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26/03/2025 | Produção Agropecuária

Epagri monitora a emissão de gases do efeito estufa na pecuária de SC

O projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero da Epagri revela que a pecuária catarinense emite menos gases de efeito estufa do que as estimativas do IPCC, destacando a importância de práticas sustentáveis no setor. Por Epagri

O aquecimento global, as mudanças climáticas e as consequências extremas cada vez mais frequentes em diversas regiões do planeta colocam o assunto como pauta recorrente no mundo todo. Em Santa Catarina, não é diferente. 

Dentro do projeto Pecuária ConSCiente Carbono Zero, iniciado em 2022, a equipe da Epagri avalia a emissão de gases do efeito estufa nos sistemas forrageiros mais utilizados no Estado. Conduzido pelo engenheiro-agrônomo Cassiano Eduardo Pinto, pesquisador da Estação Experimental de Lages, o estudo ocorre também nos municípios de Campos Novos, Canoinhas, Chapecó e Curitibanos. O projeto é um esforço de 18 pesquisadores da Epagri, Embrapa Pecuária Sul, Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Dados preliminares da pesquisa mostram que pecuária catarinense emite menos gases do que afirma IPCC (Foto: Divulgação/Epagri)

O experimento consiste em câmaras estáticas que simulam ambientes fechados. Nestas atmosferas são depositadas amostras com urina, ureia e esterco sobre o solo, simulando o ambiente de pastejo com os bovinos. O que o experimento busca medir é o processo natural onde são gerados três gases principais: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, maiores responsáveis pelo efeito estufa. 

Durante 90 dias, amostras do ar são coletadas com seringa pelos pesquisadores e enviadas para análise em laboratório na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre. Já as amostras do solo são remetidas para a Universidade Federal de Santa Maria.

“O efeito estufa é um fenômeno natural responsável pelo surgimento da vida na terra. Com a evolução da humanidade a partir da era industrial, há uma concentração destes gases na atmosfera, o que retém mais calor e tem elevado as temperaturas. O propósito do experimento é avaliar como isso acontece nos sistemas pecuários em nível local, medir as emissões da relação solo-planta e quantificar a pegada de carbono na pecuária catarinense, principalmente para sabermos onde estamos e como podemos melhorar ou mitigar a emissão de gases do efeito estufa, colaborando com a redução das mudanças climáticas”, explica o engenheiro-agrônomo Cassiano Eduardo Pinto.

 

Pecuária emite menos gases e figura como protagonista

Os dados preliminares mostram que a pecuária catarinense emite muito menos gases do que afirma o Intergovernmental Panel on Climate Change (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), o IPCC, órgão das Nações Unidas (ONU) criado em 1988 para avaliar as mudanças climáticas. O pesquisador Cassiano Eduardo Pinto explica que, enquanto o IPCC indica 2% de emissão no caso de fezes e urina de gado, os estudos da Epagri apontam que o índice é de apenas 0,3% a 0,4%. 

Câmaras estáticas simulam ambientes fechados (Foto: Epagri Canoinhas)

“É uma redução muito grande, de 20% a 30% do que o IPCC aponta. E esta já é uma grande notícia. Obviamente, os produtores que fazem bom manejo do pasto e usam boas práticas de produção agropecuária, pegarão o carbono que está no ar e o deixarão retido no solo pela fotossíntese das plantas que são alimentos para os animais. Então, este é o nosso propósito: além de demonstrar o quanto estamos emitindo no sistema, provar que, sim, é possível produzir e conservar”, conclui o pesquisador da Epagri Lages.

O objetivo final do estudo, nos próximos anos, é a emissão de um selo que caracterize o bom pecuarista e ateste que ele segue as recomendações técnicas e se preocupa com a natureza, associando qualidade e responsabilidade e agregando ainda mais valor aos produtos que há décadas conquistam e já são consagrados entre os consumidores mais exigentes.

 

Por Pablo Gomes, jornalista bolsista Epagri/Fapesc

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