvimento vegetativo, enquanto 37% estavam em fase de floração.
Para a safra 2026/27, a expectativa é de redução de 35% na área plantada, que deve chegar a 68 mil hectares. A produtividade média estimada também deve recuar 2,5%, para 3.572 kg/ha. Com isso, a produção estadual está projetada em aproximadamente 243 mil toneladas, volume 37% inferior ao registrado na safra anterior.
Milho tem alta de preço e área maior em 2026/27
O preço médio mensal do milho pago ao produtor catarinense segue em recuperação. Em agosto, a saca subiu 2,7% em relação a julho, alcançando R$ 60,56. A expectativa é de mercado firme em setembro, sustentado pela demanda das indústrias de ração e etanol, pela retenção de oferta pelos produtores e pelas incertezas climáticas globais. No mercado externo, a concorrência argentina e a cautela dos compradores no mercado físico têm limitado a liquidez.
Para a safra 2026/27, a área destinada ao milho grão de 1ª safra deve crescer 2,5%, com acréscimo de 6,6 mil hectares. A produtividade média, por outro lado, deve recuar 0,8%, diante das incertezas associadas à ocorrência de um El Niño forte. O plantio começou em agosto nas microrregiões mais quentes, próximas ao rio Uruguai, e alcançou 24% da área prevista na primeira semana de setembro. Das lavouras implantadas, 96% apresentavam boas condições.
Soja tem alta de preço e leve recuo de área
No mercado catarinense, o preço médio da saca de soja recebido pelos produtores segue em recuperação desde junho de 2026. Em agosto, a cotação chegou a R$ 130,50/sc, alta de 5,8% em relação a julho. Em setembro, houve nova valorização, com o mercado internacional operando em equilíbrio entre a pressão de baixa da safra dos EUA e o suporte vindo da demanda chinesa e alertas do El Niño. No Brasil, o cenário é de baixa liquidez e negócios travados.
Para a safra 2026/27, a estimativa inicial da Epagri/Cepa aponta leve recuo de 0,3% na área cultivada com soja em Santa Catarina. O movimento reflete a cautela dos produtores diante das condições climáticas previstas e a migração pontual para o milho, parcialmente compensada pela melhora recente das cotações da oleaginosa. Com o fim do vazio sanitário, a semeadura será liberada a partir de 22 de setembro na maioria das regiões e de 13 de outubro no Sul do Estado.
Banana tem alta de preços e produção cresce
O mercado de bananas em Santa Catarina registrou valorização dos preços ao produtor entre julho e agosto de 2026, diante da menor oferta nacional. A banana-caturra está sendo vendida a R$ 1,50/kg com alta de 4,1%, enquanto a banana-prata subiu 0,6% sendo pago ao produtor R$ 2,26/kg. Na média, os preços das duas variedades ficaram em R$ 1,88/kg avançando 1,9%. Apesar da alta mensal, as cotações de agosto ficaram 10,6% abaixo das registradas no mesmo mês de 2025 e 26,4% inferiores às de 2024. Para setembro, a expectativa é de desvalorização, com aumento da oferta e menor demanda.
De janeiro a agosto, o Brasil exportou 37,7 mil toneladas de banana, queda de 36,2% em relação ao mesmo período de 2025. Santa Catarina respondeu por 19 mil toneladas, equivalentes a 50,5% do volume exportado pelo país. Para a safra 2026/27, a produção catarinense está estimada em alta de 1,05%, com crescimento de 0,70% na área em produção e de 0,35% na produtividade média. O Litoral Norte concentra 85,1% da produção estadual.
Preço do alho reage e área cultivada recua
No mercado atacadista, o preço do alho subiu 5% entre julho e agosto, passando de R$ 14,10 para R$ 14,75/kg. Apesar da recuperação mensal, a cotação ficou 35% abaixo da registrada em agosto de 2025, quando alcançou R$ 22,66/kg. A queda anual está relacionada principalmente ao aumento de 33% nas importações de 2022 a 2025 que vem afetando o mercado brasileiro puxando o preço para baixo somado à boa produção brasileira. Em agosto, o volume importado recuou 28% em relação a julho, para 9,52 mil toneladas, enquanto os gastos com importações diminuíram 30%, para US$ 11,98 milhões, recuo normal para esta época do ano quando a safra do Cerrado começa a ser comercializada
Em Santa Catarina, a safra 2026/27 segue com bom desenvolvimento, com algumas áreas já em fase de diferenciação. A estimativa permanece em 623 hectares cultivados e produção de 7.043 toneladas. Fraiburgo, Frei Rogério e Curitibanos concentram 77% da produção esperada. A área cultivada é a menor desde 2012, cenário que pode favorecer a recuperação dos preços recebidos pelos produtores.
Preço da cebola cai 24% em agosto
O preço da cebola no mercado atacadista recuou 24% entre julho e agosto, passando de R$ 5,25 para R$ 4,00/kg. Apesar da queda mensal, a cotação ficou 83% acima da registrada em agosto de 2025, quando o quilo era comercializado a R$ 2,18. A safra 2026/27 segue com bom desenvolvimento, embora as chuvas tenham provocado algum atraso na finalização do transplantio das mudas.
As estimativas permanecem em 16.322 hectares de área cultivada e produção de 498,1 mil toneladas. A microrregião de Ituporanga deve responder por 46% da produção e Tabuleiro por outros 18%. A área destinada à cultura é a menor desde 2012, cenário que pode favorecer os preços ao produtor. Em agosto, as importações somaram 461 toneladas, queda de 95% em relação a julho, enquanto os gastos recuaram 90%, para US$ 285 mil.
Preço do boi gordo avança 13,4% em um ano
No início de setembro, o preço médio estadual do boi gordo em Santa Catarina chegou a R$ 360,62 por arroba, alta de 1,1% em relação ao mês anterior. A maioria das regiões registrou valorização, com destaque para o Planalto Norte, onde o preço subiu 5,9%. Na comparação com setembro de 2025, considerando a correção pelo IGP-DI, a atual média estadual está 13,4% maior.
A alta ocorre em um cenário de menor disponibilidade de animais para abate, relacionada à mudança do ciclo pecuário, o que reduz a pressão sobre os preços. No atacado, os cortes bovinos também registraram valorização: a carne de dianteiro subiu 1,6% e a de traseiro, 0,4%, resultando em alta média de 1,0% nas primeiras semanas de setembro. No acumulado do ano, a carne bovina no atacado registra valorização de 13,1%.
Exportações de frango de SC crescem 18,1%
Em agosto, Santa Catarina exportou 106 mil toneladas de carne de frango, queda de 7,4% em relação a julho, mas alta de 18,1% na comparação com agosto de 2025. As receitas somaram US$ 234,8 milhões, redução de 4,8% no mês e crescimento de 31,8% em um ano. Em termos de receitas, esse foi o melhor resultado da história para um mês de agosto.
De janeiro a agosto, os embarques totalizaram 866,6 mil toneladas e US$ 1,85 bilhão, altas de 14,5% e 20,1%, respectivamente, frente a 2025. O período registra recorde histórico em receitas e o segundo maior volume. A suspensão das exportações para a União Europeia preocupa o setor, já que aquele bloco econômico foi o destino de 85,9 mil toneladas de frango catarinense de janeiro a agosto deste ano, gerando US$ 280,5 milhões, o que representa 11,7% da quantidade total exportada pelo estado no período e 17,8% das receitas. O impacto ainda depende da duração da medida e da concretização da perspectiva de redirecionamento dos volumes para outros mercados.
Exportações de carne suína batem recorde
Santa Catarina exportou 63,8 mil toneladas de carne suína em agosto, queda de 1,1% em relação a julho, mas alta de 13,3% na comparação com agosto de 2025. As receitas somaram US$ 154,7 milhões, recuo de 3,2% no mês e crescimento de 9,8% em um ano. Os resultados representam o melhor desempenho da série histórica para o mês de agosto, tanto em volume quanto em receitas.
De janeiro a agosto, os embarques totalizaram 501,2 mil toneladas e US$ 1,25 bilhão, altas de 2,4% e 3,4%, respectivamente, frente ao mesmo período de 2025. O resultado é o melhor da série histórica para os oito primeiros meses do ano. No período, Santa Catarina respondeu por 48,6% do volume e 51,6% das receitas das exportações brasileiras de carne suína.
Leite chega a R$ 2,76/litro ao produtor em agosto
Em Santa Catarina, o preço médio do leite recebido pelos produtores subiu 1,8% entre julho e agosto de 2026, passando de R$ 2,71 para R$ 2,76 por litro. Nos primeiros dez dias de setembro, porém, a cotação recuou para R$ 2,73/litro, ainda 8,8% acima do valor registrado no mesmo período de 2025. A projeção do Conseleite/SC para o leite entregue em agosto e pago em setembro também indica acomodação, com queda de 1,7%, para R$ 2,56/litro. Em agosto, predominaram altas nas regiões catarinenses, com destaque para o Alto Vale do Rio do Peixe, com avanço de 4%, enquanto o Meio Oeste registrou queda de 3%.
No comércio exterior, o déficit da balança de lácteos aumentou em agosto. As importações chegaram a 830 toneladas, alta de 17,2% em relação a julho e de 36,5% na comparação anual, enquanto as exportações somaram apenas 22,8 toneladas. Os queijos responderam por 65,9% das importações, seguidos pelo leite em pó, com 17,1%, e a Argentina foi responsável por 81,8% do volume importado.