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12/06/2026 | Desenvolvimento Rural

Epagri/Cepa divulga estimativas da safra de inverno 2026/27 em cenário de El Niño

Epagri/Cepa apresenta estimativas iniciais em cenário de chuvas frequentes e influência do El Niño, com impactos nas olerícolas e nos grãos Por Cristiele Deckert

Na última sexta-feira (12), a Epagri/Cepa apresentou as estimativas iniciais da safra de inverno 2026/27 em Santa Catarina, com dados levantados por uma rede técnica que cobre todas as regiões do estado e divulgação realizada pelo canal do YouTube da Epagri. O levantamento ocorre em um contexto de previsão climática marcada por temperaturas amenas, elevada umidade e chuvas frequentes nos próximos meses, cenário associado à atuação do El Niño e que deve influenciar diretamente o desempenho das culturas de inverno, exigindo ajustes no manejo, especialmente nas olerícolas e nos grãos.

Nas olerícolas, alho e cebola tendem a ser os mais impactados. O excesso de chuva aumenta o risco de encharcamento do solo e de doenças bacterianas. No alho, a umidade elevada pode comprometer a sanidade das lavouras, especialmente em áreas com drenagem limitada. Na cebola, o tempo instável torna o produto aquoso, desfavorecendo o armazenamento por longos períodos. Ainda, a depender dos períodos em que ocorrerá a instabilidade,  o transplantio das mudas e outras operações do campo podem ser impactadas , exigindo maior aproveitamento das janelas de tempo firme.

Entre os grãos de inverno, trigo, aveia e cevada também exigem atenção. No trigo, a maior frequência de chuvas eleva o risco de doenças e dificulta o manejo, principalmente em fases sensíveis do ciclo. A aveia-grão pode se beneficiar da umidade na fase inicial, desde que não haja encharcamento prolongado. Já a cevada, com cultivo mais restrito, demanda cuidado com drenagem e sanidade das lavouras.

El Niño traz inverno mais ameno e úmido, favorecendo as lavouras em SC (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, Santa Catarina possui políticas públicas consolidadas para apoiar os produtores em momentos de eventos climáticos extremos. “Atuamos tanto na recuperação dos prejuízos, com programas como o Reconstrói SC, o Pronampe Agro SC Emergencial e o Recupera Maçã SC, quanto na prevenção, por meio de iniciativas como o Kit Solo Saudável e o Programa Cereais de Inverno.  Nosso objetivo é promover mais segurança para que o produtor continue produzindo mesmo diante das adversidades climáticas”, destaca Dalla Cort.

O presidente da Epagri, Dirceu Leite, afirmou que a instituição está mobilizada para apoiar os agricultores catarinenses diante dos desafios que podem afetar as safras, com equipes de pesquisa e extensão acompanhando as condições de clima e solo, emitindo orientações, alertas e reforçando práticas de conservação, como o plantio direto e o terraceamento. “Orientamos aos produtores a acompanharem os avisos e boletins da Epagri e a procurarem o escritório mais próximo do município. Com informação, planejamento e trabalho conjunto, vamos enfrentar mais este desafio climático e buscar uma boa safra para Santa Catarina”, recomenda Leite.

De acordo com a meteorologista da Epagri/Ciram, Marilene de Lima, o outono segue com períodos de frio pouco rigoroso, porém o inverno será ameno, temperaturas sem extremos e com risco de geadas mais concentrados em áreas altas do Meio-Oeste e no Planalto Sul, com maior nebulosidade e chuvas frequentes. Diante desse cenário, a orientação é acompanhar diariamente as atualizações da previsão do tempo e adequar o manejo das lavouras, reduzindo riscos produtivos e operacionais ao longo da safra de inverno.

Confira abaixo as estimativas preliminares das safra de inverno 2026/27 em SC:

Alho: A estimativa indica queda de 13% na área plantada, de 747 para 647 hectares, e recuo de 17% na produção, de 8,8 mil para 7,3 mil toneladas. A região de Curitibanos segue como principal polo produtor, com mais da metade da área cultivada no estado, destacando-se os municípios de Fraiburgo e Frei Rogério, que concentram 52% do total.

Cebola: Com preços abaixo do custo de produção no início de 2026, o que levou os produtores a reduzir a área plantada em 9%, para 17,4 mil hectares. Mesmo com ganho estimado de 1% na produtividade, a produção total deve recuar 9%, para 576,4 mil toneladas. A principal região produtora segue sendo Ituporanga, que concentra 46% da área cultivada, com destaque também para Alfredo Wagner entre os municípios com maior área.

Trigo: As estimativas iniciais apontam retração de cerca de 27% na área plantada, que deve cair de 104,5 mil para aproximadamente 76,2 mil hectares, além de redução de 2,8% na produtividade média, resultando em uma produção estimada em 271 mil toneladas, volume 29% menor que o da safra anterior. 

Aveia-grão: A produção está estimada em cerca de 60 mil toneladas, crescimento de 12,8% em relação ao ciclo anterior, enquanto a área cultivada deve se aproximar de 37 mil hectares, alta de 12,3%, impulsionada sobretudo pela incorporação de novas áreas no acompanhamento, com destaque para municípios do Planalto Sul catarinense.

Cevada: A estimativa é de plantio de 500 hectares no estado, crescimento de 13,6% em relação ao ciclo anterior, com produção prevista de cerca de 2 mil toneladas, alta de 3,8%, mantendo a cevada como uma alternativa ainda pontual para os produtores catarinenses.

Inteligência socioeconômica do campo 

O levantamento da produção agropecuária em Santa Catarina é feito por assistentes de pesquisa que levantam dados junto a informantes nas regiões mais relevantes em produção do estado. Entre esses informantes estão extensionistas da Epagri, cooperativas, prefeituras, sindicatos, bancos e outras instituições que atuam no meio rural.

Após esta etapa, os dados passam por análise estatística para avaliar variações na área plantada, produção e rendimento, comparando estimativas iniciais e finais, além da safra atual com a anterior. Reuniões técnicas complementam o processo, com a participação de pesquisadores que acompanham os mercados de cada produto.

Ao destacar a importância do acompanhamento contínuo do setor agropecuário, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Haroldo Tavares Elias, explica que o monitoramento sistemático da produção e do mercado é estratégico para o planejamento das safras, a organização da armazenagem e a logística de distribuição, além de subsidiar decisões do governo, cooperativas, institutos de pesquisa e demais agentes das cadeias produtivas. “Essas projeções permitem identificar tendências, prospectar novos mercados e fundamentar políticas públicas mais eficientes para os produtores catarinenses”, ressalta.

Por: 

Cristiele Deckert

Jornalista | Bolsista Fapesc Epagri/Cepa

📧 cristieledeckert@epagri.sc.gov.br

 

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Observatório Agro Catarinense

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