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17/04/2026 | Boletim Agropecuário

Setor leiteiro dá sinais de recuperação em 2026, aponta Boletim Agropecuário da Epagri/Cepa

Brasil registra alta de 8,4% na captação de leite em 2025, com Santa Catarina retornando a 4ª posição no ranking nacional Por Cristiele Deckert

A divulgação dos dados do quarto trimestre de 2025 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) confirmou o aumento  da captação de leite no país. As informações integram o Boletim Agropecuário de abril, publicação mensal do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), que reúne dados atualizados sobre produção, preços, clima e mercado e serve como indicador do desempenho do agronegócio catarinense.

O volume anual alcançou 27,51 bilhões de litros em 2025, crescimento de 8,4% frente a 2024, indicando retomada mais consistente da oferta nacional após um período de avanço mais moderado. Minas Gerais manteve a liderança, com 24% da captação total, seguido pelo Paraná. O Rio Grande do Sul retomou a terceira posição no ranking, enquanto Santa Catarina ficou em quarto lugar, com 3,5 bilhões de litros e alta de 6,4%, mantendo participação próxima de 13% do total brasileiro e evidenciando estabilidade da estrutura produtiva estadual.

A analista da Epagri/Cepa, Andrea Castelo Branco, avalia que a recuperação dos preços do leite ao produtor, a partir de fevereiro de 2026, ocorre após oito meses de queda provocados principalmente pelo aumento da oferta. Em 2025, a captação nacional cresceu 8,4%, ampliando a disponibilidade interna e pressionando os valores pagos, enquanto as importações, apesar de contribuírem para o aumento da oferta,  tiveram influência menor por ficarem abaixo do volume registrado em 2024.

“A reação dos preços observada a partir de fevereiro reflete um processo de ajuste depois de um período prolongado de excesso de oferta. O crescimento da produção em 2025 foi o principal fator de pressão baixista. Para 2026, a recuperação dependerá do equilíbrio entre oferta e demanda e, em estados como Santa Catarina, tende a ser mais gradual se a produção seguir elevada”, afirma.

Mercado externo

No comércio exterior, a balança láctea brasileira permaneceu deficitária em março de 2026. As exportações somaram 3,2 mil toneladas, volume estável em relação a fevereiro, mas 4% inferior ao registrado um ano antes. A receita recuou tanto na comparação mensal quanto interanual. As importações, por sua vez, avançaram quase 30% frente a fevereiro e março de 2025, totalizando 28,3 mil toneladas, com forte predominância do leite em pó, o que ampliou o saldo negativo da balança.

Em Santa Catarina, as exportações de lácteos alcançaram 75,5 toneladas em março de 2026. Embora o volume tenha recuado na comparação mensal, o resultado representa crescimento expressivo frente a março de 2025. As importações somaram 639 toneladas, acima de fevereiro, mas bem abaixo do observado um ano antes. O estado registrou déficit comercial de aproximadamente 563 toneladas no mês, maior que o de fevereiro, porém cerca de 40% menor do que o registrado em março de 2025, sinalizando alguma melhora relativa no desempenho externo.

SC retornando a mantendo 4ª posição no ranking nacional (Foto: Aires Mariga/Epagri)

Castelo Branco destaca que a ampliação de mercados para o leite passa pelo fortalecimento das exportações, mas o Brasil e Santa Catarina ainda apresentam baixa competitividade internacional. De acordo com a analista, os preços internos elevados, influenciados pelos custos de produção e um moeda relativamente valorizada, encarecem o produto brasileiro no exterior, enquanto países como a Argentina se beneficiam da desvalorização cambial. Entretanto, apesar da desvalorização cambial estimular exportações, gera efeitos indesejáveis, como o aumento do custo dos bens e serviços importados,  não se configurando, portanto, como uma estratégia sustentável isoladamente. 

“A estratégia mais sólida é ampliar a eficiência produtiva, com redução de custos e ganho de escala. Sistemas mais eficientes, como o modelo de produção à base de pasto preconizado pela Epagri, são fundamentais para fortalecer a competitividade da cadeia láctea sem depender exclusivamente do câmbio”, pontua Andrea.

Preços

No cenário estadual, os preços do leite cru em Santa Catarina mostram reação em 2026. O Conseleite/SC projetou valor de referência próximo de R$ 2,33 por litro para abril, enquanto os dados da Epagri/Cepa indicam preço médio de R$ 2,35 nos primeiros dias do mês. A recuperação é gradual e ocorre após as mínimas observadas no início do ano, mas ainda não recompõe as perdas acumuladas, já que os valores seguem cerca de 17% abaixo dos registrados em abril de 2025.

Os derivados do leite também apresentaram valorização no atacado nos primeiros meses de 2026. Leite UHT, mussarela e queijo prato tiveram altas sucessivas entre fevereiro e abril, reforçando o processo de recomposição de preços ao longo da cadeia. O leite em pó mostrou comportamento mais estável, com oscilações moderadas. Regionalmente, a maioria das praças catarinenses registrou aumento mensal no preço pago ao produtor em março, embora, na comparação com o mesmo mês de 2025, os valores ainda permaneçam em patamares inferiores, evidenciando que a recuperação do setor segue em curso, mas ainda incompleta.

No conteúdo em vídeo, Andrea Castelo Branco, analista da Epagri/Cepa, analisa a conjuntura do leite em Santa Catarina e os principais movimentos do mercado, com base nas informações do Observatório Agro Catarinense.

Boletim Agropecuário catarinense do mês de abril/2026

O Boletim Agropecuário é uma publicação mensal produzida pelo Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola da Epagri (Cepa). A edição reúne informações atualizadas sobre produção, preços, clima e mercado, funcionando como um termômetro do desempenho do agronegócio catarinense. O conteúdo completo deste mês está disponível neste link. Confira os destaques das principais culturas do agro de Santa Catarina presentes no Boletim Agropecuário de abril de 2026:

Arroz em Santa Catarina tem alta nos preços, mas margens seguem negativas

Os preços do arroz em casca registraram forte valorização em março e no início de abril em Santa Catarina, acompanhando o movimento observado no Rio Grande do Sul. No estado, o valor médio pago ao produtor chegou a R$ 52,92 por saca de 50 kg em março, alta de 8,42% sobre fevereiro, e avançou para R$ 57,56 no primeiro decêndio de abril, aumento de 8,76% na comparação mensal. Apesar da recuperação, as cotações seguem abaixo do custo de produção estimado em R$ 72,56 por saca, o que mantém pressão sobre a rentabilidade e incentiva a retenção de produto por parte dos agricultores, reduzindo a oferta no mercado físico e elevando pontualmente as ofertas das indústrias. No comércio exterior, as exportações de arroz somaram US$ 858,05 mil entre janeiro e março de 2026, alta de 35% frente ao mesmo período do ano anterior. Para a safra 2025/26, a Epagri/Cepa projeta leve retração de área e produtividade, com área semeada já em 100% e 92% da colheita concluída até o fim de março, indicando um ciclo considerado normal, porém com desempenho menos expressivo que o da safra anterior.

Soja reage levemente em março em Santa Catarina

Em março, a cotação média da soja ao produtor em Santa Catarina registrou leve recuperação de 1,6%, alcançando R$ 117,09 por saca, após um início de ano marcado por pressão de preços diante da safra volumosa colhida no Brasil e da maior oferta global da oleaginosa. A volatilidade recente tem sido influenciada pelo conflito no Oriente Médio, que elevou os preços do petróleo e do óleo de soja. Na safra 2025/26, a primeira safra teve redução de 1,6% na área plantada e queda de 5,5% na produtividade, resultando em produção estadual 7% menor. Em contrapartida, a segunda safra avançou 21,4% em área, superando 70 mil hectares, com a produção total de soja no estado estimada em 3,1 milhões de toneladas.

Oferta elevada pressiona mercado de milho em 2026

O mercado de milho segue sob pressão negativa em Santa Catarina, com preços próximos de R$ 59,00 por saca, baixa liquidez e retração de 2,09% na média estadual nos últimos 30 dias. A colheita da safra de verão e da safrinha reforça a elevada oferta em 2026, favorecida por condições climáticas mais regulares, enquanto os mercados de Bolsa de Chicago e da B3 refletem estoques confortáveis projetados pelo USDA e menor competitividade das exportações brasileiras, parcialmente compensada pela demanda por etanol e DDGS para a China. Na primeira safra 2025/26, a área cresceu 2%, mas a produtividade caiu 9%, enquanto na segunda safra houve forte redução de área, queda de produção e impacto da estiagem no Alto Vale do Itajaí, resultando em oferta abundante que comprime margens de produtores médios, embora o bom vigor das lavouras assegure abastecimento e sustentação da renda no campo.

Menor oferta eleva preços do feijão em SC

O mercado de feijão em Santa Catarina apresentou forte valorização em março e início de abril de 2026, impulsionado pela menor oferta estadual. O feijão-carioca subiu 10,97% em março, para R$ 237,38 por saca, e voltou a avançar 8,53% em abril, alcançando R$ 257,62, acumulando alta de 46,87% na comparação com março de 2025. O feijão-preto também registrou alta mensal de 9,60% em março, com preço médio de R$ 156,03 por saca, embora ainda esteja 7,70% abaixo do valor do ano anterior. A primeira safra foi marcada por adversidades climáticas e redução de área, com queda de 24% no plantio e recuo de 26,7% na produção, totalizando 52,5 mil toneladas. Na segunda safra, apesar do bom estado das lavouras e ganho de produtividade, a forte redução de área deve resultar em nova queda de produção, estimada em 33,9 mil toneladas.

Maçã recua no atacado em Santa Catarina

O mercado de maçãs em Santa Catarina apresentou forte desvalorização no atacado entre fevereiro e março de 2026, pressionado pelo aumento da oferta com o avanço da colheita. Na Ceasa/SC, o preço médio caiu 24,4% no período e ficou 12,1% abaixo do registrado em março de 2025. As quedas foram puxadas pelas variedades Gala e Fuji, com recuos de 21,6% e 26,3% no mês, respectivamente. A expectativa é de manutenção da pressão em abril, com intensificação da colheita em todas as regiões produtoras. Na Ceagesp, a maçã catarinense teve queda de 15,4% entre fevereiro e março e de 22,4% na comparação anual, enquanto a fruta importada seguiu com preços mais elevados. A safra 2025/26 deve registrar recuperação de 32% na produção, ampliando a oferta e mantendo o viés de baixa nos preços.

Excesso de oferta pressiona preços do alho catarinense

A comercialização da safra 2025/2026 do alho catarinense segue travada pelo excesso de oferta no mercado interno e pela concorrência do produto importado, com apenas 40% da produção vendida até o momento e grande volume ainda estocado nos galpões dos produtores. Em março, o preço do alho nobre tipos 4 e 5 recuou 5% frente a fevereiro, para R$ 7,43 o quilo ao produtor, enquanto no atacado a cotação caiu 2%, para R$ 12,58, os menores patamares dos últimos 24 meses, apesar da safra recorde em produtividade, que atingiu 11,8 toneladas por hectare, maior rendimento desde 2012, e produção total de 8.838 toneladas, resultado de bom manejo e clima favorável. Mesmo com a redução de 6% nas importações em março, para 16,66 mil toneladas, ao custo de US$ 20,11 milhões, o volume externo segue elevado e continua pressionando o mercado estadual.

Safra recorde de cebola em Santa Catarina

A safra de cebola 2025/2026 em Santa Catarina foi encerrada com produção recorde superior a 630 mil toneladas, a maior desde 2012. A produtividade também atingiu nível histórico, com média de 32,9 toneladas por hectare. Até março, cerca de 70% da safra já havia sido comercializada. Aproximadamente 30% do volume ainda permanece disponível no mercado. A redução gradual da oferta contribuiu para a forte reação dos preços ao produtor. A cebola pera classes 3 a 5 foi vendida a R$ 1,63 o quilo em março. O valor representa alta de 125% em relação a fevereiro. No atacado, os preços subiram 48%, alcançando R$ 2,52 o quilo. Paralelamente, as importações cresceram de forma expressiva. O volume importado passou de 417 toneladas em fevereiro para 23.355 toneladas em março. Mesmo com maior entrada de produto externo, os preços da cebola importada se mantiveram estáveis. Em março, o quilo foi cotado a US$ 0,23.

Oferta restrita sustenta alta do boi gordo em SC

O preço do boi gordo segue em trajetória de alta em Santa Catarina, movimento que se intensificou a partir de fevereiro e ganhou força na primeira quinzena de abril, com elevação média estadual de 1,8% em relação ao mês anterior. Na comparação com abril de 2025, os valores corrigidos pelo IGP-DI indicam ganho real de 12,2%. A valorização ocorreu na maior parte das regiões do estado, com destaque para o Meio Oeste, onde os preços avançaram 5,6%, e para o Litoral Norte, com alta de 3,5%. O cenário é sustentado pelas exportações brasileiras em patamares recordes, especialmente para a China, e pela oferta cada vez mais restrita de animais para abate, reflexo da mudança do ciclo pecuário e da maior retenção de fêmeas no campo.

Exportações de frango avançam em Santa Catarina

Santa Catarina exportou 109,0 mil toneladas de carne de frango em março, volume 4,2% maior que o de fevereiro e 2,7% acima do registrado no mesmo mês de 2025. A receita somou US$ 222,8 milhões, com altas de 3,5% na comparação mensal e de 1,5% no comparativo anual. No acumulado do primeiro trimestre, os embarques alcançaram 316,7 mil toneladas e US$ 664,3 milhões, crescimento de 3,2% em volume e de 7,7% em receita frente a 2025, configurando o melhor resultado histórico em faturamento e o segundo maior volume para o período. Apesar do avanço geral, as exportações para o Oriente Médio recuaram em março, impactadas pelo conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, com efeitos logísticos e aumento de custos, cenário compensado pela expansão das vendas para mercados como Japão, China e Chile. No trimestre, o estado respondeu por 24,5% da receita e 22,3% do volume das exportações brasileiras de carne de frango.

Exportações de suínos batem recorde em Santa Catarina

Santa Catarina exportou 70,4 mil toneladas de carne suína em março, volume 25,3% superior ao de fevereiro e 20,8% acima do registrado no mesmo mês de 2025. A receita alcançou US$ 177,6 milhões, com crescimento de 28,3% no comparativo mensal e de 24,3% na comparação anual. No acumulado do primeiro trimestre, os embarques somaram 182,4 mil toneladas e US$ 454,3 milhões em receitas, altas de 4,0% e 7,5%, respectivamente, em relação a 2025, configurando o melhor desempenho da série histórica para o período. O estado respondeu por 47,8% do volume e 50,1% da receita total das exportações brasileiras de carne suína no trimestre, reforçando sua liderança nacional no setor.

Fonte: Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) 

Mais informações: Boletim Agropecuário de Abril/26  

Por: 

Cristiele Deckert

Jornalista | Bolsista Fapesc Epagri/Cepa

📧 cristieledeckert@epagri.sc.gov.br

 

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