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02/09/2026 | Boletim Agropecuário

Trigo enfrenta cenário desafiador em Santa Catarina, aponta a Epagri/Cepa

Dados do Observatório Agro Catarinense mostram preços em recuperação em julho, mas seguem abaixo dos níveis do ano passado e não compensam os custos de produção Por Cristiele Deckert

O mercado de trigo entra no segundo semestre de 2026 marcado por um equilíbrio entre fatores de alta e de baixa. No Brasil, a redução da produção nacional e os riscos climáticos no Sul ajudam a sustentar as cotações, enquanto estoques nos moinhos, importações e o avanço da colheita no Hemisfério Norte limitam altas mais expressivas. Em Santa Catarina, esse cenário ocorre em um momento de forte retração da área cultivada.

Lavouras de trigo em SC entram na safra 2026/27 em cenário de desafios para os produtores. (Foto: Divulgação Epagri)

“O cenário de preços abaixo dos níveis registrados no ano passado, combinado aos custos elevados dos insumos, reduziu as margens dos produtores e contribuiu para a menor área de trigo dos últimos seis anos em Santa Catarina. Para a safra 2026/27, a área deve recuar 35,7%, passando de 104,5 mil para 67,2 mil hectares. A produção está estimada em 240,5 mil toneladas, uma queda de 37,2% em relação à safra anterior”, explica o analista da Epagri/Cepa João Alves. 

 

Preços do trigo sobem em julho, mas seguem abaixo de 2025

Em Santa Catarina, o preço médio recebido pelo produtor pela saca de trigo de 60 quilos passou de R$67,49 em junho para R$69,15 em julho, alta de 2,5%. Apesar da recuperação mensal, o valor ainda representa uma queda de 8,1% na comparação com julho de 2025.

Segundo análise do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), o mercado apresenta tendência de sustentação dos preços, influenciada principalmente pela menor oferta brasileira, pelas condições climáticas no Sul e pelo cenário internacional. Ao mesmo tempo, a baixa liquidez no mercado físico, os estoques dos moinhos e a entrada da nova safra no Hemisfério Norte reduzem a possibilidade de altas mais acentuadas.

 

Lavouras catarinenses apresentam boas condições

Na primeira semana de agosto, toda área destinada ao cultivo de trigo nesta safra já havia sido semeada. Do total, 92% das lavouras apresentavam boas condições e 8% estavam classificadas como regulares. Cerca de 6% da área já havia avançado para a fase de floração.

No cenário nacional, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima produção de 6 milhões de toneladas de trigo em 2026, redução de 23,5% em relação à safra anterior. No mercado mundial, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) projeta queda de 2,8% na produção, para 819,97 milhões de toneladas, enquanto o consumo deve crescer 0,2%, mantendo o mercado internacional atento à relação entre oferta e demanda.

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