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13/01/2026 | Comércio Exterior

Acordo União Europeia–Mercosul abre novas frentes para o agro catarinense

Redução de tarifas e acesso ampliado ao mercado europeu podem impulsionar exportações de produtos de maior valor agregado. Por Cristiele Deckert

A assinatura do Acordo União Europeia–Mercosul, prevista para este sábado, 17 de janeiro, marca um novo capítulo nas relações comerciais entre os dois blocos e reacende expectativas no setor produtivo catarinense. O tratado estabelece a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, além do alinhamento de regras para o comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios. Também prevê regras de origem, simplificação dos trâmites aduaneiros, maior transparência e o reconhecimento de certificações, com foco na redução da burocracia e na facilitação do comércio entre os blocos.

Acordo União Europeia–Mercosul pode impulsionar exportações do agronegócio de Santa Catarina e ampliar presença no mercado europeu (Foto: Divulgação / Portonave)

Santa Catarina chega a esse novo cenário com participação relevante no mercado europeu, especialmente na exportação de produtos agroindustriais de maior valor agregado. Dados do Observatório Agro Catarinense mostram que, em 2025, as exportações do agronegócio catarinense para a União Europeia somaram cerca de US$ 765 milhões, alta de 15,4% em relação a 2024.

Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelos parlamentos nacionais de todos os países envolvidos. De acordo com o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural do Centro de Socioeconomia e Planejamento Rural Agrícola da Epagri (Epagri/Cepa), Roberth Andres Villazon Montalvan, mesmo em um cenário otimista, esse processo pode levar de seis a sete meses, além de exigir ajustes regulatórios e institucionais para sua efetiva implementação.

Para Villazon Montalvan, o potencial de impacto para o agronegócio catarinense é relevante, sobretudo para o setor exportador de carnes de frango, mas condicionado à efetiva concretização dos termos previstos no acordo. 

“Os primeiros efeitos práticos devem ser percebidos apenas a partir do segundo semestre de 2027, após a conclusão dos trâmites burocráticos previstos para 2026. Por isso, é fundamental o acompanhamento contínuo e técnico do conteúdo final do tratado e dos termos que vierem a ser ratificados, a fim de identificar com precisão os benefícios e os riscos para o setor no médio e longo prazo”, avalia.

Nesse intervalo, existe a possibilidade de aplicação provisória de partes do acordo, especialmente as relacionadas à redução tarifária. No entanto, essa antecipação dos efeitos econômicos depende de consensos políticos entre os países e pode levar semanas para se concretizar.

Outro ponto sensível são as barreiras não tarifárias, que em muitos casos se mostram mais restritivas que as próprias tarifas, como ocorre no mercado de mel, cujos exigentes requisitos técnicos e sanitários têm dificultado o acesso ao mercado europeu. Além disso, será fundamental acompanhar os efeitos indiretos do acordo sobre a demanda por produtos agrícolas, especialmente diante do aumento da concorrência na indústria de alimentos da União Europeia, com possíveis impactos sobre cadeias como chocolates, bebidas, massas, farinhas e outros derivados.

O avanço do acordo também reflete a estratégia de diversificação de mercados adotada por Santa Catarina diante do aumento de tarifas impostas ao comércio com os Estados Unidos ao longo do último ano. A expectativa é de que, com a consolidação do tratado, o mercado europeu seja mais relevante para os produtos catarinenses.

SC amplia presença no mercado europeu em 2025

As carnes de frango e seus derivados lideraram a pauta de exportações do agronegócio catarinense para a União Europeia no último ano, com embarques que somaram cerca de US$ 335,7 milhões. Na sequência, destacam-se madeiras e obras de madeira, com US$ 186,5 milhões, tabaco e derivados (US$ 99 milhões) e móveis de madeira (US$ 54 milhões). Os dados confirmam crescimento no valor exportado em relação a 2024, reforçando a importância do mercado europeu para os produtos catarinenses.

Entre os países membros da União Europeia, os principais destinos das exportações do agro de Santa Catarina foram Países Baixos, Bélgica, Espanha, Itália, Alemanha, Portugal e França. Esses mercados se destacam tanto pelo volume adquirido quanto pelo perfil de consumo, considerado estratégico para produtos de maior valor agregado.

No sentido inverso, as importações catarinenses oriundas da União Europeia somaram US$ 941 milhões em 2025, com crescimento anual de 6%. A pauta foi liderada por bebidas alcoólicas e não alcoólicas, sucos e vinagres, seguidos por outros produtos de origem vegetal e derivados, batata-inglesa e derivados, açúcares, cacau, chocolates e preparações alimentícias, além de carnes suínas e seus derivados.

Os principais países de origem dessas importações foram Portugal, Áustria, Itália, Alemanha, Países Baixos, Espanha e Bélgica, consolidando a União Europeia como um dos parceiros comerciais mais relevantes de Santa Catarina no setor agroalimentar.

No vídeo abaixo, o analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural Agrícola da Epagri/Cepa, Roberth Andres Villazon Montalvan, explica como a eventual aplicação provisória do acordo pode antecipar ganhos para as exportações de carnes e de outros produtos do agro catarinense.

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