Safras catarinenses de cebola e alho apontam desafios
O alho e a cebola têm grande importância econômica e social para Santa Catarina, gerando renda e movimentando a economia de diversas regiões produtoras. Dados do Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) mostram que a última safra foi marcada por um contraste: produtividade recorde no campo e preços abaixo dos custos de produção.

Para o novo ciclo, as duas culturas já estão totalmente implantadas. A expectativa é de redução da área cultivada e da produção, enquanto as condições climáticas previstas aumentam a preocupação dos produtores.
Cebola
A última safra registrou produtividade média de 32.951 quilos por hectare, a maior desde, pelo menos, 2012. O resultado foi favorecido pelas boas condições climáticas e pelo manejo das lavouras.
Apesar disso, a rentabilidade foi prejudicada. Entre novembro de 2025 e maio de 2026, o preço médio ponderado recebido pelo produtor foi de R$ 1,08 por quilo, abaixo do custo de produção referencial, de R$ 1,75 por quilo. A elevada oferta no mercado brasileiro pressionou as cotações.
Na safra atual, a área cultivada caiu de 19.120 para 16.322 hectares, redução de cerca de 15%. A produção estimada é de 498.060 toneladas, 21% menor que as 630.028 toneladas colhidas na safra anterior.
Alho
O alho também alcançou produtividade recorde, com média de 11.831 quilos por hectare na última safra.
Os bons resultados no campo, no entanto, não foram suficientes para garantir rentabilidade. Entre janeiro e junho de 2026, o preço médio ponderado recebido pelo produtor foi de R$ 6,42 por quilo, enquanto o custo de produção referencial chegou a R$ 9,70.
Para a nova safra, a área cultivada caiu de 747 para 623 hectares, redução de quase 17%. A expectativa é que a produção passe de 8.838 toneladas, em 2025, para 7.043 toneladas, queda de pouco mais de 20%.
Estratégias para reduzir riscos no campo
O principal desafio das duas culturas continua sendo a volatilidade dos preços, definidos pela oferta e demanda do mercado. Por isso, além do manejo das lavouras, os produtores precisam buscar estratégias para reduzir riscos.
A analista de Socioeconomia e Desenvolvimento Rural da Epagri/Cepa, Lillian Bastian, destaca alternativas para enfrentar os desafios da atividade, como a diversificação das atividades, o seguro agropecuário, o beneficiamento e melhorias na secagem e no armazenamento.
“O excesso de chuvas previsto para os próximos meses pode afetar o manejo e a produção, exigindo mais planejamento dos produtores”, alerta Bastian.
Segundo a analista, os cuidados também devem se estender ao pós-colheita, especialmente nos processos de cura, secagem e armazenamento das cebolas. A orientação técnica será fundamental para auxiliar os produtores nesse processo.