Mercado de terras agrícolas reflete força do agro catarinense
A Epagri/Cepa divulgou, em abril de 2026, o levantamento dos preços de terras agrícolas referentes ao ano de 2025. Realizado de forma contínua desde 1997, o estudo apresenta valores médios por município para seis classes de terra e se consolida como uma das principais referências técnicas para o acompanhamento do mercado fundiário rural em Santa Catarina.
Este levantamento acontece para monitorar a evolução dos preços das terras utilizadas na produção agropecuária, fornecendo subsídios para a formulação de políticas públicas, estudos técnicos e projetos do setor. A analista da Epagri, Glaucia de Almeida Padrão, ressalta que os dados também servem de referência para prefeituras municipais e produtores rurais, especialmente para fins declaratórios.

Os preços das terras agrícolas em Santa Catarina em 2025 apresentam forte variação conforme o tipo de área, a aptidão produtiva e a localização. As terras de primeira, com maior potencial agrícola, registraram os maiores valores, com destaque para Campos Novos, onde o preço médio chegou a R$ 169 mil/ha. Aparecem também entre as áreas mais valorizadas as várzeas sistematizadas, especialmente em regiões produtoras de arroz, como Turvo, com valor médio de R$ 164 mil/ha.
Na outra ponta estão as áreas com limitações produtivas ou uso restrito. As terras de segunda tiveram valor médio de R$ 38,34 mil/ha em Lebon Régis, enquanto as terras de terceira, caracterizadas por alta declividade, alcançaram R$ 19,75 mil/ha em Calmon. O campo nativo foi avaliado em R$ 19,91 mil/ha em Lages, e as terras destinadas à servidão florestal ou reserva legal apresentaram os menores preços, com média de R$ 10,37 mil/ha em Otacílio Costa.
Os resultados evidenciam as diferentes dinâmicas regionais de Santa Catarina, moldadas pelo perfil produtivo, pela pressão urbana e turística, pela legislação ambiental e pela aptidão agrícola das áreas, o que reforça a diversidade do mercado de terras no estado. Estes dados podem ser consultados gratuitamente no Observatório Agro Catarinense, na área temática Mercado Agropecuário.
Metodologia
A coleta das informações ocorre entre os meses de outubro e janeiro e considera exclusivamente o valor da terra nua, sem benfeitorias. O trabalho é realizado por técnicos e agentes de mercado da Epagri/Cepa distribuídos em todas as regiões catarinenses, com base em informações fornecidas por informantes-chave, como imobiliárias, cooperativas, sindicatos rurais, associações de produtores, cartórios e órgãos públicos.
De acordo com a analista, para cada município e classe de terra são consultados, no mínimo, três informantes. “Os dados passam por validação estatística, resultando na apuração de preços mínimos, mais comuns e máximos, sendo os valores finais apresentados como referência municipal para cada classe”, explica Padrão.
A Epagri/Cepa ressalta que os valores divulgados são referenciais e não devem ser utilizados para balizar negociações imobiliárias ou processos de arbitragem, já que fatores como localização, topografia, qualidade do solo e nível de aproveitamento agrícola podem gerar variações significativas dentro de um mesmo município.

Produção agropecuária
Os preços das terras agrícolas em Santa Catarina refletem o peso da agropecuária na economia estadual. Com elevada aptidão agrícola e sistemas produtivos intensivos, o setor mantém crescimento consistente. Nos últimos dez anos, o Valor da Produção Agropecuária (VPA) avançou, em média, 4,3% ao ano, em termos reais.
Em 2025, o VPA foi estimado em R$ 74,9 bilhões, alta de 15,4% frente a 2024, resultado da combinação entre preços mais altos e maior produção. A pecuária respondeu por 58% do valor gerado no campo, seguida pelos grãos. Suínos, frangos, leite e soja concentraram mais da metade do VPA estadual.
Esse desempenho sustentou a valorização das terras, sobretudo nas classes ligadas à produção de grãos. As terras de primeira e segunda classes tiveram os maiores valores no Oeste e no Planalto Norte, regiões com forte presença da soja. No litoral, a pressão urbana, industrial e portuária também elevou os preços.
Terras de terceira e de servidão florestal valorizaram com a legislação ambiental e o avanço do turismo rural. Já as várzeas sistematizadas, voltadas à produção de arroz, foram influenciadas pela alta do cereal em anos anteriores, com predominância do arrendamento, que representa cerca de 60% da área cultivada no estado.
No vídeo abaixo, a analista da Epagri/Cepa, Glaucia Padrão, explica os principais fatores econômicos e territoriais que impulsionaram a valorização das terras agrícolas em Santa Catarina em 2025.