Preço dos ovos sobe em fevereiro e interrompe sequência de quedas em Santa Catarina
Os preços de atacado dos ovos de galinha em Santa Catarina registraram alta de 9,2% nas três primeiras semanas de fevereiro, na média estadual, em comparação com o mês anterior. O movimento interrompe a trajetória de forte queda observada desde abril do ano passado e sinaliza um ajuste do mercado diante de mudanças sazonais na demanda e na oferta, conforme dados da Epagri/Cepa.
Pelo lado da demanda, dois fatores contribuíram para a pressão sobre os preços. O início da Quaresma, período em que parte dos consumidores reduz o consumo de carnes e, tradicionalmente, amplia a procura por ovos. Soma-se a isso o retorno às aulas, que eleva o consumo do produto por se tratar de uma proteína animal de baixo custo e alta qualidade nutricional, amplamente utilizada em cardápios escolares. Embora esses movimentos ainda estejam em fase inicial, os preços de atacado já refletem uma preparação do mercado para o crescimento da demanda.
Na oferta, a redução sazonal da produtividade das galinhas de postura também exerce influência. Com a aproximação do outono, que começa em 20 de março, a menor duração dos dias tende a reduzir a produção, especialmente em sistemas menos tecnificados. Em granjas com maior nível tecnológico, o uso de iluminação artificial atenua esse efeito, mas não o elimina completamente. Além disso, a forte desvalorização ao longo de 2025 levou os ovos, em janeiro, ao menor patamar de preços desde novembro de 2024, cenário que estimulou muitos produtores a reduzirem seus plantéis, antecipando o abate das galinhas menos produtivas.
Mercado sinaliza início de alta sazonal nos preços dos ovos
Apesar da alta recente, os preços de atacado ainda permanecem 28,1% inferiores aos registrados em fevereiro de 2025, considerando a inflação do período medida pelo IGP-DI. Um fator que tem limitado pressões adicionais é a relativa estabilidade dos custos de produção nos últimos meses, com tendência predominante de queda. O milho, por exemplo, principal componente das rações, está 8,7% mais barato nas primeiras semanas de fevereiro em relação ao mesmo período do ano passado, em valores corrigidos pela inflação.

Apesar das fortes oscilações observadas no mercado atacadista, apenas parte da alta foi repassada aos produtores até o momento. Dados da Epagri/Cepa indicam que, nas três primeiras semanas de fevereiro, o preço médio recebido pelo produtor pela dúzia do ovo de galinha grande alcançou R$ 7,04, registrando aumento de 4,6% em relação ao mês anterior, quando a remuneração média foi de R$ 6,73 por dúzia.
Segundo o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, o repasse parcial da valorização do atacado ao produtor é explicado pelo estágio inicial do movimento de alta. “Estamos no ponto inicial da curva de elevação dos preços dos ovos. A oferta está apenas começando a recuar, ao mesmo tempo em que a demanda tende a crescer de forma mais consistente à medida que nos aproximamos da Páscoa. Nesse momento, o mercado ainda está em ajuste”, afirma.
De acordo com o analista, o comportamento mais acelerado dos preços no atacado também está relacionado à estratégia do varejo. “Muitos varejistas estão se antecipando a esse cenário, buscando ampliar estoques sempre que possível. Esse movimento pressiona rapidamente os preços no atacado, enquanto os valores pagos ao produtor reagem de forma mais gradual”, explica Giehl.
Levantamento da Epagri/Cepa mostra que a elevação dos preços nos primeiros meses do ano é um comportamento sazonal, recorrente na maioria dos anos, associado ao aumento da demanda e à redução temporária da oferta. A intensidade desse movimento, no entanto, pode variar conforme fatores conjunturais, como oscilações mais acentuadas no consumo, mudanças nos custos de produção ou eventuais quedas abruptas na oferta.
No vídeo, o analista da Epagri/Cepa, Alexandre Luís Giehl, analisa o comportamento dos preços dos ovos de galinha nesses dois meses de 2026, com base nos dados da Epagri / Cepa com os valores corrigidos pelo IGP-DI.