Epagri/Cepa divulga edição de julho do Boletim Agropecuário
O Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa) publicou, nesta sexta-feira (17), a edição de julho do Boletim Agropecuário. A publicação reúne análises atualizadas sobre produção, preços, condições climáticas e mercado, oferecendo um panorama da conjuntura das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense. O conteúdo completo desta edição está disponível neste link.

Confira, a seguir, os principais destaques do Boletim Agropecuário de julho de 2026:
Arroz: oferta elevada mantém mercado de arroz pressionado
A comercialização da safra 2025/26 segue marcada pela ampla disponibilidade de grãos e pela dificuldade de recuperação das margens dos produtores. Apesar de uma leve reação nas cotações no início de julho, os preços permanecem abaixo dos custos de produção. No mercado externo, Santa Catarina ampliou as exportações no primeiro semestre de 2026, mas o movimento ainda não foi suficiente para reduzir a pressão sobre o mercado interno.
No campo, a safra catarinense apresentou desempenho positivo, com produtividade recorde de 9.029 quilos por hectare, boa qualidade dos grãos e estabilidade na produção. Para o próximo ciclo, a possibilidade de ocorrência de El Niño de forte intensidade mantém o alerta para eventuais impactos climáticos, principalmente nas regiões do Alto Vale do Itajaí e Litoral Norte.
Feijão: valorização das cotações contrasta com queda na produção
Os preços do feijão apresentaram alta em Santa Catarina durante o mês de junho, diferentemente da tendência de queda observada na maior parte das regiões produtoras do país. O feijão-carioca registrou valorização de 3%, encerrando o mês cotado a R$287,93 por saca, enquanto o feijão-preto teve alta de praticamente 18%, alcançando R$203,38 por saca. Na comparação com junho de 2025, os preços acumulam valorização de 98% para o feijão-carioca e de 63% para o feijão-preto.
Mesmo com a recuperação das cotações, Santa Catarina deverá registrar a menor área plantada de feijão da série histórica do Epagri/Cepa, iniciada em 2012. A expectativa é que o ciclo 2025/26 encerre com 46 mil hectares cultivados e produção de aproximadamente 84 mil toneladas, também a menor da série. A redução é atribuída aos baixos preços no período de plantio, ao aumento dos custos com fertilizantes e diesel e às incertezas climáticas.

Trigo: área plantada deve cair 32% na safra 2026/27
Os preços do trigo seguiram em alta no mercado brasileiro durante o mês de junho. Em Santa Catarina, a saca de 60 quilos foi comercializada, em média, a R$67,49, alta de 3% em relação a maio. Até o fim de junho, cerca de 45% da área prevista para a cultura já havia sido semeada, com 95% das lavouras apresentando boas condições de desenvolvimento.
Para a safra 2026/27, as projeções indicam uma redução de aproximadamente 32% na área plantada, que deve totalizar 71 mil hectares. Com a expectativa de menor produtividade, a produção estadual é estimada em cerca de 250 mil toneladas, volume quase 35% inferior ao registrado na safra anterior.
Milho: preços reagem e mercado projeta valorização
Após um período de pressão sobre as cotações, o mercado do milho começa a apresentar sinais de recuperação em Santa Catarina. A saca de 60 quilos foi comercializada, em média, a R$59,09 em junho, alta de 1,5% em relação ao mês anterior. A perspectiva de valorização no médio prazo está associada à redução dos estoques mundiais e aos possíveis impactos climáticos do El Niño sobre a próxima safra.
No campo, o ciclo 2025/26 encerrou com um dos melhores desempenhos da história catarinense, com produção de 2,7 milhões de toneladas e bons índices de produtividade e qualidade dos grãos. Apesar dos resultados positivos, a rentabilidade dos produtores permaneceu limitada pelos preços praticados durante a comercialização. Para a próxima safra, custos de produção mais elevados e riscos climáticos são os principais pontos de atenção.
Soja: preços reagem após atingirem mínimas históricas
O mercado da soja começa a apresentar sinais de recuperação após um período de baixa nas cotações. Em Santa Catarina, a saca de 60 quilos foi comercializada, em média, a R$116,36 em junho, alta de 1,5% em relação ao mês anterior. Apesar da ampla oferta mundial manter a pressão sobre os preços, fatores como o risco climático nos Estados Unidos, a retomada da demanda global e as incertezas no cenário internacional podem favorecer uma recuperação gradual das cotações.
Na safra 2025/26, Santa Catarina registrou produção de 3,09 milhões de toneladas, redução de 5,7% em relação ao ciclo anterior. A queda foi influenciada pela menor produtividade e por adversidades climáticas, especialmente nas regiões de Lages e Canoinhas, mesmo com a ampliação da área cultivada na segunda safra.
Banana: temperaturas mais baixas elevam as cotações
Os preços da banana seguiram em alta em Santa Catarina durante o mês de junho, impulsionados pela redução da oferta causada pelas temperaturas mais baixas. A banana-caturra registrou valorização de 18,9% em relação a maio, enquanto a banana-prata teve alta de 17%. No comparativo anual, a banana-caturra acumula valorização de 60,1%, e a banana-prata, de 14,4%. A expectativa é de manutenção dos preços da caturra e de recuo nas cotações da prata, em razão da menor demanda.
Para a safra 2025/26, a estimativa é de crescimento de 0,3% na produção estadual, acompanhado de aumento de 2,5% na área cultivada. As microrregiões do Norte Catarinense concentram 84,7% da produção de banana do estado, enquanto o Sul responde pelos 15,3% restantes.

Alho: Indicação Geográfica valoriza produção catarinense
O alho roxo do Planalto Catarinense conquistou, em junho, o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), reforçando a identidade e a valorização da produção regional. No mesmo período, encerrou-se a comercialização da safra catarinense, com o preço médio pago ao produtor de R$8,33/kg, alta de 8% em relação a maio, mas 60% abaixo do registrado em junho de 2025.
Para a próxima safra, a expectativa permanece de redução de cerca de 100 hectares na área cultivada, reflexo da elevada oferta de produto de origem interna e externa. O produto de origem externa veio, principalmente, da Argentina. Apesar das chuvas e das baixas temperaturas registradas em junho, o plantio segue dentro do calendário previsto para a cultura.
Cebola: mercado reage enquanto plantio segue em andamento
O plantio da safra catarinense de cebola 2026/27 segue em andamento, com cerca de 55% da área prevista já implantada. As chuvas e as baixas temperaturas registradas em junho têm dificultado os trabalhos no campo, mas, até o momento, não houve mudanças significativas nas estimativas iniciais. A expectativa é de redução de aproximadamente 9% na área cultivada e na produção, embora a produtividade deva crescer 0,6% em relação à safra anterior. A possibilidade de ocorrência do fenômeno El Niño permanece como um fator de atenção para o desempenho da cultura.
No mercado atacadista, o quilo da cebola foi cotado, em média, a R$4,26 em junho, alta de 10% em relação a maio e de 28% na comparação com o mesmo período de 2025. Já as importações recuaram cerca de 29% entre maio e junho, indicando maior participação da produção nacional no abastecimento do mercado.

Bovinos: preços do boi gordo voltam a recuar
Após uma leve recuperação em junho, o mercado de bovinos entrou novamente em um movimento de ajuste nas primeiras semanas de julho. Em Santa Catarina, a cotação do boi gordo caiu 0,8% em relação ao mês anterior, embora permaneça 6% acima do valor registrado no mesmo período de 2025, considerando a correção pelo IGP-DI.
No atacado, os cortes de carne bovina também apresentaram retração, com queda de 1,2% para a carne de dianteiro e de 0,6% para a de traseiro. Apesar das reduções recentes, os preços seguem superiores aos observados em julho do ano passado, mantendo o mercado em um patamar mais valorizado na comparação anual.
Frango: Santa Catarina amplia embarques no primeiro semestre
Santa Catarina exportou 103,3 mil toneladas de carne de frango em junho, com receita de US$220,3 milhões. Embora os embarques tenham recuado em relação a maio, o resultado representa crescimento de 36,6% em volume e de 40,1% em receita na comparação com junho de 2025, configurando o melhor desempenho da série histórica para o mês.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o estado embarcou 646,3 mil toneladas de carne de frango e faturou US$1,37 bilhão, altas de 13% em volume e 17,1% em receita frente ao mesmo período do ano passado. Santa Catarina respondeu por 22,6% do volume e 24,6% das receitas das exportações brasileiras do produto.
Suínos: mercado externo contribui para desempenho do setor
Santa Catarina exportou 64,6 mil toneladas de carne suína em junho, com receita de US$163,6 milhões. Apesar da queda em relação ao mesmo mês de 2025, os resultados representam o melhor desempenho da série histórica para o mês de junho.
No acumulado do primeiro semestre de 2026, o estado embarcou 372,9 mil toneladas de carne suína e faturou US$934,6 milhões, ambos recordes para o período. Santa Catarina respondeu por 48,2% do volume e 50,8% das receitas das exportações brasileiras da proteína, mantendo a liderança nacional no setor.
Leite: mercado apresenta recuperação nos preços ao produtor

A captação de leite pelas indústrias catarinenses alcançou recorde histórico no primeiro trimestre de 2026, com 837 milhões de litros, volume 6% superior ao registrado no mesmo período de 2025 e 18% acima da média dos últimos dez anos. O resultado consolida o maior volume captado para um primeiro trimestre desde o início da série histórica, em 1997.
No mercado, o preço médio pago ao produtor catarinense reagiu em julho, chegando a R$2,70 por litro, alta de 3,8% em relação a junho e de 1,1% na comparação anual. Apesar da valorização, a elevação dos custos de produção segue pressionando a rentabilidade da atividade. No comércio exterior, o déficit da balança de lácteos recuou em junho, com redução de 34,7% em relação ao mês anterior.