Ir direto para menu de acessibilidade.
02/07/2026 | Desempenho Agro

Câmara Setorial de Grãos debate cenário do milho em Santa Catarina

Reunião online analisou safra, mercado e perspectivas para o ciclo 2026/27, com foco no contexto nacional e internacional Por Cristiele Deckert

A Câmara Setorial de Grãos de Santa Catarina realizou, nesta quinta-feira (2 de julho), uma reunião online dedicada à cadeia do milho, com foco na análise da safra, do mercado e das perspectivas para o ciclo 2026/27. O encontro reuniu representantes do setor produtivo, da pesquisa, da extensão rural e de instâncias governamentais. A transmissão ocorreu ao vivo pelo YouTube, ampliando o acesso às discussões técnicas.

 

Com mais de 2,5 milhões de toneladas, o milho segue entre as principais culturas agrícolas de SC (Foto: Aires Mariga/Epagri)

 

Na programação, Haroldo Tavares Elias da Epagri/Cepa, apresentou a conjuntura do milho em Santa Catarina, com análise do cenário nacional e internacional. O panorama da safra dos Estados Unidos foi detalhado por Marina Dallabetta, diretamente de Iowa, trazendo reflexos do mercado norte-americano sobre os preços e a oferta global.

O debate contou ainda com a participação de Enori Barbieri, da Câmara Setorial do Milho do Ministério da Agricultura, que abordou temas ligados às políticas e à articulação institucional do setor. Os aspectos técnicos dos sistemas de produção foram apresentados por Maurilio Fernandes de Oliveira, da Embrapa Milho e Sorgo, enquanto Ricieri Verdi, coordenador do Programa Grãos da Extensão Rural, destacou ações de assistência técnica e estratégias de manejo adotadas no estado.

 

Lavoura de milho reflete avanço técnico e produtividade no estado (Foto: Aires Mariga/Epagri)

 

O encontro reforçou a importância do alinhamento entre produção, mercado e políticas públicas para enfrentar os desafios da próxima safra e garantir competitividade à cadeia do milho em Santa Catarina.

“O milho é essencial para a agricultura catarinense. Por isso, acompanhar de perto a safra, o mercado e as perspectivas para os próximos anos ajuda produtores, técnicos e o poder público a planejar melhor as ações e tomar decisões com mais segurança”, afirma o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Edi Dalla Cort.

 

Milho avança em SC apesar da queda de área 

A produtividade do milho em Santa Catarina segue em trajetória de alta e tem sido decisiva para mitigar os efeitos da redução da área cultivada no estado. Nas duas últimas safras, a média estadual superou 9 toneladas por hectare, chegando a 9,4 t/ha. Para Haroldo Elias Tavares, da Epagri/Cepa, o resultado confirma que o desempenho da cultura está diretamente ligado às condições de produção. “Quando o clima colabora e o produtor investe em manejo, fertilidade do solo e tecnologia, o milho consegue expressar todo o seu potencial produtivo, mantendo a produção mesmo com menos área plantada”, afirma.

O avanço é relevante diante da redução de quase 100 mil hectares de milho grão em Santa Catarina nos últimos dez anos, substituída principalmente por milho silagem e soja. Apesar do ganho de produtividade, o estado ainda apresenta déficit estrutural, já que consome mais de 8 milhões de toneladas por ano para abastecer as cadeias de suínos, aves e leite, enquanto a produção local gira em torno de 2,7 milhões de toneladas. Segundo Tavares, parte desse resultado positivo também está ligada ao controle da cigarrinha-do-milho, ao uso de variedades adaptadas e às ações de conservação do solo conduzidas pela pesquisa e pela extensão rural.

Milho mantém alto desempenho produtivo e papel estratégico na renda do produtor (Foto: Aires Mariga/Epagri)

 

Para a próxima safra, o cenário climático reforça o otimismo. Enori Barbieri, da Câmara Setorial do Milho do Ministério da Agricultura, avalia que a previsão de El Niño no Sul do Brasil cria uma janela estratégica para o plantio. “O milho responde muito bem à boa disponibilidade hídrica e Santa Catarina tem condições de acompanhar o clima e aproveitar esse momento para fazer uma lavoura tecnicamente bem conduzida”, avalia.

Barbieri destaca ainda que a combinação entre possível quebra da segunda safra no Centro-Oeste e demanda elevada das cadeias de proteína animal e do etanol tende a sustentar preços mais atrativos. “Se a oferta nacional de milho for menor, o mercado reage e o produtor catarinense pode encontrar no milho um excelente negócio na próxima safra”, conclui.

 

Por: 

Cristiele Deckert

Jornalista | Bolsista Fapesc Epagri/Cepa

📧 cristieledeckert@epagri.sc.gov.br

 

Início da página
Acessar o conteúdo
Observatório Agro Catarinense
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.